Capítulo 128
Antes de mais nada . . .
EU DEIXEI MEU DIÁRIO ABERTO PRA SAIR COM O ARMIN E QUANDO VOLTEI ESTAVA COM UMA FANFIC DO PAI DO ARMIN.
VIROU BAGUNÇA ESSA PORRA ?!
. . . ENTÃO . . .
Vamos com calma. Respira.
Fazem 2 dias que não toco no diário.
Sinceramente, estava com preguiça.
Então vou recapitular o que houve, do inicio.
Após o Armin do futuro ter ido embora, fiquei pensativa com tudo que havia acontecido, e bem, sobre como recepcionaria do Armin do presente . . .
Eu meio que separei os dois Armins apesar de saber e ver eles como a mesma pessoa(até porque se eu não visse estaria REALMENTE com um grande peso na consciência depois de ter feito o que fiz com ele esses dias . . . ).
Armin do futuro tem uma postura mais séria, madura, mesmo sendo mais bobo e brincalhão, o do presente é mais desajeitado apesar de passar sempre uma postura madura.
Verdade, o Armin do presente sempre foi meu ídolo e eu sempre vi ele como um ser perfeito e supremo super maduro de uma forma que eu jamais seria.
E bem . . . Não é bem assim.Não mais.
OK que acho que agora depois de ter visto o futuro dele eu estou idolatrando ele mais que antes. . . Mas é diferente.
Sei de suas falhas.
É estranho mas, eu acho que amo mais ele agora que sei dos defeitos dele descaradamente do que antes.
Não sei, sinto mais transparência.
De qualquer forma, eu fiquei pensativa, eu estava "bem" com o Armin do futuro e não com o do presente.
Além do mais, ele já chegou em mim com a postura de quem não tinha nada pra resolver e bem, eu me deixei levar já que ele sabia de tudo.
. . . OK, devo admitir que o visual dele ajudou para que eu perdoasse . . .
Eu . . . Gosto muito de como ele ficou no futuro . . .
Confesso que fiquei tanto tempo mal falando com o Armin e sem tocar ele sequer pra abraços que após ter ficado tão deslumbrada com seu visual futurista essa "seca" não ajudou muito para que eu conseguisse frear as coisas . . .
não que eu quisesse frear.
OK VAMOS SER DIRETA.
Armin retornou do pai sozinho após o Armin do futuro ter ido embora.
Ele estava muito sorridente e parecia empolgado.
"O que houve ?" foi a primeira coisa que falei pensativa.
Ele havia saído porque tinha algo pra fazer, o pai dele chamou ele e o Alexy pra algo.
Diz o Armin do futuro que não era grave mas era importante.
Assim que ele me viu ele ficou mais sério.
"Ele já foi ?" Armin perguntou.
"Não, ele tá no banheiro tomando banho." eu falei séria.
Armin fechou mais a cara e foi direto no banheiro ver.
Confesso que acabei rindo, eu falei só pra provocar e pra ver como ele reagiria.
"Está com ciumes de você mesmo ?" eu ria.
"Não ! Só que . . . ESQUECE !" Armin então se sentou do meu lado emburrado, era fofo.
Eu então cutuquei ele e voltei a perguntar o que houve.
Sabe, estar resolvida com o Armin do futuro acabou me fazendo ficar solta e mais leve com o Armin do presente . . . Engraçado pensar nisso.
Armin me fitou e entregou um chaveiro pra mim.
Olhei confusa.
"OK . . . Chave de carro. O que tem ?" perguntei.
Armin então me puxou para janela e apontou pra fora.
Tinha um carro ali que eu nunca tinha visto.
Olhei pro Armin apontando pro carro. Ele entendeu logo meu olhar como sempre, sabia que eu queria respostas.
"É meu. Meu pai deu um carro pro Alexy e um pra mim. Era isso que ele queria . . . Agora não preciso mais pegar o carro dele emprestado nem o do Philippe caso precise." Armin dizia sorrindo de leve.
