Capitulo I
Acordei cedo na manhã seguinte, a luz do sol penetrava o quarto pelas frestas da velha janela de ferro e a claridade colocava a escuridão pra fora, como um fugitivo põe a terra de seu túnel, escavado à duras penas, ao seu lado. Amanhecia. Peguei o celular do chão, que estava carregando e abri os menus, indo direto no whatsapp. Dei bom dia à pessoa que por ultimo havia conversado na noite anterior e acrescentei; "Sua linda!". Ela devolveu a gentileza e agradeceu com um sorriso. Meu coração deu pequenos saltos cheios de alegria, como João Batista no ventre de Isabel, ao ouvir sobre o salvador. Isso me deu mais motivos para querer levantar, ainda que preguiçosamente. Olhei o quarto ao meu redor, e notei que não era o meu. Ah sim, pensei, dormi fora de casa ontem. Levantei me e fui ao banheiro. Lavei o rosto tentando tirar dele os últimos resquÃcios de sono; sem sucesso, eu parecia ter dormido por mil anos. Mas se tivesse mesmo dormido todo esse tempo eu jamais acordaria. Ficaria numa espécie de sono eterno e talvez nem quisesse levantar. Eu expulsei o pensamento para as profundezas do subconsciente enquanto caminhava para a cozinha. Precisava fazer um café. Já passava das onze da manhã mas tudo bem. Pra mim um dia não começa antes de uma boa dose de café. Enquanto colocava a água para ferver eu ia aos poucos pensando na pessoa a quem eu havia dado bom dia. Em como eu gostaria de ve-la, conversar com ela, te-la em meus braços, beijar aqueles lindos lábios. Coloquei açúcar na água e me sentei na sala. "Eu vou lá hoje" pensei. Estávamos conversando há poucos dias, mas o que eu sentia por ela não nasceu nesse meio tempo. A história é mais antiga e devo agora conta-la. Acho que já está na hora de coar o café, o barulho da fervura me resgata do pequeno, mas profundo, rio das memórias. Eu respiro, mas gostaria de estar afogado.










