Asiento de la suerte â Esteban Kukuriczka IV
AVISO: penĂșltimo capĂtulo lobinhas đ„ș
Laura apertava seus dedos enquanto suas mãos estavam dentro se seus bolsos traseiros. Ela encarava seu allstar sujos enquanto Laura havia ido ao banheiro. Apenas alguns retoques na maquiagem. O quarteto e Rodrigo ainda estavam rindo, até que um deles virou o rosto parar encarar a mesa e as garotas. ElÎ, por instinto, abaixou a cabeça, mirando os pés novamente, como se procurassem algo neles, entre os cadarços e rabiscos na lateral.
Desejou que Laura voltasse o mais rĂĄpido possĂvel, nĂŁo conseguiria manter uma conversa com eles sem que a amiga estivesse para amenizar o clima. O loiro alto de minutos atrĂĄs tocou o ombro de ElĂŽ a fazendo dar um pequeno pulo de susto. Ela nĂŁo imaginava que ele fosse mesmo vir atrĂĄs dela. Ele vestia uma camiseta social verde ĂĄgua, e calças pretas. Era muito mais alto que ElĂŽ, mas parecia inofensivo e delicado.
â Estamos listos para irnos â Ele disse sorrindo. No mesmo instante, ele notou a expressĂŁo confusa de Eloisa.
â Hm, desculpe, nĂŁo falo espanhol, talvez Laura ... â Ela apontava com esperanças para a porta do banheiro.
â Eu disse que estamos pronto para irnos â Ele respondeu calmamente. â Desculpe, tambĂ©m nĂŁo falo um bom portuguĂȘs. â Ele sorriu. ElĂŽ notou o quĂŁo lindo ele era. Tinha belos olhos azuis, daqueles que te faziam ficar envergonhada. Mas ElĂŽ nĂŁo sentiu vergonha. Pelo contrĂĄrio, era um olhar que transmitia coisas boas.
â NĂŁo tem problema, estamos indo â Ela olhou novamente para o banheiro e finalmente, lĂĄ estava Laura saindo com um batom vermelho nos lĂĄbios carnudos. Ela havia retocado o rimel e estava mais cheirosa do que antes. â Ah, atĂ© quem fim! Estamos saindo.
â NĂŁo sem mim, Elozinha! â Ela pareceu notar o homem ao lado da morena. â E vocĂȘ, quem Ă©? â Laura nĂŁo tinha um pingo de vergonha. Isso impressionava ElĂŽ.
â Pode me chamar de Fran â Ele estendeu a mĂŁo e Laura nĂŁo tardou a agarrar.
â Pode me chamar de Laura, queridinho â Ela piscou. Fran sorriu. â E essa aqui Ă© Eloisa âA loira deu um tapinha nas costas da amiga. â, ela Ă© tĂmida, mas Ă© gente boa.
â Podemos ir? â ElĂŽ sugeriu e Fran prontamente fez menção para que as garotas o seguisse. E elas fizeram. Laura saltitante e ansiosa. ElĂŽ, com as mĂŁos suando e o coração apertando.
Porque diabos ela foi aceitar o convite de Estaban se estava quase tenho um desmaio?
â Rodrigo e meninos... â Laura cantarolou assim que chegaram atĂ© eles.
â Laurita â Rodrigo ajeitou a jaqueta de couro antes de abraçar Laura. ElĂŽ quase revirou os olhos. â espero que tenha aceitado meu convite, corazon...
â Eu quase recusei na verdade â Laura começou. Fran sorriu de seu jeito e os outros trĂȘs assistiam quietos.
â Por que? â Rodrigo nĂŁo estava acostumado a escutar nĂŁo ou quase de mulheres.
â Porque eu nĂŁo queria que minha amiga ElĂŽ fosse embora sozinha â Eloisa quase gritou com Laura. Aquela conversa de novo nĂŁo....