"Nossa ! Eu fico feliz por você ! Agora você não precisa mais se desesperar de ter que devolver o carro !
Seu pai é sempre tão legal." Eu falava empolgada.
Estava realmente feliz, até porque ele também parecia feliz.
E bem . . . Eu sei o quanto ele respeita e tem carinho pelo pai, então deve ser fantástico pra ele isso.
É tipo receber um presente do seu maior ídolo.
Armin então se calou repentinamente.
Eu me calei também, porém, confusa.
"Desculpa . . . " Armin disse sem mais nem menos.
Ali, aos poucos, comecei a entender o que estava acontecendo, porém, eu ainda estava aguardando sua frase completa a respeito de suas desculpas repentinas.
"O suicídio, a confusão de mais cedo . . . " ele dizia de cabeça baixa, claramente envergonhado de sua atitude.
". . . Eu tentei 15 vezes lembra ? Em menos de 1 ano . . . Quem sou eu pra julgar ?" respondi.
Depois de passar um tempo com o Armin do futuro e um tempo com meus pensamentos, eu conclui que me sentia bem leve, leve o suficiente pra tratar tudo com naturalidade.
"Boreal . . . Você está tão compreensiva." Armin dizia me encarando.
". . . O Armin do futuro fez o que você devia ter feito a tempos comigo.
Você esconde tudo de mim, TUDO MESMO. E sem motivo.
Se eu agisse mal a respeito das coisa que descubro ou que você me conta, mas pelo contrario Armin, eu me sinto até melhor.
O fato de você ter me contado tudo me fez entender melhor seu lado . . . Eu não sabia do seu ciume com o Nathaniel por exemplo." respondi.
"Eu não tenho ciumes do Nathaniel . . . " Armin respondeu.
"Tá, não vai admitir, ok."
"Não, é sério. Eu não tenho ciumes.
Eu tenho ciumes do Kentin, mas do Nathaniel ? Não.
Mesmo sabendo o quanto vocês eram próximos e se amavam, eu não sinto ciumes dele.
Inveja é diferente de ciumes . . . " Armin parecia decepcionado com sues próprios pensamentos.
"Sente inveja por achar ele perfeito certo ?" respondi.
O silêncio e o olhar rápido do Armin foram a resposta, ele confirmou sem querer.
". . . Armin, eu tenho inveja de todo mundo que tem dois olhos." respondi.
"E eu tenho inveja de todo mundo que tem sanidade mental sem todos esses pensamentos suicidas que eu tenho e confusões mentais. Não é especificamente a mesma coisa que sinto pelo Nathaniel. É uma inveja diferente." Armin dizia.
"OK, eu tenho inveja de você, melhorou ?" falei me jogando pra trás na cama.
"Deixa de idiotisse." Armin falou rispidamente.
"É sério Armin.
Eu sempre tive e ainda tenho.
Você é sensato, lógico, inteligente, maduro e mais um milhão de qualidades que eu não tenho.
Se eu consigo ter um pouco dessas coisas foi graças a você que me guiou."
"Eu tentei me matar hoje, não sou o melhor exemplo." Armin então se jogou pra trás também enquanto olhava pro teto.
"Nah . . . Isso é uma fraqueza só. Além do mias, todos deslizam. Até seu Deus Nathaniel" quando eu falei isso acabei soltando uma risada e o Armin enquanto ria de canto empurrou minha perna com um tapa brincalhão.
"Mas é sério. Sei lá . . . A diferença é que acabei meio que ficando mais feliz de ter conseguido ficar contigo do que feliz de ser você.
Sabe, eu gosto do seu extinto de proteção comigo.
Você normalmente me deixa por dentro das suas decisões então termina que não me incomodo quando você escolhe cuidar de mim, meio que eu quero isso, diferente do Nathaniel que fazia sem querer saber se era o que eu queria pra minha vida. Foram poucas as vezes que você não me permitiu tomar uma atitude sozinha, e mais tarde, depois avaliando com cabeça fria, eu não te tiro a razão em muitas dessas vezes, de verdade." eu falei me virando de lado e olhando pra ele.
