Na Boca Maldita, coração da capital paranaense, está o Edifício Tijucas, um dos mais tradicionais e movimentados da cidade. Entre residências e estabelecimentos comerciais, o prédio abriga histórias presentes na memória de seus moradores mais antigos e na de todos...
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“Le Corbusier limpou de preconceitos o horizonte, fez suas e divulgou todas as ideias a respeito do viver humano, intransigente, infatigável, inovador, permitindo-nos partir de um novo trampolim para construir e habitar”. Foi sob o pseudônimo de Alencastro que ...
Um dos retratos mais bonitos de Paulo Leminski é o que estampa a capa da terceira edição de Catatau, seu romance-ideia lançado em 1975. Na imagem em preto e branco com fundo infinito, ele aparece sentado, completamente nu, e tem o sexo encoberto por suas pernas cruzadas. Seus pés, em primeiro plano, lembram os pés de Abaporu, obra de Tarsila do Amaral em referência ao “homem que come gente”, símbolo do movimento antropofágico brasileiro. A fotografia, que sintetizou a alma devoradora do poeta curitibano, foi clicada por Dico Kremer, seu amigo de longa data e companheiro de profissão quando atuavam no mercado publicitário.
A exposição Convivência, em cartaz na Biblioteca Pública do Paraná a partir de amanhã, reúne este e outros 20 retratos – muitos deles inéditos - produzidos por Dico Kremer e revela, direta e indiretamente, a intimidade dos dois amigos e o cotidiano do poeta. A mostra é uma homenagem ao aniversário de Leminski, nascido em 24 de agosto.
Convivência - Exposição com 21 fotografias de Paulo Leminski, por Dico Kremer
Quando: de 24 de agosto a 28 de setembro
Onde: Hall térreo da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133 – Curitiba/PR)
“Entre o público e a obra de arte, quem tem razão é sempre a obra de arte”. A frase do centenário Nelson Rodrigues serve perfeitamente para esclarecer a confusão que se desenrolou em Atlanta, nos EUA, há poucos dias. De 15 a 19 de agosto, a cidade recebeu o ...
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Qual deve ser o conjunto estratégico deste novo profissional
por Priscilla Scurupa
Revista Empresa & CIA | ed. 16 | out/dez 2011
Antigamente a produção seriada e a segmentação de funções eram a realidade do mercado. Hoje esse panorama é muito mais complexo e dinâmico. A tecnologia está revolucionando o mundo empresarial e do trabalho: as hierarquias se diluem e o conhecimento, antes específico, se torna cada vez mais holístico. Ao mesmo tempo, a ideia de que o sucesso pessoal e profissional está intimamente atrelado aos relacionamentos que construímos e mantemos ao longo da vida, ganha cada vez mais forças. Então qual deve ser o conjunto estratégico deste novo profissional? Que características ele deve desenvolver ao longo de sua carreira?
Para o consultor de Recursos Humanos Giovani de Souza, apesar de não existir uma receita pronta, o CHA (o Conhecimento, as Habilidades e a Atitude) continua fazendo a diferença. “Essas três palavras juntas são o que chamamos de competências duráveis”, explica ele.
Segundo Souza, o profissional deve desenvolver seu lado humano para saber trabalhar, se comunicar com pessoas, e, quando necessário, resolver conflitos pessoais ou grupais. Depois, adquirir conhecimento, carregar sua bagagem com informações, experiências. Isso significa aprender a aprender, ter contato com outros profissionais e reciclar-se continuamente para não se tornar obsoleto e ultrapassado.
Como não basta apenas possuir o conhecimento, torna-se necessário saber como aplicá-lo. Entra então a habilidade de transformar a teoria em prática, usando o que se aprendeu na solução de possíveis problemas. O especialista em coaching, Leonardo Stachelski, ressalta que nesse momento o importante é o poder de percepção do profissional. “Para agir com habilidade, este profissional precisará de atitude. A atitude representa a percepção, a escolha da melhor maneira para fazer as coisas acontecerem, como liderar, motivar, comunicar, conduzir os negócios”, diz ele. Por último, esclarece, está a capacidade de julgamento de cada um de atribuir valores e prioridades. O julgamento sensato torna o profissional capaz de analisar e diagnosticar situações e de propor soluções criativas e inovadoras.
