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Del sí al no, ¿Cuántos quizás? . #cap73 #lamaga #cortázar
Capítulo 73
Capítulo LXXIII
Abril
Não que Daisy não estivesse superfeliz com sua vida agitada de academia, faculdade, emprego e terapia, mas é que quando chegava sexta-feira e ela suspirava alegre, com a perspectiva que ela teria dois dias completamente dedicados a inércia, era como se a paz mundial tivesse sido declarada, não existisse mais fome no mundo e todos os órfãos africanos, tivessem encontrado uma família.
Resumindo, atualmente não havia nada que ela amasse mais do que os fins de semana. E na sexta, que havia sido o dia anterior, ela havia saído do serviço e ido direto para a estação de metrô, com destino a casa de Andrew.
- Hmmm, estou sentindo cheiro de ovos mexidos?
Capítulo 73 - Voltando pra confusão
Chegamos no apartamento do Danilo , ele me explicou que mora em apartamento porque os pais que pagam , assim como pagam para a irmã dele . Fiquei sentada na sala , porque ele disse que meu almoço seria uma surpresa .
Danilo : Já Analiveh , pode vim !
Eu : Pô até que enfim !
Danilo : Hahahaha , agora você vai comer a melhor macarronada da sua vida !
Eu : Todo mundo sabe fazer macarronada !
Danilo : Não como a minha !
Ele deu um sorrisão e eu consequentemente ri .
Ele me serviu e depois se serviu . Nossa , só sentia o queijo derretendo na minha boca , tava muito gostoso . Depois que terminamos de comer ele lavou a louça . Ainda bem porque e não iria lavar .
Danilo : Foi a melhor a macarronada da sua vida né ?
Eu : Tava gostosinha !
Danilo : A melhor macarronada da sua vida !
Sentamos no sofá e eu tava com uma cara de tédio e do nada eu ouvi um barulho de câmera de celular e quando vejo o Danilo tirou uma foto horrível minha .
Eu : Apaga isso cara !
Danilo : A melhor macarronada da sua vida !
Eu : Cara apaga essa merda ! Que horrível !
Danilo : Eu vou postar !
Eu : Não , apaga !
Danilo : Então admita que foi a melhor macarronada da sua vida !
Eu : Foi a melhor macarronada da minha vida !
Danilo : Ok !
Ele sorriu e ligou a tv . E eu fiquei o encarando .
Danilo virou pra mim e ficou confuso .
Danilo : Que foi ?
Eu : Eu já admiti que foi a melhor macarronada da minha vida , agora você já pode apagar esta merda do seu celular !
Danilo : Ah é ! Hahahahahaha
Ele apagou e eu fiquei bem mais aliviada .
Danilo : Você é lésbica mesmo ?
Eu : Não !
Danilo : Então por que caralhos você beijou a Thalia, que a propósito nem deve lembrar de você neste momento ou do seu nome , em vez de beijar esse gato , lindo e maravilhoso aqui na sua frente ?
Eu ri do drama dele .
Eu : Primeiro porque eu tava bêbada e você duvidou de mim . segundo que o gato , lindo e maravilhoso que tá na minha frente tava beijando outra garota quando eu procurei por ele e eu perdi o interesse .
Danilo : Uau , você é bem direta !
Eu ri .
Eu : É melhor assim !
Danilo : Não acredito que beijou a Thalia !
Thalia : Quem me beijou ?
Ela e o Luís brotaram atrás do sofá .
Eu : Eu te beijei , e aí beleza ?
Thalia : Ah tá , você é a Analise né ?
Eu e os meninos rimos .
Eu : É Analiveh !
Danilo : Eu falei !
Eu : Pelo menos ela lembrou que foi eu que beijei ela !
Luís : E eu achando que ela tinha me dado uma resposta irônica .
Danilo : Ela não é lésbica !
Luís : Mano , não tô entendendo mais é nada !
Eu : Não é pra entender mesmo !
Luís : Chata !
Eu : Lesado !
Thalia : Olha , Luís começa com o "L" de lesado hahahahahaha !
Danilo : Ela não tá chapada , é que é assim mesmo !
Eu : Ah tá !
Luís : Então , que filme vamos assistir ?
Thalia : Invocação do maaaaal !
Eu : Não mesmoooo ! Mano eu já sei as falas de todos os personagens , até do demônio que entra no boneco !