Ele ainda com a barriga pra cima só virou a cabeça de leve na minha direção.
"Eu não posso aceitar você falando esse tipo de coisa quando sei que te ignorei e te fiz sofrer tanto por conta do meu egoismo em querer ser o centro da sua felicidade.
Eu acabei deixando de ficar feliz por você ter voltado a falar e sorrir só porque eu queria ser a razão do seu retorno." Armin falava.
"Eu faria o mesmo . . .
E talvez pior.
Talvez eu jogasse a pessoa que te fez sorrir de uma escada, quem sabe ?" Armin acabou soltando uma gargalhada nessa hora, eu gosto tanto quando ele gargalha, é tão raro.
É tipo quando ele me dá a mão, fica com vergonha ou quando ele diz que me ama.
Coisas raras das quais eu amo.
Ver ele gargalhando automaticamente me fez fixar meu olhar nele,e bem . . . Ele ainda se sente bem constrangido perto de mim.
Engraçado que quem começou sem pudor ou limitações esse relacionamento foi ele, e agora eu estou sendo a pessoa que não sente vergonha.
OK, eu estava acanhada um tempo atrás, porém, como já disse e ressalto, Armin do futuro me ajudou muito.
"Sabe Armin . . . Eu tinha notado que você não queria falar do bebe e por isso parei.
Eu já não estava disposta a falar muita coisa, mas ao notar que o assunto era desconfortável pra você eu preferi me fechar completamente já que eu sabia que era a única coisa da qual eu sabia falar. Na verdade só quem falava comigo era a Rosa e o Nath, eu só ria quando eles falavam algo do meu filho . . . Eu interagia com eles tanto quanto interagia contigo no fim das contas. Você interpretou errado . . .
Quando eu decidi falar, foi decisão própria, não tinha nada a ver com a companhia. Eu ia fazer o mesmo contigo." eu completei voltando a ficar de barriga pra cima olhando o teto.
". . . Vou tentar me abrir mais contigo, prometo. . . Meu eu do futuro tem razão, ficar quieto e guardar tudo não vai resolver nossos problemas. Poderíamos ter evitado muitas brigas."
Eu então me virei de bruços e deixei minha cabeça virada pro lado dele.
Era ótimo ouvir o Armin falar esse tipo de coisa.
Eu estava aos poucos, vendo que ele realmente ia se tornar aquele homem que conheci do futuro, que me dava mais orgulho do que já dá.
Armin me olhou de canto e desviou o olhar logo, mas após eu ficar muito tempo encarando seu rosto, ele finalmente virou o rosto pro meu.
Era estranho porque tinha aquele clima do inicio do namoro, mas agora ele quem era o tímido da situação.
Ficamos nos encarando, mas dessa vez não me senti acuada como da ultima vez em que presenciei a vergonha excessiva dele.
Na verdade, eu me aconcheguei mais na cama e me aproximei do Armin.
O Armin aos poucos também se aproximou e ficamos ali um bom tempo até finalmente os lábios se tocarem.
Era algo discreto e tão . . . Meigo.
Não estava aumentando progressivamente como de costume, porém, estava um clima muito agradável entre nós dois.
Aos poucos o Armin se virou e ficou me encarando.
Então, repentinamente ouvimos alguém na porta.
"Quem será ?" perguntei calmamente.
"Temos a opção de ignorar." ele dizia rindo.
"E pode ser algo importante. Aliás, pode ser meu pai !" quando eu pensei nisso levantei na mesma hora.
Fazia tanto tempo que eu não via ele . . . Mal falava com ele por telefone . . .
Armin veio logo atrás, ao chegar na porta era o Azriel.
Ele estava com os olhos cheios de lagrimas.
Falei seu nome assustada, Armin logo tomou frente curioso.
