Batman fez a seguinte pergunta: “como imprimir na imagem alguma sensação de calor”? Uma câmera térmica? Será? A ideia que surgiu foi pôr Jade para contracenar com outra moça. Mas a Paula (diretora de produção), Elisa (diretora de fotografia) e Helô (produtora do Pedro) argumentaram que não fazia sentido ter as duas moças se beijando, filmadas com uma câmera térmica e projetadas no telão enquanto Yuri e Pedro estivessem tocando no palco. Essas imagens, gratuitas nesse contexto, acabariam tratando a atração entre duas mulheres como fetiche. Então partiram para uma solução mais parecida com a dos outros convidados. Fundo totalmente iluminado ou preto e um jogo de luz e sombra. Depois de uma tarde de gravação, Batman resolveu mover uma mesa que tinha no auditório, onde o set foi montado, para testar outro ângulo da Jade. O tempo estava se esgotando porque o auditório teria que ser liberado para outro evento. Aí aconteceu a mágica. A superfície lustrosa da mesa era um espelho perfeito. O acaso às vezes oferece a melhor solução possível. Jade encontrou seu próprio reflexo. Alguém se lembrou que duas semanas antes, durante a gravação da música no estúdio, Jade tinha dito que gostaria de contracenar consigo mesma. Como num passe de mágica, surgiu um efeito que nem a mais avançada das pós-produções conseguiria produzir tão bem. Achados totalmente imprevistos como esses fazem valer todos os impasses.