O amor é cego?
12.07.2019
O amor é realmente cego? Algumas vezes pela imprecisão ao notar recentemente indícios em meu atual relacionamento de que não é bem assim. O primeiro encontro com o momento adicional de apenas um beijo foi repleto de pequenas significantes lembranças de estarmos nos conhecendo melhor com prosas intrigantes sobre questões das quais, hoje em dia, não interferem em nós como um todo. Há um ditado popular que diz “a pressa é inimiga da perfeição”, mas chegar na perfeição também não me parece lá tão possível. É essa a pressa que temos ao chegar no primeiro encontro com alguém, a mesma que nos faz estragar tudo ali mesmo, na primeira chance. Pode ser eficaz a espera de um primeiro paço, como também provar quão lento você é. Caso dê certo, a descoberta só vem depois com mais intimidade para se abrir e colocar na mesa as lembranças desse primeiro encontro. No meu caso pensei em deixar as coisas fluírem com mais calma e não me arrependo de nada, mesmo que isso só me tenha dado como recompensa um beijo, precisamente, aquele que mudou tudo para mim. Foi um beijo precioso, para ser bem delicada e dizer quão espetacular foi. Conversamos nos próximos dias, mas a continuação daquilo que pensei ter sido algo valoroso veio apenas para mim. Ela não estava a fim de algo sério, e acredito eu que muito menos me tirar do lugar onde eu estava. Me deparava apaixonada por alguém que não sabia nem a minha idade, enquanto que eu sabia absolutamente tudo que podia manter em memória no período de quase dois anos. E esse primeiro encontro me deu luz, exatamente aquela no fim do túnel. Confesso que conhecer alguém depois de um tempo no escuro e, essa pessoa ser incrível logo de início me fez imaginar que estava vivendo em um desses filmes de comédia romântica da qual encontro a garota perfeita que me faz ser eu mesma e me faz rir. Depois de uns dias chamando para um segundo encontro ou qualquer coisa que seja, descobri que não era isso mesmo. Meses se passaram, a chamei para ir ao cinema e ela se mostrou interessada e ficou de me chamar, mas nunca chamou. A partir daí decidi não mais me importar, juntamente dessa negação sofrendo com a minha outra situação; até que o destino resolveu interferir. Ela me chamou para ir a um evento com regalias ostentosas e tudo mais por um preço banal. Eram quatro dias de evento, e logo no primeiro disse a ela que faria algo peculiar a ela se acertasse o tiro no menor buraco naquele brinquedo já que ninguém estava acertando e, o prêmio viria apenas acertando-o. Como cada um tinha três chances, milagrosamente acertei na segunda e o espanto dela é algo que me faz sorrir toda vez que lembro. Rimos alto, o nervosismo misturado, e todos na fila e também o rapaz cuidando do brinquedo ficaram sem entender o nosso motivo de riso, já que havia vencido e deveria estar apenas me vangloriando. Essa é uma recordação que contém muito carinho nela. Nos curtimos o quanto pudemos nos dias que nos foi dado, no tempo que tivemos. Desde então a minha vontade era de conhecê-la ainda mais e tudo indicava que ela também queria. Alguns erros de interpretação ocorreram nos impedindo de nos vermos novamente e isso durou o resto do mês todo. O ano virou, decidi deixar o que não me fazia bem no passado, e ela quem me fazia bem, estaria comigo para mais uma aventura na praia, a última, pelos meus votos de começar um ano sem sofrer por alguém de forma alguma. Descemos a serra rumo à loucura do litoral e dos planos que tínhamos de curtir ao máximo essas férias. Foi quase uma semana nos conhecendo à flor da pele, a introduzindo em meu mundo com meus amigos, mostrando meus gostos, gestos, preferências, manias e salientando tudo aquilo que ainda não havíamos vivenciado. Me restringi a não aprofundar com sentimentos pois ela repetia incansáveis vezes que não queria algo sério há tanto tempo com ninguém por falta de ligação amorosa, sendo assim segui os dias como se ela fosse apenas uma amiga num momento errado das nossas vidas, mas que parecia incrivelmente leve e longe da tensão que era quando estávamos em dias habituais. Mesmo consciente e distante de deixar aflorar qualquer afeto que fosse não conseguia me opor de que tudo com ela era imensamente inigualável. A junção de dois elementos danificados que não haviam se dado conta ainda de que a narrativa estava para ser escrita. A soma das ocasiões entre nós foi inocente e desprovida de conhecimento geral de que iria nos afortunar no futuro, por isso afirmo que o amor pode até ser cego, mas não nos cega a ponto de não enxergar uma verdade, o amor em si, clareia ainda mais e não impossibilita.
- A