Eles riram .
Ficamos assistindo um filme qualquer , conversando mais do que assistindo , perguntei a eles se não estudavam . O negócio que eles tão tudo na faculdade e a porra da facul tá em greve . A Thalia é porque não quer ir pra aula mesmo .
-
Eu passei a semana inteira com eles , apesar do Luís ser insuportável , eu gosto de tá com eles . E com a minha avó também . Também passei a semana inteira com o Danilo tentando me beijar e eu não deixei de jeito nenhum .
No meu último dia Danilo decidiu que íamos passar o dia juntos , só nós dois .
Acordei , escovei os dentes e fui pra cozinha de blusão e calça largada mesmo .
Chegando lá minha avó tá tomando café com o Danilo , ele me olha e ri .
Eu : Ótimo !
Dei meia volta , mas a vó não deixou eu ir embora pro meu quarto . Vou ter que ficar olhando esse garoto lindo , com a barba crescendo rindo de mim .
Vó : Larga de frescura porra ! Senta aqui !
Eu : Bom dia também !
Vó : Parece até que é educada .
Danilo ri.
Comi um sanduíche natural , com suco de maracujá .
Danilo : Vai se arrumar ! Traz biquíni !
Eu : Ok papai !
Danilo : Sem reclamar !
Dei meu dedo do meio pra ele e o mesmo riu .
Tomei banho e me arrumei , coloquei o biquíni(arranjei da vovó) por baixo da roupa , óculos , um tênis e voltei .
Vó : Aproveita que hoje é teu último dia e larga de cu doce !
Eu ri e saímos .
Entramos no carro e acabamos em uma quadra .
Eu : Biquíni ?
Danilo : Tem uma piscina aqui e blá blá ...
Eu : E podemos estar aqui ?
Danilo : Não ! Mas ninguém precisa saber que estivemos aqui .
Eu : Então tá !
Me virei e agora sim vi a piscina .
Danilo : Tira logo essa roupa !
Quando ele falou isso , olhei para o mesmo assutada , só que ele tava rindo e balançando uma garrafa de absolut .
Sorri . Começamos a beber e ele colocou música , tava tocando good time . Comecei a tirar minha roupa e ficar só de biquíni . Danilo já tava só de bermuda e quando vi ele me pegou no colo e caímos na piscina desajeitadamente , me afoguei um pouco , mas de boa .
Levantamos e começamos a rir um do outro .
Ele foi chegando mais perto de mim e me encurralou no canto da piscina .
Danilo : Sério que você vai embora e não vai me dar nem um beijinho ?
Olhei pra ele , que estava mordendo o lábio e ri .
Dei um selinho rápido nele e saí por baixo ; Danilo veio atrás de mim ; Puxou meu pé ; consegui fugir ; ele puxa meu braço ; viro de frente e quando eu ia subir ele me puxa pra baixo e nos beijamos .
Subimos rindo um o outro .
Danilo : Eu sabia que eu ia conseguir !
Revirei os olhos .
Danilo : Ah confessa que você tava louca pra me beijar desde a hora que babou por mim na porta da casa da sua avó !
Eu : Até parece !
Danilo : Eu sei que é a mais pura verdade .
Joguei água nele evitando que ele visse que eu fiquei corada .
Passamos a tarde nos beijando depois daquilo . O que foi muito bom , porém meu voo era a noite , às 23h00 . Esperei o Danilo , junto com a Thalia que apareceu lá do nada , se arrumar porque ele ia me levar ao aeroporto .
Me despedi da Thalia. E Danilo e eu fomos pra casa .
-
Vó : Palhaçada , tu passou mais tempo com eles do que comigo !
Danilo : Olha o ciúmes véia !
Vó : Véia é meu ...
Eu : Não precisa terminar a frase vó !
A interrompi antes de um imaginação indesejada .
Terminei de arrumar minha mochila .
Eu : A senhora vai com a gente ?
Vó : Não , podem ir , não suporto aeroportos !
Eu : Ok ! Muito obrigada por tudo !
Vó : Obrigada você por me assustar todo dia de manhã com a sua cara de merda !
Eu : Valeu ! Hahaha
Danilo : Vamos !
-
Chegamos no aeroporto às 22h00 .
Danilo : Ainda bem que não me apaixonei por você , senão eu já tava fodido ! E você também !
