(Des)Harmonia: Elevador
Elevador apertado de mais um dia. Café derrubado na camisa. Na hora queimou, mas agora nem tanto. Na pressa, não deu tempo vestir outra, ficou com aquela, ficou inquieto, incomodado, com medo do chefe reparar. Ouviu várias pessoas dizendo bom-dia, mas não respondeu. Estava exasperado, apressado, meio irritado, intimidado. Queria sair dali. De repente, quando as pessoas vão saindo, ele vê que a moça do sorriso bonito de ontem estava ali também. E diz bom-dia pra ela.
Elevador apertado do segundo dia. Pasta de dente que manchou a camisa. Ainda tentou tirar com água, mas já estava se atrasando. Na hora, ficou incomodada, mas agora nem tanto. Na pressa, não deu tempo vestir outra, ficou com aquela, meio apreensiva, com medo do chefe reparar. Ela nunca gostara de chefes, porque eles sempre reparavam quando ela manchava a roupa com alguma coisa. Só não disse bom-dia para todo mundo ali dentro porque estava distraÃda. Queria sair dali, ir pra casa e dormir por uns três dias seguidos, mas compromisso é compromisso. De repente, com o elevador se esvaziando, ela enxerga o moço bonito com cara de estresse de ontem. Ele diz bom-dia pra ela. E ela sorri de volta.