Chamamos ele pra entrar.
Armin foi pegar algo pro Azriel.
"O que faz longe de casa essa hora da noite ? Tá bem tarde ! Nem tem condução" eu dizia.
"E-Eu sei . . . Eu ia dormir na Bia . . ." ele falava timidamente enquanto pegava um copo de água que o Armin havia dado pra ele.
"Vocês estão juntos finalmente ?" Armin perguntou.
"Não. Eu ia dormir lá por causa de um trabalho. De verdade, não aconteceu nada além do trabalho do colégio. Como minha irmã--- Digo, a Georgia é muito gentil e nada desconfiada de mim, ela me deixou dormir lá. . ." Azriel falava choroso.
"Coitada, mal sabe ela o que vocês já andaram fazendo . . . A cara inocente de vocês engana."
Eu então dei um empurrão no Amin.
"Mas o que houve pra chegar a esse ponto ? Você tá com os olhos bem vermelhos." falei alisando as costas do Azriel.
"É que ficamos até tarde fazendo a tarefa, e quando acabamos decidimos ficar acordados vendo algo.
Enquanto assistíamos acabamos por acidente dando a mão, foi totalmente despercebido e distraído, e dai pra frente foi uma confusão só . . .
Porque começamos a discutir o mesmo de sempre . . . Que eu ainda estou confuso, ela tentando me convencer do contrario, e no fim, deu briga.
Eu acabei jogando na cara dela a amizade dela com o Samuel e ela jogando na minha cara sobre meu interesse no Lysandre.
Ela falou que eu era mentiroso e que meus sentimentos eram falsos e justamente por isso eu não conseguia me decidir.
Ai eu comecei a falar coisas parecidas sobre o Samuel e no fim eu sai de lá . . .
Como a casa da Boreal era mais próxima e eu gosto da companhia . . . Eu vim pra cá. Até porque não tenho como voltar pra casa agora . . . Desculpa incomodar, eu posso dar um jeito e--"
"Fica e conversa com ela.
Você tá com a cabeça quente, eu sei o quanto vocês estão amigos e bem, você precisa disso no momento." Armin dizia interrompendo o Azriel.
"Tem certeza que não to incomodando ?" Azriel dizia.
"Não tá não. Dessa vez não. Em outro momento talvez pudesse ser um empaca foda tipo meu irmão." nessa hora só chutei ele rindo enquanto ele ia em direção ao escritório.
"Vai trabalhar a essa hora ?" perguntei.
"Não, deixei meu portátil lá dentro." Armin respondia enquanto entrava.
Dali em diante passamos a noite conversando.
Azriel explicou mais detalhes da briga, nada que acrescentasse na verdade.
Azriel e eu conversamos muito sobre ele pensar melhor sobre a situação toda, e inclusive o Armin tentou auxiliar ele bastante quanto aceitar a vida nova dele.
Após muita conversa, eu apaguei simplesmente.
Só acordei na manhã seguinte e estava no meu quarto com o Armin abraçado comigo.
"O que ? Quando eu dormi ?" perguntei.
"Você e o Azriel apagaram do nada, então levei coberta e travesseiro pra ele na sala e te trouxe aqui pra cima." Armin respondia com olhar sonolento.
Normalmente o Armin acorda assim que eu acordo, é raro ele continuar dormindo quando dormimos juntos.
Eu já sou bem diferente, eu fico dormindo feito uma pedra não importa a situação.
Fomos na sala instantaneamente.
Armin tem super proteção com o Azriel assim como eu, e eu confesso que acho divertido isso.
Me sinto ainda mais família com o Armin, sei lá, é como se o Azriel fosse nosso filho nessas situações.
Azriel estava de pé já e preparando algo pra comer.
Tinha lindos croissants na mesa dos quais não havíamos comprado.
"De onde veio isso ?" Armin perguntou.
Azriel virou feliz.