Eu : Eu por quê ?
Danilo : Porque eu não ia deixar você ir embora de jeito nenhum !
Ri .
Eu : Então , ainda bem mesmo ! Não iria embora se estivesse apaixonada por você , aí você teria que me aturar pra sempre .
Dei um sorrisão . E ele riu .
Ficamos conversando (e nos beijando) até 22h45 , fui fazer meu check-in .
Danilo : Você tem que ir mesmo ?
Eu : Você não disse que não estava apaixonado por mim ?
Danilo : Eu não tô ... tanto assim .
Eu ri .
Eu : Tenho que ir mesmo !
Danilo : Tá ! (Triste)
Eu : Quem sabe nas férias eu venha pra cá !
Danilo : Espero !
Eu : Tchau , valeu por tudo !
Danilo : Tchau , vai com Deus !
Nos beijamos pela última vez e entrei no avião sentindo uma enorme vontade de ficar pra sempre ali , mas também estava morrendo de saudades dos meus amigos e infelizmente do Gabriel . Ainda bem que eu conheci o Danilo e a Thalia , junto com o babaca do meu ex , mas enfim , foi ótimo passar essa semana com eles . Danilo foi uma distração e tanto pra eu não lembrar do Gabriel .
Espero não ser ele a primeira pessoa que eu encontre quando chegar em casa .
-
Peguei um táxi e rumei pra casa . Cheguei e mandei esperar pra pegar o dinheiro .
Entrei em casa nem sinal de Gabriel . Subi , mamãe tava no quarto dela . Ela me olhou surpresa e veio ao meu abraço , rapidamente disse que o cara tava esperando lá embaixo , mamãe me deu o dinheiro e desci correndo pra pagar . Quando fui passar pela porta correndo dei de cara com o Gabriel e acabei caindo .
Eu : PORRA !
Gabriel : Analiveh ?
Eu : Não , Harry Potter !
Eu falei isso mau humorada , mas na verdade a minha vontade era de abraçar ele . Meu coração bateu tão forte que parecia que ia explodir . Mas infelizmente lembrei o porquê de eu ter ido embora .
Saí de lá bufando e fui pagar o táxi .
PRÓXIMO CAPÍTULO

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Capítulo 73 - Sempre os três.
Acendi o cigarro enquanto a guria olhava pros lados. Ela não tava com cara de quem ia se esforçar pra puxar o mínimo de assunto comigo. Que situação idiota. Dei o primeiro trago e alcancei o isqueiro pra ela. Fala alguma coisa, Thomaz.
Eu: Tu fuma? Ela arqueou as sobrancelhas. Provavelmente não tava esperando que eu falasse alguma coisa. Não tenho cara de quem puxa assunto também. Rafa: Não... Sim. Às vezes. Eu: Nesse momento tu fuma? Rafa: Tem um cigarro? Tirei um cigarro do bolso e dei pra ela, que o colocou na boca. Eu acendi pra ela, que tragou com muita facilidade, como se fumasse há uns 40 anos. "Às vezes". Pff.
Fiquei olhando pro rosto dela enquanto ela fumava. Ela era inteira pequena. Tinha o nariz pequeno, a boca pequena, o rosto magro e os olhos bem escuros. Acho que gosto de gurias de cabelo curtinho também. Reparei que tava um pouco bêbado porque fiquei encarando ela sem nenhuma vergonha. Sóbrio, eu estaria olhando pro meu próprio pé só pra não ter nenhum contato visual. Sei lá. Eu: E essa Heineken? Ela olhou pra própria mão. Rafa: Ah, foi mal. Quer? Estendi o copo e ela o encheu pra mim. Reparei que ela tava sem copo. Eu: Esqueceu teu copo. Rafa: Verdade. Ofereci meu copo pra ela assim que ela terminou de encher. Ela agradeceu com um sorriso, deu um gole e me devolveu. Eu: Pode ficar com copo. Eu tomo da garrafa. Se não tiver problema. Sei lá, tem fresca pra tudo. Falei sem pensar. Rafa: Tudo bem. Ela me deu a garrafa. Acho muito gostoso beber direto do bico da garrafa. É como se a cerveja viesse pura, sem a intervenção de... Sei lá... Ar. Tô bêbado. Acabou o assunto. Pensa rápido. Reparei que ela tava usando um colar dourado com o nome dela. Rafaela. Rafa: Meu rosto é aqui. - ela apontou pro próprio rosto. Eu: Quê? - sacudi a cabeça. Que merda ela tava falando? Mas que... Rafa: Tu tava olhando pra outra coisa enquanto falava comigo? Eu: Ah! Não! Não.. Tava olhando o teu colar. "Rafaela". Já tinha olhado pro teu peito há muito tempo, guria. Rafa: Aham! HAHAHA! Achei que ela fosse começar a me tratar feito idiota por ter pensado que eu tava dando uma de virgem, mas riu pra caralho. Tive que rir de volta. Eu: É sério! Hahaha! Rafa: Tu é amigo do Fred. Não consigo pensar que tu não seja igual ele. Tá explicado. Em menos de duas semanas o Fred já deve ter falado muita merda pra essas minas. Eu: Hahaha... Tu é do primeiro ano também? Rafa: Sou. Tô na sala do Fred.
