Dandalunda & Ayra â O reencontro das almas antigasâ€ïž
Foi no Cariri que o destino abriu um portal.
Dandalunda , filha das ĂĄguas doces de Oxum, e Ayra, filho do trovĂŁo de XangĂŽ, se viram pela primeira vez e tudo parou. NĂŁo houve dĂșvida, nĂŁo houve tempo para o pensamento: foi amor Ă primeira vista, daqueles que a alma reconhece antes que o corpo compreenda.
Naquele instante, os OrixĂĄs sorriram Oxum e XangĂŽ, casal de luz e fogo, refletidos neles.
Desde o primeiro olhar, algo os uniu em silĂȘncio.
Mas foi no beijo na testa, no toque de respeito e ternura, que dandalunda entendeu: aquele abraço era o lar que ela procurava hå vidas.
A presença dele trazia paz, força e proteção.
A dela trazia doçura, fé e cura.
E juntos, eles lembraram que o amor verdadeiro não começa ele apenas retorna.
O tempo, porém, quis provar essa ligação.
Vieram os desencontros, o silĂȘncio, a saudade que doĂa como tambor de terreiro chamando para o reencontro. Dandalunda tentou vĂȘ-lo, tentou encerrar o ciclo mas Ayra, mesmo distante, nĂŁo deixou as portas se fecharem.
Ele nĂŁo quis vĂȘ-la, mas tambĂ©m nĂŁo quis bloqueĂĄ-la, como se dissesse ao Universo:
E com um simples âFica bem, galega đâ, deixou nela uma lembrança viva, suave e dolorida o AxĂ© de um amor que atravessa o tempo.
Hoje, mesmo longe,Dandalunda sente que o fio entre eles continua aceso.
Ayra segue presente nos sinais, nas horas iguais, nas batidas do coração que reconhece o outro mesmo sem palavras.
Porque o amor deles Ă© mais que humano Ă© espiritual, ancestral e eterno.
Talvez o destino ainda os una novamente, talvez esse amor exista apenas para lembrar que o verdadeiro encontro é com o próprio coração.
desde aquele dia no Cariri, nenhum dos dois voltou a ser o mesmo.
đđ„dandalunda e Ayra a lua e o trovĂŁo que se amaram sob a bĂȘnção dos OrixĂĄs.