Eu acordei com a luz forte entrando da janela respirei fundo e senti cheiro de abacaxi, de imediato sorri, assim que abri os olhos minha cabeça latejou e meus olhos arderam
- como se sente? – sua voz soou áspera, ele estava sentado no banquinho longe da cama
- minha cabeça dói – eu estranhei minha voz que saiu roca
- não se lembra do que fez ontem?
- hã... – eu cocei a cabeça
- você bebeu – ele suspirou
O rosto dele estava cansado e preocupado, ele não queria que eu bebesse por causa do problema dele, ele queria que eu ficasse bem... logo entendi.
- eu não acredito que eu vou dar esse sermão Maria, mas...
- não não não – eu sai da cama indo ate ele
- Maria me escuta, você não viu o que eu vi, você estava...
- eu sei... Eu exagerei, estou sentindo – eu me abaixei segurando sua mão
- eu estou me sentindo culpado
- eu devia ter cuidado de você, se... – eu o beijei. Eu não queria ouvir aquilo. Seu beijo tinha receio, tinha rejeição
Eu parei de beijar ele e me sentei no chão, botei a cabeça entre as pernas e suspirei.
Ok, eu estava numa puta ressaca, minha mãe devia estar uma fera, e o Nando estava com culpa da minha ressaca
- nanica, olha pra mim – ele sussurrou
- oi? – eu o olhei, ele se sentou do meu lado segurando meu rosto
- não muita, só meus olhos que ardem e...
- e a cabeça parece que tem uma bateria de samba tocando
- eu tenho que ligar pra mim minha mãe
- toma – ele me entregou o celular
- eu dormir na casa do Nando, eu to numa puta ressaca e...
- sorte a sua que eu te dei cobertura, eu disse que você dormiu na casa da Lia mas você tem que vim antes do meio dia pra casa
Ele continuou a me olhar com aquele rosto preocupado.
- se eu te pedir uma coisa, você faz? – eu acariciei seu rosto
- não precisa pedir, eu já estava com esse projeto
Ele deu um meio sorriso e me beijou devagar, com cuidado, afeto, paixão. Eu queria que ele parasse de sentir culpa, queria poder me lembrar da noite passada... Sua mão passou por minha costa, eu me deitei no chão o puxando. Ele parou sorrindo, mas seus olhos estavam tristes
- o que? – ele mordeu meu lábio
- o que aconteceu ontem exatamente
- você me pediu em casamento, eu recusei, você chorou, eu te levei pra casa, mas você quis vim pra cá, então...
- você começou a me beijar e disse “Bernardo, você é ridiculamente sexy, mas não gosto de gente alcoólatra” e foi pro banheiro vomitar
- shh, esta tudo bem – ele se levantou
- não, não esta. Você sabe que eu não quis dizer isso não é?
- só três tipos de pessoas dizem a verdade: as crianças, as com raivas e as bêbadas.
- olha Maria, você tem que tomar banho e comer alguma coisa. Você tem que ir encontrar o tal de Natan mais tarde e...
- eu tinha me esquecido dele
- bom... Enquanto você toma banho eu vou fazer alguma coisa pra você comer
- não Nando, espera – eu agarrei seu pulso
- eu não estou com raiva do que disse se isso a preocupa, você fez o resto valer a pena
- você vomitou, pegou minha escova de dente e depois foi pro quarto recusando minha ajuda se batendo nas paredes tonta, e ai sentou na beirada da cama – ele riu passando a mão no rosto – e disse “ainda bem que você não é alcoólatra, eu sou, espero que goste, porque eu me odeio... sabe de uma coisa, eu também sou baixinha, você gosta de baixinhas?” – ele riu
- “eu gosto de gente alta, você é alto. Será que é o destino?” – ele riu me olhando – eu pedi pra você dormir
- me diz que eu dormir sem reclamar...
- você disse “posso contar um segredo? O Bernardo da minha sala é maior gostoso, mas não conta porque ele é maior exibido...”
- mentira, eu não disse isso
- “agora eu tenho que dormir porque amanha eu pretendo beijar ele” eu tentei te embrulhar mas você gritou “não toque em mim. Ele é ciumento”
- você é linda bêbada, mas nojenta e não é bom, por isso fiquei preocupado, Maria parecia que você nunca tinha ficado bêbada.
- eu só quero que você fique bem – ele riu beijando meu cabelo – ah, e só pra constar. Eu adoro baixinhas. E também pretendo te beijar, mas antes vá pro banho...
Ele me soltou e foi pra cozinha, eu tomei um banho rápido, vesti a calça e uma camisa velha dele e desci.