Ter um amigo em comum é sempre bom pra arranjar algum assunto. É só tu ficar falando mal da pessoa. Perguntei como ela tava lidando com o Fred, ela deu risada e contou algumas idiotices que ele andava fazendo. Eu: Que foda. No colegial ele só dormia. Rafa: Vocês se conhecem há bastante tempo, né? Eu: Pra caralho. Rafa: Ele fala bastante de vocês. Sorri. Eu: Ele fala bastante de tudo. Rafa: Hahahahahahaha! A mina quase teve um colapso de tanto rir. Não sei o que eu falei de tão engraçado. Pra mim era normal reclamar da falação do Fred. Rafa: Porra, verdade! Às vezes ele fica falando do meu lado a aula inteira. Chega uma hora que eu nem consigo prestar atenção mais. Eu: Puta merda. Acho que eu matava ele. Devia ser por isso que ele só dormia quando estudava comigo. Se ficasse acordado, não ia conseguir calar a boca. Continuamos falando mal do Fred, e aí o assunto foi fluindo. Nos sentamos na sarjeta, embaixo da luz do poste e ficamos conversando por um bom tempo. Ela não deu sinais de que queria ficar comigo, nem nada, e eu também tava de boa. Era alguém legal pra conversar, sem frescuras. Enquanto a gente dava risada, olhei pro outro lado da rua pra ver como tavam o Fred e as gurias. Acabei encontrando outra pessoa. A Layla. A vadia da Layla. Rafa: Não gosto dessa mina. Eu: Nem eu. Rafa: Ela fica querendo pagar de loira da praia. Isso me irrita. Loira? A Layla tem um puta cabelo escuro. Eu: De quem tu tá falando? Nessa hora, a Layla já tava atravessando a rua na nossa direção, olhando pra minha cara sem nem disfarçar. Rafa: Da Thais. A loira da nossa mesa. Sempre sinto uma sensação estranha quando essa Layla fica me olhando desse jeito. Geralmente eu desvio o olhar pra ver se passa, mas dessa vez, encarei de volta.
Ela não tirou os olhos de mim. O tempo todo ficou com aquela mesma expressão de sempre. Um esboço de sorriso de quem não presta. Fez questão de passar exatamente do nosso lado. Rafa: Tu não tava falando da Thais, né? Eu: Não. Rafa: Quem era essa? Ela olhou pra trás depois que a Layla tinha passado. Eu: Uma vadia. Rafa: Deixa eu adivinhar. É tua ex que te traiu. Eu: Ahn? Claro que não. Rafa: Então ela já te deu um fora. Eu: Não também. Rafa: Tu tentou comer ela e ela não quis. Eu: Do que tu tá falando? Rafa: Esses são os motivos que fazem um cara não gostar de uma garota. Sacudi a cabeça dando risada. Rafa: Eu sei porque tenho três irmãos. Eu: Pode crer que não é só isso. Ficamos quietos por um tempo. Eu pensando no quanto a Layla era uma vaca que fazia mal pro Dudu, em como ia fazer pra falar com ele, o que ia acontecer se eu não conseguisse arranjar show nenhum pra amanhã... Rafa: Já vi essa guria pela faculdade. Acordei dos meus pensamentos pra ouvir o que ela tava falando. Rafa: Acho que também não gosto dela. Eu: Por quê? Rafa: Porque não. Ela sorriu pra mim de um jeito que me deixou sem graça. Ficamos naquele silêncio que sempre rola antes de tu, tipo, partir pra cima. Aquele momento que acontece poucas vezes no meio da conversa, e tu não pode perder, antes que a amiga da guria apareça pra levá-la embora, ou o pai dela ligue. Quando comecei a olhar pra boca dela, o celular da mina tocou. Porra, caralho! Ela atendeu. Rafa: Alô? Que azar, caralho. Rafa: É pra ti. Ela passou o celular pra mim. Pra mim?! Olhei com uma cara estranha, mas ela insistiu. Eu: Alô? Fred: Olha pra cá. Reconheci a voz do Fred e olhei na direção da mesa. Lá estava ele me mostrando o dedo do meio. Eu: HAHAHAHA! Vai te foder! Fred: Pega a mina logo, imbecil!