â Bom, ela pode ir com a gente, nĂŁo Ă©? â Rodrigo foi rĂĄpido em responder. â O hotel aonde os meninos estĂŁo Ă© grande o suficiente pra mais uma, nĂŁo Ă©, Encito? â Ele virou para um branquelo que apenas encarava o diĂĄlogo.
â Ah, sim, claro que sĂ â Ele respondeu depois de alguns segundos. ElĂŽ se sentiu bem vinda, mas a resposta ainda era nĂŁo. Ela viu de relance Esteban sorrir como se admirasse ela ser pauta do assunto.
â Dale! Vamos â Rodrigo bateu palmas.
â SĂł que nĂŁo â Laura respondeu rĂĄpido. â ElĂŽ ainda vai pra casa, foi um longo dia de trabalho, nĂŁo? â Ela olhou para a morena que apenas assentiu.
â Sozinha? Esse nĂŁo era seu empecilho? â Ele demorou para dizer a Ășltima palavra.
â Ela nĂŁo vai sozinha, meu bem â A voz de Laura ganhou um tom atrevido. ElĂŽ mordeu a lĂngua para nĂŁo xinga-la.
â Eu vou deixar ela em casa â Esteban se pronunciou pela primeira vez. Ele atraiu o olhar de todos mesmo mantendo os seus apenas em Eloisa. A morena se constrangeu e quebrou o contato visual.
â Vai? â Um de seus amigos, que tambĂ©m nĂŁo havia dito uma palavra se quer, perguntou dessa vez.
â Sim, Agus, se nĂŁo se importam, claro â Ele levantou as mĂŁos e todos negaram de imediato.
â Ăbvio que nĂŁo â Laura disse encarando Rodrigo. â Vamos entĂŁo? nĂłs despedimos no caminho. â ElĂŽ assentiu.
Os quatro amigos saĂram na frente, Fran e AgustĂn riam freneticamente enquanto cutucavam Esteban. ElĂŽ perguntou a si mesma se eles eram iguais Laura. Enzo apenas observava os meninos, ele parecia mais sĂ©rio, porĂ©m ainda tinha um sorriso descontraĂdo no rosto. Eloisa sentiu paz e calma enquanto eles caminhavam brincando. Ela soube que Laura estava em boas mĂŁos. Mesmo Rodrigo sendo um exibido, ela sabia que nenhum daqueles homens seriam capazes de machucar Laura, seja fisicamente ou mentalmente.
Depois de caminharem pelo menos dez minutos, Laura agarrou o braço de ElÎ, em alguns instantes ela daria boa noite para a amiga. Estava feliz que ElÎ havia aceitado seu convite para o bar e estava orgulhosa que amiga havia apoiado seu encontro com Rodrigo. Afinal, significava alguma coisa pra ela.
â VocĂȘ promete me ligar amanhĂŁ de manhĂŁ e me dizer que estĂĄ tudo bem e que nĂŁo foi sequestrada e levada pra Argentina? â ElĂŽ disse assim que pararam em uma esquina.
â Haha, claro que prometo, ElĂŽ! â Laura abraçou a amiga. â Toma cuidado, e aproveita seu gringo â Ela disse baixinho. ElĂŽ a cutucou a costela da loira que apenas sorriu.
â Cuida dela ou eu te encontro em qualquer lugar do mundo! â ElĂŽ apontou para Rodrigo que assentiu assustado. A verdade era que ElĂŽ nĂŁo fazia mal a uma mosca.
Os outros dois se despediram de ElĂŽ com sorrisos e palavras, Fran deu abraço carinhoso na morena. ElĂŽ ficou parada atĂ© que todos saĂssem. Esteban finalmente veio em sua direção depois de trocar algumas palavras com os meninos.
â Pode ir na frente, jĂĄ que conhece a cidade melhor do que ninguĂ©m â Ele pareceu um pouco nervoso.
â Ă como se eu estivesse indo embora sozinha, mas com um fantasma em minha cola â Estaban riu. ElĂŽ notou que nunca havia visto ele sorrir daquele jeito. A forma como seus olhos se fechavam, quase nĂŁo dava pra vĂȘ-los. Ela precisou conter os lĂĄbios para nĂŁo dizer nada sem querer como fez no banheiro.
