comer a esta hora da manhã eh muito fim de carreira ne
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E foi assim que eu destruí todas as janelas do Instituto, não é uma história tão legal assim para uma cicatriz.
Eu e meu abismo por meninas que tem sorriso fácil e cintura fina.
Hoje escrevi e reescrevi um e-mail destinado a você contando do efeito que você tem causado na minha vida. Queria contar que você mexe comigo e que eu não imagino um futuro no qual você não esteja incluído. Que minhas pernas tremem e as palavras falham se você está por perto. Que você é único e seu sorriso me desconserta. Tentei ligar, mas chorei antes que você tivesse a chance de pegar o telefone e perguntar com quem falava do outro lado da linha. E me desesperei porque tive - e tenho- medo. "Vai com calma", eles me dizem. Eu tento. Apago o e-mail e desligo o telefone. Eu não disse dessa vez. Eu nunca digo.
Queria dizer que te quero, Excee-d.
gente que diz que sabe os quatro porquês
mas que nunca sabe usar um quê no lugar do que.

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A Crise ou O Soneto da maturidade feminina é apenas um nome de um chá ruim
Crise. Vem do grego krísis. Dentre algumas definições médicas que eu espero que não venham ao caso, o dicionário nos dá as seguintes explicações: momento crítico ou decisivo; situação aflitiva; conjuntura perigosa, situação anormal; momento grave, decisivo. Pois bem, eu estou em crise. E como toda crise, ela não surgiu do nada. A crise geralmente começa disfarçada de qualquer outra coisa, sempre muito trivial. Uma preguiça de levantar, uma dorzinha de cabeça que nunca passa, um desânimo recorrente. Dali a pouco, nasce um nó na garganta, que não pára de crescer. E tudo que costumava te motivar, agora te causa profundo desdém. E só tende a piorar, até que o nó na garganta se torna tão imenso que você começa a sufocar lentamente. Então você sabe que está em crise. Não sei se chega a ser uma crise dos trinta, visto que tenho honrosos vinte e sete. Mas como tudo hoje em dia acontece mais cedo - culpa do aquecimento global, claro -, talvez seja uma crise associada ao que ter trinta anos representa. Sempre achei que essa passagem mítica se daria quando eu conquistasse minha independência financeira, mas não foi. Depois acreditei que ela pudesse acontecer quando eu tivesse minha casa. Também não. A minha vida inteira, eu sempre tive certeza do que queria. O que é bom, porque sempre fui muito focada. Mas também se tornou um fardo, porque fui sempre tão focada que qualquer variação do plano original se transformava em algo impossível de lidar. Agora estou tão perto de ter tudo o que sempre quis, que quase consigo sentir o cheiro da epifania que vai acontecer muito, mas muito em breve. Porque depois de todo esse tempo travando batalhas para me tornar quem eu queria tanto ser, chego à conclusão chocante de que a carapuça já não me serve mais. Pela primeira vez em todos esses anos, eu não faço ideia da pessoa que quero ser ou daquilo que quero fazer. E a sensação não poderia ser mais libertadora. Só então eu pude entender no que realmente consiste essa passagem para a fase adulta. Claro que tem muito a ver com assumir responsabilidades e compreender que, em última instância, você deve contar apenas consigo mesmo. Mas também tem a ver com perder o medo de errar. Até porque, quando você assume as responsabilidades pelas suas escolhas, como um adulto deve fazer, o ônus é todo seu. Então, se der errado... bom, dane-se. Estou em crise. Minha vida está toda bagunçada. Minha cabeça está uma zona. Mas, de alguma forma, sinto que a faxina que está por vir será a mais revigorante de todas. Principalmente porque ela não será definitiva. Quando a gente arruma demais, não sobra espaço para o inesperado surgir. E eu estou oficialmente deixando de programar tudo. Eu quero me deixar ser surpreendida e, quem sabe, com sorte, surpreender a mim mesma. E quando me perguntarem quais são os planos para o futuro, eu vou responder qualquer coisa, mas estarei pensando o que jamais imaginei pensar. Eu realmente só quero ser feliz. Enquanto isso, bebo um chá que eu comprei numa loja de produtos naturais, de nome poético, mas de gosto estranho.