Mostrei o dedo do meio de volta. Fred: É sério, caralho! Daqui à pouco elas tem que ir embora. Eu: Falou. Fred: Tô vendo daqui o mole que ela tá ta dando, Thommo! Pega a baixinha gostosa! Desliguei na cara dele antes que eu repensasse a nossa amizade. Devolvi o celular pra guria. Eu: Que idiota, puta merda. - dei um gole na Heineken. Rafa: "Baixinha gostosa". Quase me engasguei. Ela ouviu tudo, puta que pariu. Eu nem sabia onde enfiar a cara. Rafa: Hahahaha! Eu: Foi mal, sério. Foi mal. Rafa: Já tô acostumada. Eu: Como assim? Ele costuma te chamar de baixinha gostosa? Ela deu risada e fez que sim com a cabeça. Eu: Que troxa. Hahaha. Rafa: Ele xaveca todas as gurias da sala, sério. Eu: Tô ligado. E todas caem. Rafa: Eu não caí. Eu: Ainda. Rafa: Talvez. Ela olhou pra ele. Boa, Thommo. Perdeu a mina. Muito bom. Aproveita e fala que tu mora com o Felipe, aquele cara bonitão da Atlética, pra ver se ela não fica a fim dele também e te manda tomar no cu. Rafa: Acho que não. Dei outro gole na Heineken pra ver se parava de falar bosta. Rafa: Não gosto de caras que xavecam. Sabe? Olhei pra ela esperando a continuação. Rafa: É melhor quando simplesmente acontece. Ela apoiou as mãos no chão e deitou o corpo um pouco pra trás, e eu me sentei mais perto. O sinal ainda tava amarelo pra mim, mas ficou verde assim que ela sorriu. Me inclinei pra mais perto dela e dei um beijo antes que o Fred aparecesse lá gritando que eu era o maior viado que ele conhecia.
No começo eu tava me sentindo meio desajeitado, mas depois tudo se acertou. Era estranho beijar outra pessoa depois de tanto tempo beijando a mesma. Digo, eu já tinha beijado outras, mas não me lembrava de nada. Alícia. Não era a melhor hora pra pensar nela. Fiz de tudo pra não pensar. Cada vez que o rosto dela aparecia na minha mente, eu forçava mais a barra com a Rafa pra pensar em outra coisa. Tava ficando cada vez mais difícil. Uma hora a cara da Alícia ficou tão nítida pra mim que enfiei a mão na coxa da guria. Rafa: Calma lá, bonitão! Eu: Foi mal. Ela sorriu e sacudiu a cabeça. Voltei a beijá-la antes que ela viesse com algum tipo de sermão. Porra, não fiz nada de errado. O meu papel nisso aqui é de tentar, e o dela é de deixar ou não. Não que ela fosse deixar alguma coisa acontecer no meio da rua. Não gosto muito de beijar sentado se não tenho muita intimidade com a guria. Tu fica todo desconfortável. Continuamos ficando. Tava bom, mas algo mais seria mais legal. Eu: Quer ir pra outro lugar? Rafa: Que lugar? Eu: Sei lá. Eu moro sozinho. Rafa: Não vou dar pra ti. - ela riu. Beleza, fiquei parecendo um idiota. Mas não custava nada perguntar. O máximo que podia acontecer era eu levar um tapa na cara, que nem aconteceu. Eu: Hahahah! Ela voltou a me beijar, provavelmente pra eu parar de dar idéia. Caralho, beijar é muito bom. Depois que tu come alguém tu meio que para de achar graça em só dar um beijinho, mas também é bom. Ainda mais quando tu tá ficando com a pessoa pela primeira vez. É tudo novo, dá um certo frio na barriga. Comer alguém pela primeira vez nem sempre é bom. Melhora com o tempo, mas a primeira vez costuma ser mais complicada. Enfim. Já entendi que não ia comer ela hoje.