Além dessas habilidades, o profissional do século XXI deve manter valores como senso comunitário e simplicidade. Para tanto, a conciliação entre a razão e as emoções se faz necessária. De acordo com Stachelski, atingir esse equilíbrio depende do poder de flexibilidade e de adaptabilidade de cada um. “A capacidade de relacionamento está entre as multifuncionalidades exigidas hoje. Com o apoio de várias pessoas, o profissional terá maior facilidade em desenvolver seus projetos.” Souza complementa dizendo que não se pode perder de foco a essência humana. “Precisamos de disposição para percorrer esse caminho que é um retorno a um princípio básico da humanidade: os relacionamentos. O problema é que somos imediatistas e não estamos dispostos a investir neles. Relacionamento dá trabalho, exige tempo, paciência e persistência”.
Se a palavra GIF te faz lembrar de emoticons piscando e frases cheias de glitter que agridem os olhos, chegou a hora de rever seus conceitos. O formato de imagem se tornou uma marca da contemporaneidade e seu uso tem sido ampliado: o nível das animações de curta duração subiu e ganhou novos adeptos, como designers e revistas de moda como a Vogue Japão para ilustrar looks e coleções. Novidade no mercado, o Flixel é um aplicativo que permite a criação e edição das sequências de imagens por qualquer um, e promete ser a próxima febre a alcançar o grande público. Por enquanto, ele só está disponível para iPhones, e pode ser baixado por US$1,99 na App Store, da Apple.
Música para todos os humores
Por trás de toda música, existe uma emoção. Essa é a ideia do Stereomood, site que organiza playlists de acordo com o seu temperamento ou atividade do dia. Basta acessar a página e optar por uma das diversas tags disponíveis, que vão desde ações rotineiras (estudando, cozinhando, jantar com amigos) até os mais diversos estados de espírito (romântico, sonolento, louco). Você ouve a trilha sonora ideal para o seu humor e ainda conhece músicas novas! Para os que se cadastrarem, também é possível salvar as playlists favoritas e criar as próprias tags, além de fazer upload de músicas no formato mp3.
PLACES
Onde não há pecado
Em Ibiza o calor não é medido pelo termômetro. Ilha da Fantasia que se tornou realidade, a praia é o lugar ideal para quem gosta de música eletrônica nos mais altos decibéis e não rejeita a companhia de gente bonita e sarada.
Durante o dia, roteiros por praias de areia branca e céu azul turquesa, paisagens dignas da placidez mediterrânea. Subindo as escadarias que conduzem ao topo da catedral de Nossa Senhora das Neves, uma vista panorâmica da ilha e do mar. Já para os que preferem o turismo gourmand, fartas opções de pubs e restaurantes que servem frutos do mar sensacionais e drinks de todos os cantos do mundo.
Mas é quando o sol se põe que as coisas realmente esquentam em Ibiza. A cidade sagrada da música eletrônica é palco de alguns dos festivais mais disputados do planeta. Por lá, a festa não tem hora para acabar: a temporada de baladas começa em junho e só termina em outubro. Tudo o que se ouve falar da ilha, provavelmente é verdade. Pedaço de paraíso na terra, o difícil é conseguir ir embora.
PROFILE
Keemo
Com ele, o som é elevado ao status de arte
KeeMo é apenas um dos vários projetos do DJ e produtor alemão Alex Breuer. Com mais de 15 anos de carreira, ele foi sound designer de marcas como Apple, Mercedes Benz e Porsche. Versátil, também produziu trilhas sonoras para TV e deixou sua marca em projetos de grandes nomes da música, como o rei do pop, Michael Jackson, e a cantora Ofra Haza.
Como KeeMo, Breuer eleva o som ao status de arte, tornando suas apresentações grandes espetáculos multimídia que envolvem house music de altíssima qualidade, atrelada a efeitos de movimento e tecnologias visuais inovadoras. Spirit Dancer, sua primeira faixa de grande sucesso, conquistou a Alemanha em 2005. Em 2011, chegou ao auge de sua carreira com o hit Beautiful Lie, que permaneceu em primeiro lugar na iTunes Store portuguesa por 30 semanas consecutivas.
E agora em junho, é a vez do público curitibano conferir os maiores sucessos e as novidades que KeeMo traz às pick-ups do DUC Club. Não perca!
Alguns apartamentos e escritórios não têm espaço ao ar livre, mas isso não significa que não possam ser decorados com plantas e flores
por Priscilla Scurupa
Revista Nouvelle Vie | ed.01 | jun 2012
Muitas são as espécies que podem ser usadas em interiores, mas no momento da escolha e plantio, é preciso que se tenha em mente alguns cuidados. Confira as dicas do paisagista e diretor da Ecológica Paisagismo, Paulo Roberto Castellano e da arquiteta e paisagista Estér Kloss:
A COMPRA
– Verifique sempre a saúde da planta. Pressione com os dedos o torrão, localizado na raiz. Se estiver muito duro, significa que a planta está velha e não tem muito tempo de vida. Tamanhos alterados, coloração amarelada, pequenas manchas e a presença de insetos também são indicativos de debilidade.