"BOM DIA ! Eu comprei bem cedo. Fiquem tranquilos que foi com meu dinheiro." ele falava empolgado.
"Quanto tempo não como croissant fresco." Armin falava já se sentando na mesa.
Tivemos uma manhã bem divertida.
Azriel dizia que ia pra casa, mas insistimos pra que ele passasse o dia conosco, até porque fazia tempo que Armin e eu, em conjunto, não tínhamos um tempo com amigos.
Ficamos a manhã toda conversando e depois passamos um tempo agradável de tarde.
Jogamos, nos distraímos de maneira geral.
Ali começou a bater saudade da época de escola . . . Que inclusive eu não terminei, mas interrompi por culpa da diretora.
Armin pediu ajuda pra levar algumas caixas que estavam no meu quarto pro escritório.
E foi o que começamos a fazer.
Os três começaram a arrumar as coisas.
Alexy ligou e disse que pediu para o Lysandre levar ratos para minha casa.
Confesso que saber pra que ele queria os ratos me deixava agoniada, mas . . . É pra um bem maior né ?
Azriel foi quem pareceu mais chocado e aterrorizado.
"Vão fazer experimentos em animais mesmo ?" ele dizia deprimido.
"É a única forma de sabermos se as bactérias serão efetivas . . . Confesso que não tenho o sangue frio do Alexy pra essas coisas.
Se for necessário ferir os animais e injetar a bactéria pra ver se vai regenerar, ele vai fazer." Armin dizia.
Confesso que ouvir isso me causava arrepios . . . Alexy tem um lado bem cruel.
Começamos a organizar as coisas, e no meio do caminho achei varias coisas minhas das quais deram certa nostalgia . . .
Da minha mãe, do Ken, e até do Armin antes de perder a memória.
Comecei a comentar sobre as coisas com eles dois, e o clima estava doce e divertido, então, chamaram na porta, a campainha tocou.
Azriel saiu empolgado dizendo que atenderia.
Assim que ele saiu o Armin riu falando "sério, temos um filho" eu concordei com a cabeça enquanto ria junto.
Ficamos um tempão lá em cima até nos tocarmos de que o Azriel estava demorando bastante pra voltar.
"O que houve . . . ? Será que atacaram ele ?" eu falei assustada.
Estava um tanto quanto paranoica com tudo ultimamente.
"Ou é só o Lysandre e eles estão transando na sala." Armin respondia.
"Armin ! Que horrível !"
"Nada de mais Boreal ! Ao invés disso . . . Vamos lá espiar e ver se é isso mesmo." Armin estava com aquele sorriso que ele dá de quanto vai fazer bosta.
Bem, eu confesso que tenho me divertido com a ideia de espionar e acompanhar a vida do Azriel, então logo aceitei.
Descemos e de fato era o Lysandre.
A conversa pelo visto já estava rolando tem tempo, e foi um pouco confuso a principio acompanhar tudo.
Como conhecíamos bem a casa, nos escondemos estrategicamente na escada.
"Eu falei. Se começarem a transar eu subo de volta" Armin falava.
Eu só dei um tapa pra calar ele e voltei a prestar atenção no assunto dos dois.
Azriel estava sério sentado.
"Armin . . . me convenceu . . . De que isso aqui é umas encarnação nova . . . " Azriel dizia.
"Então essa é sua resposta ?" Lysandre dizia tão sério quanto.
"Não . . . É essa aqui." Azriel então, de repente, se levantou e foi em direção do Lysandre, concluindo o encontro em um beijo.
Lysandre por sua vez, não tomou atitude nenhuma.
Ele nem parecia retribuir, nem tentar afastar. Na verdade seu olhar era um tanto quanto frio pra situação toda . . . Era horrivel ver aquela cena sinceramente.
Eu via um Azriel cheio de sentimento, e um Lysandre . . . pedra de gelo.
Ele não demonstrava nenhuma emoção de empatia sequer com a situação do Azriel.
Ele podia bater no Azriel, xingar, elogiar, qualquer coisa !
