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(...) andei pensando sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a) — mas a morte é inevitável, e portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor — essa pessoa — continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo — porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER. — Caio Fernando Abreu
Cantiga para ninar insones
Quieta, carência minha: não pinceles assim, em ouro, o que no barro é feito. Não desvendes metáforas complexas onde o verbo é quase sempre raso e pouco. Não, não te atices assim, toda a fim, outra vez, de elaborar torturas acetinadas sobre mesquinharias de algodão.
Não te bastou, então, toda essa estrada?
Quieta, quieta: silencia. Como as tevês antigas, disciplinada, procura ver em preto, em branco, em calmaria. Não assim, despudorada, policrômica, out-dooresca. Respira, respira fundo, conta até dez. Não telefone. Não fantasia.
Sossega. Chega de enganos.
Recolhe ardores indiscriminados, os arrebatamentos, controla. Controla-te, por favor, carência minha, pois urge sublimar a ânsia do sublime. Tenta, tenta. Ou toma um mogadom, um valium, trinta miligramas (e três, se for preciso). E dorme, dorme bruta, dorme profundamente, dorme
sem sonho algum enquanto chove dentro e fora a chuva fria
Amanhã tem mais.
Caio F.
A vida é apenas uma ponte entre dois nadas e tenho pressa.
-Pela noite, Caio F.
Quem viu e apreciou esse doodle maravilhoso do Google, em homenagem ao 70° aniversário do nosso amado escritor?
12/09/48 - Feliz aniversário, onde quer que você esteja, Caio! ❤️

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"Meu coração está ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou."
Caio F. Abreu
"Já não sei dizer se ainda sei sentir. O meu coração já não me pertence, já não quer mais me obedecer! Parece agora estar tão cansado quanto eu. Até pensei que era mais por não saber que ainda sou capaz de acreditar. Me sinto tão só e dizem que a solidão até que me cai bem. Às vezes faço planos, às vezes quero ir para algum país distante e voltar a ser feliz! Já não sei dizer o que aconteceu se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu. Se meu desejo então já se realizou o que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim; Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica, o que for. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."
- Caio F. Abreu
TEMPESTADES E NAUFRÁGIOS
Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro. Caio F.
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