– Tenha em mente o ambiente em que pretende colocar a planta. Fatores como luminosidade do local e tamanho do vaso devem ser levados em conta. Ela precisa se adaptar e encontrar ali espaço e condições que permitam seu crescimento saudável.
– Cuidado com plantas tóxicas, que têm espinho ou emitem muco e secreção. Estas são contraindicadas para ambientes com crianças ou animais domésticos, pois, se ingeridas, podem provocar reações alérgicas e outras complicações.
O PREPARO DO VASO
- Escolha um recipiente com tamanho pelo menos três vezes maior que o torrão da planta para permitir seu crescimento. No caso de vasos de cimento ou cerâmica, opte pelos que tenham impermeabilização interna, a fim de evitar que o tempo e a umidade da planta enfraqueçam sua estrutura. Verifique também se o recipiente tem furos que possibilitam a drenagem.
- Para o sistema de drenagem, espalhe uniformemente no fundo do vaso uma camada de brita, argila expandida ou caco de tijolo/telha. Em seguida, coloque um pedaço de manta geotêxtil (ou manta de bidim), encontrada em casas de materiais de construção. Complete o recipiente até a altura da base do torrão com um composto de 2/3 de terra vegetal e 1/3 de terra preparada (pode ser substituído por húmus de minhoca). Finalmente, coloque a planta, cubra com o resto da mistura de terra e efetue a primeira rega.
- Se preferir, complemente a decoração com materiais leves, como argila expandida ou casca-de-pinus.
- Para evitar a proliferação de mosquitos, coloque areia de construção no prato que serve de suporte ao vaso.
OS CUIDADOS
- Nos primeiros dias, é indicado que as novas plantas fiquem afastadas de correntes de ar e sol intenso, até que possam ser transferidas para sua posição definitiva. Cuidado também com o ar condicionado, pois seu funcionamento reduz a umidade do ambiente.
- Cada planta tem sua necessidade de água, algumas mais, outras menos. Uma boa maneira de adequar a quantidade de água é observar a saúde da planta. Se as folhas estiverem soltas, murchas ou amareladas, deve-se alterar a intensidade das regas.
- De vez em quando, borrife água nas plantas. Isso contribui para que elas respirem melhor no ambiente interno sujeito ao acúmulo de pó.
- Pelo menos uma vez ao ano, efetue a poda de 1/3 das raízes para que a planta não cresça sem controle e mantenha-se saudável. Esta atividade deve ser realizada, preferencialmente, na época que a atividade metabólica da planta se concentra em suas raízes. O mês de Julho é considerado o ideal.
- E lembre-se: cuidar das plantas, é como exercer uma arte. “Elas precisam de dedicação e cuidado como se fossem uma pessoa, e precisam disso como qualquer ser vivo”, ressalta Estér.
PLANTAS INDICADAS
Dinheiro em penca
De pequeno porte, alcançando apenas 5 a 10 cm de altura, possui um aspecto ornamental e é indicada para arranjos de centro de mesa. Deve ser cultivada sob meia-sombra, em solo fértil, leve, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Não tolera o frio, ventos fortes ou pisoteio.
Pata de elefante
Assemelha-se às palmeiras, mas devido ao seu lento crescimento, também é muito explorada como planta envasada. É indicada para decoração de interiores, pátios, sacadas e varandas. Deve ser cultivada sob sol pleno, meia-sombra ou luz difusa, em solo fértil, bem drenável e irrigado a intervalos bem espaçados, para evitar o apodrecimento das raízes.
Dracena
É considerada uma das plantas de interior mais resistentes, sendo muito popular em escritórios. Isso porque sobrevivem muito bem às alterações causadas pelo ar-condicionado, exigem pouca luz e pouca rega. É também ótima purificadora do ar.
Palmeira Raphis
Muito usada no mundo todo, é plantada principalmente em vasos. Atinge de 2 a 4m de altura. Prefere temperaturas medianas, mas suporta baixas temperaturas por algum tempo. Aprecia a umidade, mas não tolera o encharcamento. Regar apenas quando a superfície do substrato estiver completamente seca.