Mas ele ficou lá, parado e com aquele olhar gélido.
Azriel só se afastou e encarou o Lysandre sorridente, como sempre. Seu sorriso apesar de tudo era melancólico.
"Acho que nunca vou dar sorte com beijos . . . Meu primeiro beijo com a Bia, eu não retribui, só chorei feito uma criança. Das demais vezes eu não consegui aproveitar nada por pensar nela como minha sobrinha. Agora meu beijo em alguém diferente, no caso, foi contigo . . . E você quem não retribuiu. Acho nunca saberei o que é beijar alguém de verdade." Azriel ria de maneira nervosa.
Lysandre se mantinha estático, ele não expressava nada. Vergonha, timidez, irritação, nada.
"Porque insiste em tomar esse tipo de atitude comigo ?" Lysandre dizia.
". . . Talvez eu seja iludido mesmo. Acho que minha vontade de que você me enxergue como o Castiel é maior do que minha sanidade." Azriel ria.
"Sua motivação pra esse beijo foi só isso ? Que patético." Lysandre dizia se afastando.
"Né ? Patético. Tentei ao menos né !" Azriel então puxou ar antes de se despedir acenando e se retirando da sala.
Eu estava com uma vontade de abraçar o Azriel e socar o Lysandre.
Mas pior que o Lysandre não fez nada de errado . . . o Azriel quem investe nele.
"Os ratos estão na gaiola na entrada do escritório, avise a eles.
Eu ficaria pra cumprimenta-los, mas tenho afazeres.
Lysandre dizia friamente se retirando.
Armin e eu tomamos frente após termos certeza que o Lysandre foi embora.
"Tá tudo bem ?" Armin perguntou.
"Vocês ouviram tudo né ?" Azriel falava normalmente apesar do olhar tristonho.
"Na verdade chegamos praticamente na parte do beijo." respondi.
"Lysandre é tão complicado . . . "Azriel dizia se sentando na escada.
"Afinal, porque não fica com a Bia logo ? Mesmo sem shippar vocês, sei que você gosta dela.
Inclusive, é estranho como gosta de dois extremos opostos." Armin dizia.
"Acho que gosto de dois extremos opostos porque eu sou dois extremos opostos.
Bia me completa no meu lado inocente e Lysandre no meu lado sádico . . . Acho que sinto atração por ambos por parte dessa identificação.
Eu consigo senti sincronia com ambos.
As alfinetadas e frieza do Lysandre não me alteram porque sei como é ser dessa forma.
E a inocência da Bia não me irrita porque sei como é ser um zero a esquerda com tudo." Azriel dizia sorridente.
Eu sei bem como é gostar de duas pessoas ao mesmo tempo . . . Já passei por isso afinal.
Já pro Armin, era uma situação estranha.
Ele não acredita nisso, pra ele não existe essa de gostar de duas pessoas.
Inclusive ele já usou isso de argumento pro Azriel.
No fim, Azriel não ficou muito tempo, ele voltou pra casa dele logo após a confusão.
Já Armin e eu terminamos o dia arrumando o que faltava.
Era tanta coisa pra separar que ao terminar ambos capotaram de sono.
E mais uma vez eu não vi meu pai . . .
Na manhã seguinte Armin havia saído com o Alexy e o Dake.
Eles estavam resolvendo coisas do colégio.
Ainda não sei bem o que é, e sinceramente nem estava realmente interessada, sei que quando for o momento o Armin vai me contar, então fiquei sozinha.
Não completamente, Charlie ficou comigo.
Fiz coisas bobas durante o dia, entretanto . . . Logo cedo, o Armin do futuro surgiu.
Ele dizia que tinha assuntos pendentes e por isso tinha voltado.
Sinceramente não conversamos nem por 10 minutos.
Literalmente dentro de 10 minutos de conversa nós terminamos em uma intensidade carnal que foi uma das experiencias mais incríveis da minha vida.
