last hope.
listen to last hope by paramore
Acho que o cúmulo foi eu não ter conhecido a mim mesma antes de ter te conhecido. Não saber quem eu era antes de você.. E agora, novamente, eu não sei quem eu sou. Só você poderia me dizer e me fazer enxergar.
Eu achei que eu já estaria feliz, que toda a tristeza e amargura penetrada em minha alma já tivesse se dissipado até o momento de agora, em que eu estou escrevendo isso. Eu achei que tudo estaria bem. Mas não vai estar, não é? Nunca vai estar tudo novamente encaixado, em seu devido lugar. E tudo isso porque você não está aqui, para se encaixar em mim como a peça que falta em meu quebra-cabeça.
Você, com seu sarcasmo, e suas piadinhas de mal-gosto. Você, com esse corte de cabelo ruim e essas roupas, escuras demais para alguém de tão de bom humor. Com esses olhos, frios e que seduziam, me enganavam tão bem. Frios mas tão bonitos, tão.. Ugh.
Eu cheguei à conclusão de que eu, ou esquecia você, ou esquecia a mim mesma. Mas bem, ambos resultariam na mesma coisa, então eu acabei desistindo das duas opções. Então aqui estou eu, no meu esgotamento, fazendo a última coisa que eu esperava fazer, e a única que eu poderia também: escrevendo um maldito testamento.
Sabe, eu me esforcei. Você não sabe o quanto é difícil fazer algo quando tudo o que me trazia inspiração era você. Ainda é para falar a verdade, tanto que eu estou escrevendo isso tudo dedicado a você. Era difícil não escrever músicas sobre você, quando meu violão estava encostado em uma parede em frente a mim e você em minha mente, juntando os acordes mais melancólicos que eu conhecia em uma melodia não-tão agradável. Era difícil não escrever textos e redações sobre você, quando todos os temas que me eram entregues eram sobre algo que me fazia lembrar sempre de você - o que, na verdade, é qualquer coisa, porque você está até nos pequenos detalhes da minha agora entediante vida.
Então é isso. Acho que só devo deixar acontecer, certo? Deixar tudo acontecer.. Desistir dessa imagem que eu tenho em minha cabeça, de que tudo está quase certo e que tudo vai ficar bem.
O problema é que eu não consigo.
Ainda há essa chama em mim, eu não sei direito. Há algo que me dá.. Esperança. Na verdade, acho que é apenas uma faísca. Uma faísca que me diz todos os dias, com uma voz que fica ecoando e ecoando em minha mente: "As coisas vão mudar" ou "Ele vai mudar". Mas não vai, não é? Nada vai mudar.. E bem, essa era a minha última esperança. É a minha última esperança. Uma que não sai de minha mente, não importa o quanto eu tento deixá-la ocupada só para me fazer esquecer de você por um milésimo segundo, um milésimo.. Ela continua lá. Não saiu até agora, e acredito que não vai sair também. Você está gravado em mim. E eu odeio isso. E eu amo isso.
Sou quase que como uma sadomasoquista, certo? Isso é irônico, porque você sabe o quanto eu odiava me machucar, e desviava de tudo que poderia causar algum dano ao meu corpo. Mas acho que essa regra era apenas válida para o meu exterior. Porque dói, mas eu não tenho mais medo de me machucar. Porque no fundo eu gosto.. Porque no fundo eu sei que essa faísca de esperança é a única coisa que me mantém viva, que me mantém indo em frente. É a única coisa que pode me dizer quem eu sou. Você é a única coisa que pode me dizer o que eu sou. E eu meio que preciso logo de uma resposta.
Você pode me responder?
