Suculentas
Originárias em sua maioria de ambientes desérticos, onde predomina o clima árido e as altas temperaturas, as suculentas costumam agradar por suas formas exóticas. A capacidade de armazenar água e a grande resistência faz com que elas exijam pouquíssima manutenção. O exemplo mais típico de suculentas são os cactos.
Lírio-da-paz
Também conhecidas como Bandeira Branca, atingem a estatura máxima de 1,5m. Muito utilizadas para a decoração por possuírem uma inflorescência durável, de tamanho avantajado e cor clara, além de não terem nenhum problema com o clima brasileiro, o que facilita seu cultivo.
Entenda por que temos uma sensação maior de conforto quando temos uma planta no ambiente
Além do visual bonito, a presença de plantas acrescenta vida aos ambientes, tornando-os mais agradáveis por trazer um pouco da natureza aos interiores. Em uma janela por onde passam muitos veículos e a movimentação é intensa, a colocação de um vaso com flores pode reduzir o impacto visual do ambiente externo. Se colocadas na porta de entrada, são como mensagens de boas vindas aos visitantes.
“As plantas também estimulam a autoconfiança e proporcionam bem estar, acrescentando qualidade à vida das pessoas”, afirma o paisagista e diretor da Ecológica Paisagismo, Paulo Roberto Castellano. “Isso porque absorvem o dióxido de carbono, gás tóxico para seres humanos, produzem oxigênio que renova o ar dos ambientes e exigem uma dedicação que serve como terapia até para as pessoas mais agitadas”, explica.
Em uma construção, o telhado é responsável por 80% do calor que circula nos ambientes que a constituem. Dentre as várias possibilidades de materiais aplicáveis a esta parte das edificações, há o telhado verde. A técnica arquitetônica consiste na aplicação de vegetação sobre coberturas impermeáveis e é uma forma de recuperação da área verde roubada do solo onde os edifícios são inseridos.
O telhado verde pode ser aplicado em qualquer edificação e utiliza principalmente gramíneas ou plantas de raízes não muito profundas para evitar o sobrepeso nas coberturas. Como vantagens da instalação, o arquiteto e coordenador da equipe Desenho Alternativo, André Schmitt, cita o isolamento acústico, redução e controle da temperatura interna, proteção contra umidade e consequente aumento da vida útil dos materiais aplicados a elas. “Já para o meio ambiente, há a absorção do gás carbônico da atmosfera e um maior controle da umidade relativa do ar no entorno da edificação”, complementa.
Schmitt afirma que a técnica é uma excelente solução bioenergética e sustentável, mas que pode ser aprimorada se tiver for acrescida de funcionalidade. “É o que chamamos de terraço-jardim. Trata-se de agregar ao telhado verde efeitos estéticos e destinar a ele novos usos, como por exemplo, transformá-lo em jardim, solarium, espaço de lazer e convivência ou até mesmo em uma horta para produção de alimentos”. Desta maneira, a cobertura passa a ser pensada como extensão do edifício, um prolongamento dos espaços interiores.
“Apesar do custo de aplicação de 10 ou 15% a mais em relação a um telhado comum, o terraço-jardim propicia uma economia energética que compensa o investimento. Além disso, a criação de novas áreas de convivência e os efeitos visuais criados são uma oportunidade para utilizar a natureza a favor da arquitetura”, ressalta Schmitt.
O conceito, embora cause a impressão de novidade, foi elaborado pelo arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, na década de 1920, durante o auge do modernismo. Conhecido também como “a quinta fachada”, o terraço-jardim proposto por Corbusier se tornou um dos elementos centrais da nova arquitetura na idealização de uma cidade do futuro. Schmitt explica que a ideia foi esquecida ao longo tempo graças ao surgimento e uso cada vez mais frequente do ar-condicionado como controlador da temperatura ambiente, mas que hoje, com tantas questões ambientais em pauta, sua aplicação é um modo ecológico de reconciliar projetos arquitetônicos e suas paisagens circundantes.
No processo de concepção e fabricação de objetos, o fetiche. Criá-los para serem desejados, mas mais do que isso, acrescentá-los de significados que ultrapassem seus valores estéticos ou meramente funcionais. Tal conceito é o que inspira o casal Paulo Biacchi e Carolina Armellini, proprietários e idealizadores da Fetiche Design, empresa curitibana de mobiliário, decoração e consultoria de tendências.