Meu dia se resumiu ao Armin.
Literalmente eu transei com o Armin.
Fazia mais de meio ano que eu não fazia nada do gênero, no fim, acabamos exagerando.
Eu fiquei MUITO marcada e bem . . . Ele destruiu o cachecol do Armin . . . ou dele mesmo.
Armin do futuro estava extremamente mais atraente tanto nas investidas quanto na aparência.
Além de ter aprendido muitas coisas novas e bem . . . Os nós que ele usou no cachecol pra esquentar a situação destruíram o cachecol completamente.
Não quero falar sobre isso pois não gosto de dar detalhes mesmo que só eu venha a ler, entretanto, devo ressaltar, foi definitivamente a melhor experiencia sexual da minha vida.
Que vergonha pensar nisso agora . . .
Enfim, o meu dia foi com o Armin do futuro, e no fim do dia ele foi embora.
Poucas horas depois o Armin do presente voltou.
Confesso que estava um pouco sem graça, e bem, depois de tudo que eu havia feito aquela tarde meu libido acabou ficando elevado só de ver o Armin.
Mas eu ainda estava tendo certa dificuldade pra investir em cima do Armin.
Ele então foi até a cozinha e ao abrir os armários notou que estavam vazios.
"Eu notei que deixei a comida acabar de novo . . . Vou ter que ir no mercado
Ai como queria que o Alexy não estivesse na casa de um dos namorados dele agora . . . " Armin dizia em tom de lamento.
Armin então subiu para pegar o cachecol dele que estava . . . Num estado critico.
Eu não tinha como falar "então, seu eu do futuro usou pra me amarrar e nem te conto o que rolou."
Então só fiquei quieta vendo ele olhar pro cachecol confuso enquanto descia as escadas.
"Cara . . . O Cookie pegou minhas coisas de novo ?" Armin perguntava.
"E-Eu não sei . . . " respondi focando meu olho no celular pra não dar brecha pro Armin.
ele então só jogou o cachecol no sofá bufando.
"Era o meu favorito . . . " ele dizia frustrado.
Ele então só colocou um casaco e estava pronto pra sair.
Eu confesso que queria ir também, só por companhia, mas sei lá . . . O clima ainda era estranho então me calei. Até porque depois do que houve com o outro Armin . . . Eu estava um pouco envergonhada.
Quando ele estava saindo ele virou pra mim e perguntou "quer vir comigo ?"
Eu fiquei muito empolgada com o convite e na mesma hora dei um salto pra por qualquer coisa aleatória no corpo e sair com ele.
Quando ele estava indo em direção ao carro eu puxei a blusa dele pra para-lo.
"Podemos ir a pé ?" eu pedi gentilmente.
"Ué, porque quer ir andando ?
Se formos andando vamos comprar menos coisa." ele respondia confuso.
". . . Eu quero ir andando . . . Depois voltamos lá e pegarmos o resto . . . " eu falei timidamente.
Armin me encarou um tempo, mas sem questionar saiu de perto do carro.
Aquilo significava que iriamos andando.
Eu queria muito sabe . . . Eu queria passar um tempo com ele.
Carro eu não passaria tempo suficiente, esse tempo bom de conversa enquanto caminha.
Não falaríamos, e ainda chegaríamos rápido demais.
Eu queria ter aquele tempo que eu tinha com ele.
Mas aquele de quando eramos amigos mesmo. Época que sequer pensávamos em namorar.
Sempre íamos pro mercado empolgados antes quando queríamos passar a noite fazendo algo juntos e ficávamos horas na parte de doces porque o Armin é viciado em doces e nunca sabe quais levar e por fim leva a maior parte.
Ou quando minha mãe me pedia pra buscar algo e ele e o Ken iam comigo . . .
. . . Minha mãe . . .
. . . O Ken . . .
Que saudade . . .
No fim compramos só bobagem.
Minha mãe e meu pai estariam querendo enterrar nós dois vivos ao ver como "nos viramos feito adultos maduros".