Fred: THOMMO, VIADO! Dani: Rafaaa! Calem a boca, escrotos. Eu ignorei esperando que a Rafa não tivesse ouvido, mas ela parou de me beijar pra olhar na direção deles. Dani: A gente precisa ir! Fred: A gente também, Thommo! O Matt tá me ligando igual louco! A Rafa me olhou, deu um sorriso e um selinho, depois se levantou. Porra. Nem deu tempo de eu dar uma enrolada neles. Me levantei também. Atravessamos a rua, e de longe vi o sorrisão de Coringa do Fred. Já tava imaginando o que ele falaria pra me deixar sem graça na frente da guria. Pra minha surpresa, ele nem falou nada de mais quando chegamos. Fred: O Matt tá me ligando e não tá falando nada com nada. É pra gente encontrar com ele. Eu: Onde? Fred: A umas três quadras daqui. Tá, né. As gurias deram tchau e se mandaram. Eu me sentei na mesa junto com o Fred. Assim que elas dobraram a esquina, ele arregalou os olhos pra mim. Fred: Tu nem pediu o telefone da mina, caralho. Eu: Pra quê? Fred: Putz. Nada. Vamo que o Matt tá esperando. Eu: O que ele tá fazendo nesse lugar? Fred: Eu sei lá. Ele só falou o nome da rua. Compramos mais umas garrafas e saímos pra encontrar o Matt, onde quer que ele estivesse. No caminho, o Fred me perguntou sobre a Rafa. Fred: E aí? Eu: E aí o quê? Fred: Curtiu a mina? Eu: Curti. Gente boa, bonitinha. Fred: Peito grande. Eu: Mais ou menos. Fred: É grande, sim. Eu: Mais ou menos, velho. Fred: Tu não viu ela de decote. Eu: Pode crer. Fred: Confia em mim. Tava com preguiça de discutir o tamanho do peito da mina. Ele continuaria falando que era grande até a gente ter que ligar pra ela pra perguntar o tamanho de sutiã.
Eu: E tu, pegou a loira? Fred: Não. Não dava pra deixar a Dani sozinha. O Matt é um viado que foi embora. Mas eu pego ela ainda. Queria ter a auto confiança do Fred por um dia. Deve ser surreal se achar o máximo o tempo todo. Conversamos sobre mais um monte de coisa até chegarmos na rua que o Matt tinha falado. Fred: É essa aqui. - ele olhou pra placa. Tava escuro pra caralho e não tinha nada na rua que fosse parecido com alguma lanchonete ou sei lá. Eu: Ele não tá aqui, não. Fred: Olha os buracos onde o Matt me enfia. Nem respondi. O Fred é quem mais enfia a gente em merda, sempre. Matt: Ei. Ouvimos a voz dele atrás de nós. Me virei, e lá tava o Matt de braços cruzados, com uma cara não muito boa. Eu: E aí. Fred: A gente trouxe cerveja. - ele levantou a sacola. - Mas que pico é esse? Matt: Sei lá. Voltei do rolê e não queria ir lá onde vocês tavam. Fred: Ahn?! Matt: Tu ia ficar enchendo pra eu pegar alguém. Fred: Eeeu? O Thommo pegou a baixinha gostosa! Hahaha! - ele me apontou. O Matt olhou pra mim e arqueou as sobrancelhas, sem dar muita importância. Fred: Onde a gente vai beber? Matt: Que horas são? Fred: Quem liga pras horas? Eu: Matt. Ele me olhou. Eu: Aconteceu alguma coisa? Fred: Aconteceu que ele uma bicha medrosa! Até parece que eu ia ficar causando pra tu pegar a min... Matt: Contei pra Larissa. Fred: CONTOU PRA LARISSA?! Puta que pariu. O Matt fez que sim com a cabeça. Fred: Contou o que pra Larissa? Eu: Nossa, Fred. Fica quieto. Matt: Que eu peguei uma mina na festa. Sabia que ele ia contar, eu sabia. O Matt não consegue ser um mínimo de filho da puta. Puta merda.