Os dois se conheceram em 1999, no curso de desenho industrial da Universidade Federal do Paraná. “Não éramos da mesma turma, mas tínhamos amigos em comum. Nos formamos e, depois de alguns anos trabalhando em escritórios, onde o lado comercial fala mais alto, resolvemos investir em algo mais autoral”, conta Carolina. Foi então que, em 2008, deram vida à Fetiche. “Não sabíamos direito o que queríamos. Produzíamos coisas que às vezes davam certo, às vezes davam errado. Foi somente com o tempo, depois de muita experimentação, que chegamos à identidade que temos hoje”, complementa Paulo.
A primeira tentativa mercadológica foi uma loja própria que abriram na Rua Vicente Machado. “Promovíamos muitos vernissages. As pessoas entravam e diziam ‘nossa vocês são vanguarda, são lindos’, só que não compravam nada. Em dois anos, vendemos apenas duas cadeiras”, lembra Paulo. “Pode parecer dinheiro jogado fora, mas foi um investimento. Fomos à rua, demos a cara à tapa e a coisa funcionou muito bem”, reitera Carolina. “Em uma daquelas confraternizações, o pessoal da Micasa nos descobriu. Apareceu um cara por lá e perguntou: vocês já vendem essa cadeira em algum lugar? Não? Querem vender lá? E, claro, topamos”, diz. A parceria com a Micasa, loja paulistana que reúne grandes nomes da arte mundial, permanece até hoje e foi uma das portas de entrada da Fetiche Design no mercado nacional.
A ideia de uma loja própria, no entanto, foi deixada de lado. Em novo endereço e com novo foco, a Fetiche hoje produz apenas sob encomenda. Na casa de estilo português, de propriedade de um lusitano e localizada, coincidentemente, na Rua Portugal, montaram escritório, oficina e, finalmente, encontraram a liberdade e o isolamento necessário para criar.
Sem planos de sair de Curitiba, a Fetiche prepara nova coleção própria, além de estar desenvolvendo outras para marcas como Schuster, La Lampe, Tok&Stok, Holaria, e uma exclusiva para o Clube de Colecionadores de Design do MAM-SP. “São projetos totalmente diferentes, uns comerciais, outros mais artísticos, mas sempre com o conceitual bem desenvolvido. Na prática, é muito gostoso trabalhar dessa forma. Conseguimos ter uma variedade e, deste modo, nos obrigamos a pesquisar esses dois universos. Um alimenta o outro: o conceitual adaptado ao industrial, e a agilidade industrial usada a favor do conceitual”, explica Carolina. O design brasileiro ganha, assim, mais qualidade e significado.
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Se a antiga BR-116 era um eixo de segregação dos bairros de Curitiba, com a chegada da Linha Verde o cenário se modificou completamente
por Priscilla Scurupa
Revista Bascol | ed.01 | set 2012
“Do lado de cá” da rodovia - à esquerda no sentido Sul/São Paulo – Capão Raso, Fanny, Parolin, Novo Mundo, Prado Velho e Jardim Botânico; “do lado de lá”, Pinheirinho, Xaxim, Hauer, Guabirotuba. Se a antiga BR-116 era um eixo de segregação dos bairros de Curitiba, com a chegada da Linha Verde o cenário se modificou completamente. Iniciada em 2007, a obra é a maior intervenção urbana na capital paranaense desde a criação da Cidade Industrial, no início dos anos 70: são 9,4 quilômetros de extensão para unir e integrar os dois lados da cidade, permitindo o desenvolvimento da região e melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas.
Os dez bairros agora têm a Linha Verde como sua principal avenida, possuem perfis e histórias diferentes. O maior e mais antigo deles é o Pinheirinho. Seu nome veio de uma fazenda que ficava na região no início do século XIX, a Fazenda Pinheirinho, formada por enormes campos abertos cortados por pequenos arroios e com a presença esparsa de pinheiros. Antigo caminho de tropeiros, começou a se modernizar a partir dos anos 50, com a construção da BR-116 e a chegada dos primeiros loteamentos da região.
Nos anos 80, a explosão demográfica e o rico comércio da Av. Winston Churchill, que intensificou o fluxo na região, exigiam investimentos em infraestrutura. Além da criação de opções de lazer, educação e saúde, inaugurou-se ali o terminal de ônibus do Pinheirinho. Em 2009, o terminal passou a receber a primeira linha de ônibus da Linha Verde, a Pinheirinho-Carlos Gomes, que reduziu o tempo de viagem entre o Pinheirinho e o Centro de 35 para 25 minutos.
Próximo também ao Capão Raso e à Cidade Industrial, o Pinheirinho representa hoje a “nova cara” de Curitiba. Em 2013, a região deve receber um novo shopping center e, com a conclusão da Linha Verde, a tendência é que se desenvolva ainda mais. Para quem deseja investir sem riscos, é a escolha ideal para morar.