â Estou sendo gentil, nĂŁo seja tĂŁo mĂĄ. â Ele colou as mĂŁos no bolso. NĂŁo estava frio, mas o vento gelado incomodava Esteban, mesmo que na Argentina fizesse temperaturas piores, ele gostava mesmo era do verĂŁo.
â EstĂĄ com frio? â Eloisa questionou vendo a ação do mais alto.
â NĂŁo e vocĂȘ? â Ela negou. Um silĂȘncio um tanto cĂŽmodo pairou no ar. A mente de Eloisa tentava a todo custo formular uma frase ou dizer algo estĂșpido, apenas para preencher o barulho do vento entre eles.
â Sobre aquilo que vocĂȘ disse na porta do banheiro â Esteban começou. ElĂŽ sentiu a barriga doer. â, era verdade?
â Por que a pergunta? â Ela retrucou. Seus dedos estavam brancos de tanto que ela os apertava.
â Seria importante se vocĂȘ respondesse a verdade â O loiro rebateu. ElĂŽ respirou fundo antes de responder. Esteban deu a ela o tempo necessĂĄrio.
â O ponto Ă© logo ali â Ela apontou para as cinco cadeiras vazias a beira da estrada. Estaban nĂŁo pressionou, sabia que ela responderia uma hora ou outra. â Sim, era verdade o que eu disse... mas nĂŁo importa.
â Como nĂŁo importa? â Ele quase sussurou. O vento ainda era mais barulhento que eles. Eram quase 21h da noite e aquela rua estava silenciosa demais.
â Olha, Esteban â Ela respirou fundo. âNĂŁo temos nada, nĂŁo somos nada pra começo de conversa... â O argentino nĂŁo respondeu. Ainda encarava Eloisa com a mesma intensidade de sempre. â, eu vi vocĂȘ naquele ĂŽnibus e foi a primeira coisa diferente que aconteceu comigo em anos. A minha vida toda tem sido o mesmo monĂłtono de sempre, a vida tem sido cinza e sem graça. â Ela deixou os ombros caĂrem quando chegaram ao ponto de ĂŽnibus. ElĂŽ se sentou na primeira cadeira e Estaban na cadeira ao lado. Ele ainda ouvia quieto. â Mas entĂŁo, vocĂȘ simplesmente aconteceu. VocĂȘ me irritou e me intrigou na mesma fração de segundo. VocĂȘ evaporou o cinza dos meus dias com aquela sua atitude.
Dessa vez era Esteban que estava suando. Suas mãos soavam. Ele não sabia o que dizer ou como dizer o que estava guardado em seu coração. Mas ElÎ pareceu não ter terminado. Então eles e limitou a deixar um sorriso singelo escalar.
â E entĂŁo, no outro dia, eu peguei o mesmo ĂŽnibus no mesmo horĂĄrio e adivinha sĂł? VocĂȘ nĂŁo estava â Seu tom de voz era rouco. â e entĂŁo vocĂȘ nĂŁo apareceu no outro e no outro. E depois de uma semana eu parei de me importar. Depois de um mĂȘs, eu achei que vocĂȘ fosse um invenção da minha cabeça. Seus trejeitos, seu rosto e sua voz estava estampada na minha cabeça, Estaban, vocĂȘ nĂŁo podia simplesmente nĂŁo existir! â ElĂŽ disse tĂŁo rĂĄpido que quase se engasgou. Ela puxou o ar com força. â Mas te ver hoje, depois de um mĂȘs e alguns dias, nĂŁo que eu esteja contando â Ele sorriu de novo. â, ascendeu algo em mim, novamente. Minhas mĂŁos soam, meu peito bate forte e minha barriga dĂłi de ansiedade. Eu nĂŁo sei o porquĂȘ disso. Laura diz que foi amor a primeira vista, mas eu nunca senti amor, eu nĂŁo sei o que Ă© amor. Como poderia sentir algo que nĂŁo conheço?