Tava com medo de perguntar, mas tive que fazer isso. Eu: E ela fez o quê? Matt: O que mais ela poderia fazer? Terminou comigo. Silêncio. Nem o Fred conseguiu fazer nenhuma piadinha sobre o momento. O Matt parado na nossa frente, de braços cruzados, olhando pro chão. O Fred de boca aberta, pensando no que dizer. Acho que ele tava com a garganta fechada tipo a minha. O Matt se sentou na sarjeta e nós dois fizemos o mesmo. Continuamos quietos por mais um tempo. O Fred abriu uma garrafa de Heineken, deu um gole e passou pra mim. Eu dei um gole e passei pro Matt. Ele fez que não, mas eu insisti. Ele pegou e deu um gole também. O Fred pegou mais duas garrafas, e cada um de nós ficou com uma. Matt: Queria voltar no tempo às vezes. Finalmente alguém falou alguma coisa. O Matt apoiou a garrafa no chão e ficou girando ela, se lamentando sobre a vida. Fred: Para com isso, Matt. Matt: Só às vezes. Fred: Não, velho. Não pensa nisso. Não falei nada. Queria ouvir aquele diálogo. Fred: Não perde teu tempo pensando assim. Não dá pra voltar. Matt: Eu sei. Fred: Pensa no agora. Olhei pro Fred. Nem tava reconhecendo ele falando daquele jeito. Fred: Pensa na Heineken, no gosto dela, nessa rua, pensa na cara de idiota do Thommo me olhando agora. Pensa em nós três aqui. Eu: Troxa. Fred: Deixa isso pra lá. Não vai adiantar tu ficar se odiando agora. Matt: É. Fred: Olha, eu e o Thommo nunca vamos dar pra ti, não vamos substituir a Larissa. Mas dá pra se divertir com a gente também. O Matt sorriu, pra nossa surpresa. Fred: Vamo dar um rolê, fumar um, beber um pouco. Faz de conta que nada aconteceu hoje. Amanhã tu liga pra ela, ou pega outra mina, ou sei lá.
Fred: Olha só pro Thommo. A Alícia tá dando pra dez caras ao mesmo tempo lá no sul e ele tá bem. Até pegou uma guria hoje. Eu: Porra, me deixa quieto um pouco! O Matt começou a rir. Matt: Que mina tu pegou? Fred: Uma guria da minha sala, baixinha, peitudinha, pá... Eu: Tu fala por mim agora? Fred: Sempre. Aposto que tu ia falar "Ah... Gente boa, bonitinha." - ele falou imitando minha voz. Eu: HAHAHA! Matt: E tu não pegou ninguém, Fred? Fred: Calma lá... Eu: NÃO! O Fred zerou no rolê! Fred: Vai te foder, não é bem assim. Ele ficou tentando se justificar por não ter pegado ninguém dessa vez, mas não adiantava. Ficamos rindo e zuando um do outro por um tempo, bebendo cerveja, tentando distrair o Matt. Por incrível que pareça, acho que ele levou a sério o conselho do Fred e tentou não pensar no que tinha acontecido. Era melhor assim. O tempo foi passando e a gente foi ficando meio bêbado. O Matt tava de boa, mas eu e o Fred já tinhamos bebido antes no bar. Dei idéia pra gente fumar um, que aí eu ficaria no grau perfeito. O Matt disse que tinha uns bolados no bolso, mas que a gente teria que sair dali pra fumar. Era uma rua meio pala. Saímos andando pela cidade meio sem rumo. Como é bom fazer isso. Já devia ser madrugada aquela hora. Paramos embaixo de uma ponte, que tava meio escura demais, mas deu pra acender o beck de boa.