A região de Curitiba onde hoje se encontra o bairro Jardim Botânico nem sempre teve o mesmo nome, mas, de suas origens provincianas, preserva ainda a flora exótica e a imensa área verde
por Priscilla Scurupa
Revista Bascol | ed.01 | set 2012
No século XIX, o bairro era conhecido como Capanema, e suas terras pertenciam ao Barão de Capanema, cientista e amante da natureza que cultivava em sua chácara um “jardim botânico” de pomares e plantas raras.
Foi por volta de 1930 que o Barão recebeu a companhia de famílias que por ali também construíram suas chácaras. Além do trabalho na lavoura, os novos moradores se divertiam plantando pinhões por onde passavam; buscavam peixes frescos nos córregos que cortavam o bairro; e faziam passeios e piqueniques nos gigantescos morros cobertos de verde.
Em 1958, foi inaugurado no Capanema o Mercado Municipal de Curitiba, destinado à venda de hortifrutigranjeiros e outros produtos. Hoje, o mercado abriga lojas dos mais variados tipos e representa, de forma única, a vida cosmopolita de uma capital de culturas diversas, entre elas a europeia e a oriental.
Por muito tempo, a grande paixão dos moradores do bairro foi o time de futebol Ferroviário, conhecido por seus aficionados torcedores como “O Colosso do Capanema”. Anos depois, em uma fusão com o Esporte Clube Pinheiros, o time passou a ser chamado de Paraná Clube.
Nos fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970, fumaça saía a todo vapor pelas chaminés da fábrica de farinha Anaconda e, da estação ferroviária próxima, ouvia-se os apitos dos trens, avisando a todos que a modernidade se aproximava. Moradores e prefeitura inovavam ao instituir a primeira associação de bairro de Curitiba. Depois de muito trabalho comunitário, o resultado: asfalto, iluminação pública, saneamento básico e outras grandes obras, como o Viaduto do Capanema.
Porém, dentre todas as mudanças e evoluções do Capanema, a mais significativa ocorreu em 5 de outubro de 1991 e mudou para sempre seu nome. Em homenagem à urbanista Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, uma das pioneiras no trabalho de planejamento urbano da capital paranaense, é inaugurado na região o belíssimo Jardim Botânico de Curitiba. Criado à imagem dos jardins franceses, o local se tornou um dos pontos turísticos mais visitados da cidade e é sede de um centro de pesquisas sobre a flora paranaense.
No parque, um tapete de flores se estende aos visitantes logo na entrada, levando-os à estufa de estrutura metálica coberta de vidro que abriga espécies botânicas de referência nacional e uma fonte d’água. Além da natureza exuberante, o Jardim Botânico conta também com estrutura anexa que possui quadras de futebol e vôlei de areia, um velódromo e três quadras de tênis.
O Barão de Capanema se estivesse vivo, certamente se surpreenderia com o crescimento de seu jardim. Hoje próximo ao campus da Universidade Federal do Paraná e dos bairros Cristo Rei, Cajuru, Jardim das Américas, Prado Velho, Rebouças e Centro, o Jardim Botânico é, sem dúvidas, umas das melhores regiões de Curitiba para se viver.
As matrículas estão abertas e chegou a hora de decidir onde seu filho vai estudar no ano que vem
por Priscilla Scurupa
Revista Escada | ed.08 | out/dez 2011
Não importa a fase em que a criança ou o jovem se encontra - seja ela a educação infantil ou a fundamental -, o processo de escolha da escola é motivo de preocupação e um grande dilema que todos os pais vivem. As alternativas são muitas e a receita pronta não existe. Entretanto, algumas dicas podem ajudar na decisão.
Inicialmente, é preciso entender a proposta pedagógica de cada escola. A diretora de educação básica do colégio OPET, Edna Percegona, explica que “a proposta precisa estar para além do papel. Deve ser possível perceber os princípios pedagógicos e as diretrizes que orientam a escola desde a primeira visita”. E a porta de entrada para essa visita, segundo a assistente pedagógica do SINEPE/PR, Fátima Chueire, é a secretaria. “O primeiro contato da família com a escola é ali. Pais e mães devem observar a organização desse espaço administrativo e solicitar os Atos Legais que habilitam o funcionamento da instituição.” Converse também com a coordenação e a direção. Dessa forma você pode avaliar a receptividade e o atendimento, fatores essenciais para um diálogo que deverá ser mantido enquanto a criança permanecer na escola.
