Paradigmas do profissional do século XXI
Qual deve ser o conjunto estratégico deste novo profissional
por Priscilla Scurupa
Revista Empresa & CIA | ed. 16 | out/dez 2011
Antigamente a produção seriada e a segmentação de funções eram a realidade do mercado. Hoje esse panorama é muito mais complexo e dinâmico. A tecnologia está revolucionando o mundo empresarial e do trabalho: as hierarquias se diluem e o conhecimento, antes específico, se torna cada vez mais holístico. Ao mesmo tempo, a ideia de que o sucesso pessoal e profissional está intimamente atrelado aos relacionamentos que construímos e mantemos ao longo da vida, ganha cada vez mais forças. Então qual deve ser o conjunto estratégico deste novo profissional? Que características ele deve desenvolver ao longo de sua carreira?
Para o consultor de Recursos Humanos Giovani de Souza, apesar de não existir uma receita pronta, o CHA (o Conhecimento, as Habilidades e a Atitude) continua fazendo a diferença. “Essas três palavras juntas são o que chamamos de competências duráveis”, explica ele.
Segundo Souza, o profissional deve desenvolver seu lado humano para saber trabalhar, se comunicar com pessoas, e, quando necessário, resolver conflitos pessoais ou grupais. Depois, adquirir conhecimento, carregar sua bagagem com informações, experiências. Isso significa aprender a aprender, ter contato com outros profissionais e reciclar-se continuamente para não se tornar obsoleto e ultrapassado.
Como não basta apenas possuir o conhecimento, torna-se necessário saber como aplicá-lo. Entra então a habilidade de transformar a teoria em prática, usando o que se aprendeu na solução de possíveis problemas. O especialista em coaching, Leonardo Stachelski, ressalta que nesse momento o importante é o poder de percepção do profissional. “Para agir com habilidade, este profissional precisará de atitude. A atitude representa a percepção, a escolha da melhor maneira para fazer as coisas acontecerem, como liderar, motivar, comunicar, conduzir os negócios”, diz ele. Por último, esclarece, está a capacidade de julgamento de cada um de atribuir valores e prioridades. O julgamento sensato torna o profissional capaz de analisar e diagnosticar situações e de propor soluções criativas e inovadoras.
Além dessas habilidades, o profissional do século XXI deve manter valores como senso comunitário e simplicidade. Para tanto, a conciliação entre a razão e as emoções se faz necessária. De acordo com Stachelski, atingir esse equilíbrio depende do poder de flexibilidade e de adaptabilidade de cada um. “A capacidade de relacionamento está entre as multifuncionalidades exigidas hoje. Com o apoio de várias pessoas, o profissional terá maior facilidade em desenvolver seus projetos.” Souza complementa dizendo que não se pode perder de foco a essência humana. “Precisamos de disposição para percorrer esse caminho que é um retorno a um princípio básico da humanidade: os relacionamentos. O problema é que somos imediatistas e não estamos dispostos a investir neles. Relacionamento dá trabalho, exige tempo, paciência e persistência”.













