Dawn of Tomorrow - parte 1
Eu gostaria de saber como tudo isso começou, como o mundo foi acabar bem aos meus pés, como todos ficaram loucos sem motivo nenhum, como o mundo realmente morreu a ponto de lutarmos por um pedaço de pão mofado, eu realmente queria saber.
Se bem que, o motivo é bem claro.
Tudo começou num dia comum, todos estávamos felizes como se fosse apenas mais um dia normal, em apenas três horas e o mundo já havia entrado em colapso, pessoas se matando simplesmente por um acontecimento que poderia ser consertado com um tempo, mas não, a índole humana prefere destruição do que calma.
Um resumo básico do que aconteceu: Uma super erupção solar atingiu a terra, todos os equipamentos elétricos literalmente queimaram, todos os governos pediram calma total no assunto mas, muitos aproveitando a oportunidade começaram a entrar em motim, o que ocasionou o caos total, em apenas 3 semanas a população da terra já havia diminuído em 80% com os desastres atômicos ocasionados pela falta de energia e as mortes ocasionadas pela própria população, agora os sobreviventes tentam continuar a vida com cidades dominadas por ditadores ou arriscando-se sozinhos correndo risco de morrer.
Bom, eu estou no meio de todos que tentam sobreviver sozinhos, bem, eu estava com meus amigos, mas não significava o porque de a gente pensar em sobreviver...
Eu sou apenas uma idiota...
-VAMOS KURI NÃO TEMOS COMO FICAR PARADOS! - Uma voz berrava enquanto eu tentava acordar, só conseguia ouvir um barulho estranho que eu jurava que era um caminhão.
-Kuri levanta AGORA! - Outra voz berrava enquanto eu tentava enxugar meus olhos.
-Ok! Ok! Já to levantando - eu falava sonolenta enquanto tentava pegar meu moletom.
Essa vida já estava sendo comum, qualquer barulho a gente se levantava correndo, se eu tivesse sozinha já tinha certeza que estaria morta, Takuto sempre me ajudou em tudo, mas ele sabe que eu sou ingênua demais, que eu acredito que a uma esperança que o mundo talvez volte ao que era antes, eu ainda acredito nisso, mas como eu já vi o que as pessoas se tornaram, bem, minhas esperanças já estavam se esgotando.
-Droga alguém levante o Diipu - Cerberus falava enquanto arrumava as bandagens em seu olho esquerdo. - Temos que sair daqui o mais rápido possível, se for algum ladrão a gente vai ter que matá-lo.
-Cerberus pare de pensar só em matar os outros, ele pode estar passando necessidades e... - Nulla tentava falar quando foi interrompida por Cerberus.
-Claro Nulla, não conseguimos nos alimentar direito, estamos passando grandes necessidades em tudo, as águas podem estar contaminadas e com certeza iríamos ajudar um estranho simplesmente porque ele também tem necessidades.
-Cerberus, pare de ser egoísta, temos que ajudar os outros - Aline tentava convencer Cerberus a ajudar os outros mas foi ignorada enquanto ele resmungava e saia do container.
-Aline... - Yohji falava calmamente - Você sabe como ele é, você sabe também que não temos condições pra agüentar mais ninguém aqui, nos realmente não nos alimentamos direito e os únicos que tem coragem de matar um animal para nos alimentarmos são ele, o Lupus e eu, mesmo que não gosto de matar outros animais.
-Eu sei Yohji mas... - Aline suspirava - Ele mudou completamente desde que tudo aconteceu.
- Todos mudamos - Chipper falou com tom de choro enquanto pegava a pequena mochila de mantimentos.
Chipper tinha razão, todos mudamos completamente, Cerberus odiava matar outros bichos e preferia ficar deitado o dia inteiro do que andar, mas agora ele preferia ficar correndo e não se importava de matar qualquer tipo de pessoa ou largar alguém por atrapalhar o grupo.
As vezes eu preferia o Cerberus antigo, o que se importava com os amigos, o que se sacrificaria por eles, e não o Cerberus "nos temos que sobreviver" que hoje em dia estava com a gente.
-Vocês preferem ficar ai e morrer ou sobreviver, se querem ENTÃO VAMOS! - Cerberus berrava do lado de fora, eu não sabia o que ele estava fazendo berrando e chamando a atenção, ele mesmo nunca falava em um tom alto pra não chamar a atenção.
-Isso, obedeçam ao Assassino - Chipper resmungou enquanto passava reto por Cerberus.
Eu entendia o que Chipper sentia, inicialmente o grupo era grande, perdemos vários membros por causa de ladrões, mortes naturais e... abandono.
Abandono, se Wiruto tivesse pensado certo e Cerberus pensasse nas pessoas ele ainda estaria com a gente, e não... morto.
Meu ódio por Cerberus ardia, ele agiu pensando somente em sobreviver, ele nem pensou em que o Wiruto só havia quebrado a perna, que ele ainda podia andar, se fosse pelo grupo ele já estaria morto mas Aline o protegia, bom, eu não teria coragem de matar o Cerberus mas... Eu não sei... minha cabeça estava toda bagunçada e bem...
Porque tudo tinha que acontecer comigo ultimamente?
-Kuri, você esta bem? - Vibe falava enquanto me abraçava - Olha não se preocupe, se alguém vier em você eu arranco a cabeça dele ok?
-É bem possível do jeito que você é louca...
-Ha ha! Eu tenho um machado e não tenho medo de usá-lo
-As madames já terminaram a brincadeira? Se sim podemos ir? - Itsuki nos empurrava enquanto tirava o saco de dormir que ele havia encontrado antes.
Kuri, bem esse não é meu nome verdadeiro, na verdade a única pessoa que prefere lembrar o nome verdadeiro é a Aline, o resto quer se esquecer de tudo, todos nós já nos conhecíamos antes, amigos da internet, escola, de infância, sempre ficamos unidos em tudo, quando tudo isso aconteceu nós nos procuramos para sobreviver, inicialmente iríamos todos tentar viver normalmente e até pensamos em ir morar em uma das cidades criadas por sobreviventes, se não tivéssemos encontrado o Cerberus, nós provavelmente estaríamos agora mortos ou pior... Eu entendia a preocupação dele, ele sempre foi o nerd que jogava jogos apocalípticos e tudo, ele já sabia praticamente o que fazer, sinceramente eu me assustei quando ele nos falou sobre como os "prefeitos" dessas cidades viviam, achava que era paranóia dele quando eu vi realmente o que acontecia, as mulheres eram escravas dele, as pessoas tinham que dar mantimentos e tudo para "ajudarem" a cidade...
Eu tentava entender a lógica dele, mas, cada vez ficava mais difícil graças as decisões tomadas, por mim eu nunca mataria ninguém, nunca iria ferir ninguém ou entrar em lugares procurando desesperadamente por comida.
Se eu continuar assim, irei morrer rápido, como os outros.