Conheça os professores, responsáveis por aplicar toda a teoria da proposta pedagógica. Mais do saber lidar com crianças, estes devem ter formação, preparação e consciência de seus papéis como educadores. “Escolas que se preocupam com a formação e capacitação permanente de suas equipes, conquistam, para além de profissionais capazes, equipes motivadas e comprometidas”, afirma Edna. Observe o método de ensino, a atenção do profissional com os alunos e a relação entre eles. Questione sobre situações hipotéticas, como por exemplo, problemas de disciplina que possam ocorrer em uma sala de aula. A resposta ajuda a entender a forma com que a escola lida com regras, limites, direitos e deveres.
Entre uma conversa e outra, repare na higiene, na limpeza e na segurança da escola. Certifique-se de que ela oferece ambientes que permitam atividades que envolvam desde o aprendizado, até o lazer e o descanso. “Os espaços devem ser cuidadosamente pensados para promover a interação da criança, permitindo que ela viva experiências concretas, que conviva como ambiente e com os colegas adquirindo novas aprendizagens”, ressalta Edna.
Informe-se sobre o método de avaliação do rendimento das crianças. É interessante que a escola e os pais estejam sempre atentos e dialogando quanto às facilidades, dificuldades e evoluções no processo de aprendizagem dos pequenos. Tal processo envolve tanto o desenvolvimento cognitivo, quanto a sociabilidade e a maneira que a criança lida com emoções e sentimentos. Essa comunicação pode ser diária, por meio de agendas e bilhetes que relatem as atividades ocorridas no dia-a-dia ou através de relatórios mensais, bimestrais e reuniões.
Depois de obter todas essas informações, é bem provável que você já tenha listadas algumas escolas de sua preferência. Para tomar a decisão final, leve em conta a maneira com que você deseja que seu filho se desenvolva. “Nesse momento é importante que os pais tenham seus valores familiares em mente e avaliem se todas as propostas se encaixam neles”, afirma Edna. Dessa forma, a resposta deve surgir naturalmente.
Mudança à vista
Para muitos pais, chegou a época de procurar uma nova escola para seus filhos. A necessidade da troca normalmente se deve à passagem de uma fase escolar para outra ou a mudança de cidade. Para que o processo de adaptação flua bem, são precisos alguns cuidados.
Toda troca escolar, seja ela para uma criança ou jovem, envolve o contato com novos métodos, professores e colegas de classe. Os pais devem procurar escolas que tenham a ver com a personalidade de seus filhos. A diretora de educação básica do colégio OPET, Edna Percegona, diz que “no momento de conhecer a escola é importante que a criança participe, opine e questione. Esse é o momento através do qual os pais poderão perceber quais expectativas e impressões são demonstradas e valorizadas, e assim, pais e filhos, dialogicamente poderão optar com maior segurança”. Segundo Fátima Chueire, assistente pedagógica do SINEPE/PR, “muitas vezes a criança vai deixar uma escola pequena para frequentar uma maior e, além disso, se separa de seus amiguinhos e professora querida. Ela precisa se identificar com essa nova escolha”.
Depois de tomada a decisão, a nova escola e os pais devem se comunicar constantemente para facilitar o processo de adequação. Através da troca de informações sobre o cotidiano da criança ou jovem, é possível observar como estes estão reagindo à nova fase. “Hoje com tantas atribuições delegadas para a instituição chamada escola, as famílias têm que ter consciência de seu papel participativo. O papel do pai e da mãe nessa escolha e o envolvimento de ambos será determinante para o sucesso e felicidade da criança ou do adolescente nessa nova etapa de vida”, afirma Fátima.
Desenvolvimento de habilidades como determinação, responsabilidade e colaboração passam a integrar o currículo escolar
por Priscilla Scurupa
Revista Escada | ed.18 | abr/mai 2014
Em março de 2014, ocorreu em São Paulo o Fórum Internacional de Políticas Públicas, que teve como tema “Educar para as competências do Século 21”. O evento, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Instituto Ayrton Senna (IAS), reuniu líderes educacionais de todo o mundo para discutir como preparar as crianças e jovens para os desafios socioeconômicos do século 21.
Em pauta, no entanto, não estavam itens como o aprimoramento da inteligência ou melhoras no desempenho racional e lógico dos alunos. O foco principal dos debates foram as competências socioemocionais, conceito que vem ganhando força no âmbito educacional e tem como preocupação o desenvolvimento de habilidades que contribuam não só com o processo de aprendizagem formal, mas também com a experiência de vida e emocional de crianças e adolescentes.