Quando voltávamos pra casa, enquanto caminhávamos eu sorri pro Armin e falei um simples "Obrigada."
Armin perguntou obviamente o porque do obrigado.
"Me chamar pra vir no mercado . . . Parece idiotice mas, sei lá, não fazíamos nada juntos a tanto tempo . . ." Armin ficou vermelho quase que instantaneamente ao ouvir o meu motivo por trás.
Sempre vou achar fofa a timidez dele. Até porque são por motivos tão bobos.
Por fim, quando estávamos chegando, Armin puxou minha mão discretamente.
Ele sequer olhava pra mim, só me deu a mão.
Eu já falei que fico muito sem graça quando ele faz isso ?
Falta de costume . . .
Sempre direi que essa falta de costume mata essas coisas, entretanto . . . É bom que quando acontece, acaba meio que "renovando" e reafirmando o quanto nos gostamos.
Já por ser algo raro.
Não que se fosse confortável não significasse nada, pelo contrario. Eu faço coisas muito piores com o Armin sem esse pudor todo.
Mas . . . O fato de eu sentir meu coração sair pela boca, ficar quente e vermelha de vergonha com um simples tocar de mão significa muito pra mim.
Eu sinto que aquele amor todo não diminuiu mesmo com tantos problemas no relacionamento.
E bem . . . Sei que é reciproco, basta eu olhar pra cara dele vermelha igual ketchup.
Armin e eu fomos para casa de mãos dadas, e aquilo foi muito satisfatório.
Chegando em casa, na porta, eu tomei uma atitude um pouco ousada.
Eu estava tão empolgada, de forma que não estava a tanto tempo, que acabei tomando essa atitude.
Eu puxei ele e beijei.
Empurrei ele na porta discretamente e beijei ele . . . Fazia tanto tempo que eu não tinha contato com ESSE ARMIN. Mas contato pra valer.
Ter passado a tarde com o Armin do futuro me fez ficar em um estado de nirvana com minha consciência quanto ao Armin.
O do presente . . . Eu gosto muito de tudo que vivo com ele . . . E agora quero compensar o tempo perdido.
Eu estou tendo uma vida de casada com meu melhor amigo e pessoa que mais gosto no mundo.
Eu já devia estar aproveitando a tempos.
Armin estava confuso e tímido a principio, ele ainda estava sem jeito após tanto tempo.
Entretanto, por ele ver que eu estava solta e sem constrangimentos, ele foi contagiado rapidamente. (Além do fato de estarmos em local "publico" e isso atiçar ele)
Acho que nosso mal foi ambos ficarem fechados e com vergonha da presença um do outro.
No fim, começou a ficar cada vez mais intensa a situação.
Apressadamente ele olhou pra casa, estava tudo apagado.
"Casa vazia . . . " ele então sorriu pra mim. Aquele sorriso malicioso do qual eu não via fazia tempos.
Eu sorri de volta e apressadamente voltamos a nos beijar como se fizessem anos que não nos víamos.
Toques intensos, respiração ofegante e ele abria a porta desesperadamente.
Armin jogou as compras de um lado, empurrou a porta com o pé e sem parar de me beijar me jogou no sofá.
Nossas caricias estavam intensas e ele já havia tirado minha blusa, quando olhei pra mesa da cozinha e comecei a gritar me levantando e puxando o Armin pra minha frente.
"O que houve ?" ele gritava olhando pra mesa.
Era o pai do Armin com uma pequena luz.
"Me ignorem." ele dizia voltando sua atenção para a mesa.
"PAI ?! O QUE TÁ FAZENDO AQUI ?!" Armin gritava . . .
E foi assim que acabou meu dia.
Ele dormiu no sofá porque brigou com a esposa.
Empacou a noite que provavelmente eu e o Armin teríamos juntos após tanto tempo.
E eu terminei o dia escrevendo no diário.
Sinceramente . . . Boa noite.
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