Luna olhava fixamente para seu celular. Ela rezava com todas as forças para que o mesmo tocasse do i wanna know, que diga-se de passagem era sua música com ele. Perseu, seu antigo namorado, havia voltado para a cidade depois de anos fora e, por brincadeira do destino, se mudado para a casa ao lado da de seus pais, onde ia todo o final de semana.
Conversaram bastante quando se reencontraram e descobriram várias coisas novas. Perseu mudou bastante com o decorrer dos anos que ficaram separados. Agora ele tinha o hábito um tanto peculiar segundo Luna de cumprimentar todos com “hei”, algo normal na Noruega. Luna ficou feliz ao ver suas mudanças físicas e mentais, ela via que aquele garoto incrível que ela conheceu e se apaixonou ainda estava ali, só que mais evoluído. Algo nela lhe dizia que uma nova paixão estava por vir, que aqueles maravilhosos dias de adolescência estavam prontos para dar as caras novamente.
Eles haviam trocado telefones. Ele havia prometido ligar novamente. Ela esperava sua promessa ser cumprida há dois dias.
Todos os dias quando chegava do trabalho ficava encarando o celular. Queria muito receber uma chamada dele, ouvir sua voz tranquila lhe dando oi. Ela precisava conversar com ele como nos seus 16 anos, quando ele ligava tarde da noite apenas para dizer que pensou nela e que estava com saudade. Ele tinha uma frase feita que ela adorava ouvir: “Você tem certeza que não é tarde para ligar?”, ela realmente adorava ver que ele se importava.
Algo nela dizia que estava mais do que na hora de deixar isso de lado, que ele não iria ligar mas ao mesmo tempo algo lhe dizia ao contrário, que ele iria ligar.Era essa coisa que fazia ela ficar esperando sua ligação todos os dias.
Já no outro lado da cidade um dilema tirava a paz de um homem. Ligar ou não ligar, eis a questão.
Perseu havia voltado para seu tão amado país natal há pouco mais de três semanas mas há dois dias que tudo pareceu ficar melhor. Foi quando ele viu sua velha paixão, Luna. Ele pensou nela cada segundo nos últimos anos, em como seria bom rever seus olhos negros.
Quando ele viu sua amada novamente seu coração bateu mais forte. Eles conversaram durante horas e o que era mais temido por ele aconteceu: ela havia mudado muito com o tempo. Não que isso seja ruim, mudanças sempre são boas mas ele temia que ela tivesse esquecido sua velha paixão, a paixão que ele sempre nutriu nesses anos.
Perseu olhava seu celular fixamente. Como ele queria ligar para sua amada mas era muito tarde. Isso há alguns anos não era nada, porém ele não sabia se ela ainda acharia romântica sua atitude. Ele queria ligar e dizer que estava pensando nela e saber se ela fazia o mesmo. Ele queria dizer que estava morrendo de saudades dela, mas tinha medo que a resposta não fosse a esperada. Como citei antes ele tinha medo que ela tivesse aprendido a esquecer sua velha paixão.
Ele suspirou pesadamente se jogando no sofá, ele estava se matando por dentro. Ele queria por um momento ser menos medroso e mais confiante, ele queria muito ser como Luna.
Uma frase veio a sua mente, uma frase que ela sempre lhe dizia: “Nunca é muito tarde pra ligar.”, esse foi o gatilho para que ele engolisse seus medos.
Luna havia desistido, ele não iria mais ligar. Já era mais de uma da a manhã e nada, nem uma mensagem dele sequer. Ela devia admitir, ele não era mais o mesmo, ele não ia ligar.
Quando estava a ponto de se levantar e ir para seu quarto algo inesperado aconteceu: seu celular começou a tocar.
-Alô? - Perguntou, com o coração na mão. Queria mais do que tudo que fosse ele.
-Hei Luna. - Disse a voz do outro lado da linha. - Você tem certeza que não é muito tarde para ligar não é? - Questionou por fim Perseu, no outro lado da linha.