Segundo os organizadores do evento, capacidades como autoconhecimento, empatia, tolerância, responsabilidade, gerenciamento de conflitos, cooperação, autoestima e organização devem ser cada vez melhor desenvolvidas no âmbito familiar e imediatamente inseridas no currículo formal instituições de ensino. Isso porque têm igual ou maior importância do que as chamadas habilidades cognitivas (capacidade mental para adquirir conhecimento, organizar, refletir e interpretar) no aprendizado e no sucesso das pessoas.
“Quando supervalorizamos o QI [quociente de inteligência] e relegamos o QE [quociente emocional], geramos indivíduos frustrados, egocêntricos, que têm notas e desempenho escolar ótimo, porém poucas habilidades humanas para lidar com os próprios sentimentos e interagir com os outros”, afirma a especialista em Psicologia Clínica e Educacional e professora da Universidade Positivo, Vera Regina Miranda.
Para o diretor acadêmico do Colégio Medianeira, Adalberto Fávero, a grande problemática de algumas propostas pedagógicas está na tentativa de separar o conhecimento, fragmentando a educação e dividindo as pessoas em elementos ou dimensões isoladas.
“Não basta formar monstros de conhecimento, mas insensíveis ao outro e à sua dignidade, porém também não basta formar sujeitos bonzinhos e sensíveis, porém incompetentes”, ressalta. Trata-se, portanto, de trabalhar a razão e o emocional em conjunto.
O papel dos educadores
A necessidade de oferecer uma formação capaz de fomentar competências cognitivas e não cognitivas simultaneamente, exige também profissionais preparados para desenvolver ações educativas nesse sentido.
De acordo com Vera, um educador de excelência é aquele que, além de dominar os conteúdos de sua disciplina, demonstra habilidades interacionais, como assertividade, paciência, respeito e boa comunicação. “Ele não é mais um detentor do saber, e sim um mediador do processo de ensino que abre espaço para o diálogo, incentiva o exercício de valores e da cidadania. Por isso é preciso investir tanto na formação dos alunos, como na sensibilização dos professores”, diz.
Fávero lembra ainda que todo educador é também um ser humano incompleto em sua dimensão racional e emocional. Sendo assim, vive igualmente situações complexas em seu contexto de trabalho e familiar e, possivelmente, terá dificuldades em ultrapassar alguns desafios impostos pela relação com o outro, na mediação de conflitos ou no reconhecimento das emoções que motivam os comportamentos dos membros de um grupo.
“A instituição, além das universidades, precisa oferecer espaço, tempo e possibilidade para que ele faça a tessitura de sua ação profissional e formativa na totalidade: nem somente racional e nem apenas emocional. Não se trata de ou isso ou aquilo, pois essa é a lógica racional clássica que separa. Trata-se de isso com aquilo, mais aquilo... Trata-se de religar os saberes, as sensibilidades, as dimensões das pessoas e a inter-relação entre as pessoas”, explica.
O papel da família
Segundo estudo divulgado recentemente pelo IAS e pela OCDE, o ambiente familiar é fator central no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Crianças que têm mais acesso à literatura em casa, por exemplo, conseguem controlar melhor seus impulsos, tornam-se mais persistentes e avançam 20% a mais na escola que os demais estudantes. Já o simples incentivo ao estudo tem duas vezes mais influência do que a renda salarial para aspectos como conscienciosidade (perseverança e disciplina), lócus de controle (protagonismo, iniciativa) e abertura a novas experiências (curiosidade, imaginação, não ter medo de errar).
A pesquisa cruzou resultados da prova do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj), que mede o desempenho em matemática e português, com dados obtidos através de um relatório aplicado a cerca de 25.000 alunos, que traçou um perfil socioemocional dos estudantes.
“Os aspectos socioemocionais começam a se desenvolver já infância e acompanham o indivíduo por toda a vida. Por isso, as instituições de ensino precisam também abrir espaço para uma maior aproximação e incentivar a participação familiar no desenvolvimento do caráter desses estudantes”, afirma Vera.
Fávaro complementa que, para que mundo mais justo, solidário e de reciprocidade seja possível, faz-se necessária uma ação conjunta/coletiva e um modo de proceder tecido coletivamente.
“O Medianeira tem equipes para todas as fases de Ensino, as quais trabalham com o cuidado e atendimento individual de pais e alunos, por um lado, e, por outro, propõe um projeto formativo com eixo de ação e reflexão para alunos, professores e pais, através dos quais busca um discurso coletivo como referência que sirva de contexto formativo para todos”, exemplifica.