Fumamos embaixo da ponte, como se ninguém tivesse nenhum problema pra resolver, não estivesse puto com nada, não tivesse com o que se preocupar. Nos esquecemos de tudo, de verdade. O Fred ficou brincando com o isqueiro, acendendo uns pedaços de papelão que tavam no chão. Ficamos só e o Matt fumando o segundo beck. Matt: Valeu mesmo, velho. Eu: Pelo quê? Matt: Por isso. Eu: Que nada. Somos teus amigos. É pra isso que a gente serve. Matt: Não tô bem. Mas vocês melhoram as coisas. Eu sabia que ele não tava bem e nada que a gente fizesse mudaria isso. Mas bêbado é foda. Olhei o Fred brincando com o fogo do outro lado. Fogo é um bagulho tão fodido, tão bonito. Eu: Fred, bota fogo em tudo. Fred: Comé que é? O Matt arregalou os olhos pra mim. Eu: Bota fogo em tudo! O Fred me olhou sem entender nada, mas logo abriu um sorriso e começou a acender todos os papelões que tavam perto. Matt: Que merda é essa, cara? Eu: Sei lá. Quanto mais o fogo aumentava, mais o meu frio na barriga aumentava também. Corri e fui ajudar o Fred a incendiar tudo. O Matt veio atrás. Peguei uns papelões que já tavam pegando fogo e joguei em cima dos que ainda tavam apagados. A gente ficou chorando de rir daquilo, se divertindo pra caralho. Quando paramos pra ver, tava a maior fogueira que eu já tinha visto na vida. Eu: Caraaaaalho! Fred: HAHAHAHA! PUTA MERDA! Matt: Que foda! O Fred deu um último gole na Heineken e jogou a garrafa na fogueira. Fez um barulho alto pra caralho de coisa se quebrando. Provavelmente ela deve ter batido em alguma lata que tava no meio de tudo aquilo. Saímos correndo com o barulho, rindo igual malucos. Corremos, corremos, corremos em direção ao nada. A gente só corria e dava risada. Eu olhava pra trás e não acreditava no tamanho da merda que a gente tinha feito. Parecia cena de filme de ação.
Paramos de correr quando eu já tava quase perdendo o ar. Apoiei as mãos nos joelhos pra recuperar a respiração, esperando que não morresse, e logo fiquei bem. Olhei em volta e percebi que a gente tava num lugar bizarro, um terreno baldio com cara de local de estupro. Fred: Caralho, o Matt quase caiu aquela hora! HAHAHA! Matt: Do nada aparece uma pedra na minha frente. Fred: HAHAHA! Ai, caralho! HAHA! Matt: Imagina se eu tivesse caído. Fred: AAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! O Fred chegou a deitar no chão pra dar risada. Ficou lá rolando de um lado pro outro imaginando o Matt se arrebentando no chão. Seria engraçado mesmo, mas nem tanto. Peguei uma garrafa vazia e tentei acertar uma estaca que ficava no fundo do terreno. Não consegui, claro. O Matt gostou da idéia e tentou também, mas não conseguiu. Ficamos brincando de quebrar garrafas por muito tempo, disputando quem acertava alguma coisa ou jogava mais longe. O Fred continuou deitado no chão, olhando pro céu. Quando eu e o Matt terminamos de quebrar todas as garrafas, nos deitamos no chão também, perto do Fred. Matt: Se tu encostar em qualquer coisa aqui, tu pega tétano. Eu: Que hipocondríaco. Fred: Sem palavra difícil, Thommo. Seu viado. Eu: Tu não sabe o que é hipocondríaco?! Fred: Eu sei o que é minha mão na tua cara. Silêncio. Matt: Pfff HAHAHAHA! Eu: Que porra é essa, Freds?! HAHA! Fred: Sei lá, sei lá HAHAH! Eu juro que eu poderia dormir ali, de boa. Provalmente a gente seria assaltado e estuprado durante a noite se ficasse lá por muito tempo. Mas tava um clima muito bom, uma sensação muito boa. Eu tava um pouco bêbado, fumado, cansado de correr, com dor de tanto rir. Nada me preocupada naquela hora.
Nem sei por quanto tempo ficamos deitados olhando pro céu e viajando sobre tudo. Uma hora minha brisa passou e tive vontade de deitar na minha cama. Os caras curtiram a idéia a gente voltou pra república. O Matt nem comentou sobre a Larissa no caminho, e eu e o Fred também não fizemos questão de lembrá-lo. Na real, acho que logo eles voltam. Não tenho certeza, mas é o que eu queria que acontecesse. É o Matt. Por mais que ele finja, é óbvio que ele vai ficar mal por um bom tempo por causa dela. Nem o Fred comemorou o fato de ele estar solteiro agora. A gente sabe que ele não vai sair pegando todo mundo.
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