Eu não tenho planos de ir embora, querida. Você pode namorar mil caras legais e sair para jantar com ainda mais, porém, não vai me afastar. Eu sei que no final de todas as noite nossas lembranças aparecem para elucidar sua mente. Você sabe que seu lugar não é na poltrona J12 de um cinema barato com um homem que conheceu em uma festa junina ou muito menos aos beijos no banco de trás de um carro de luxo com o amigo bem sucedido do seu pai. Você não é dessas. E quando eu falo "dessas" não quero dizer dessas que ficam por ai beijando em público ou fazendo sexo em lugares inadequados, você é exatamente assim e inepto é quem não gosta disso, eu adoro essa sua singularidade, é excepcional, mas quando é comigo. Você não é dessas de sair com outros além de mim. Por que tem vergonha de assumir isso? Você não combina com esses sujeitos cheios de gel no cabelo assim não combina com essa blusa apertada e esse colar de perolas que você precisa usar para frequentar os restaurares chiques que eles a levam. Que jogo é esse que está fazendo, meu amor? Saindo da própria realidade na tentativa de me afastar. Acha mesmo que tentando ser outra pessoa seu cérebro vai repugnar ou esquecer o quanto você gosta de fazer sexo comigo no chão frio da sala? Não é assim que funciona, você está fadada a mim. Tenho certeza que os tapetes do seu quarto gritam o quanto estão sentindo minha falta e sua cozinha não é a mesma sem mim ao fogão fritando suas batatas, nem preciso comentar da decoração erótica da sala, não é? Sua casa tem meu cheiro e eu sei que cada detalhe na rua faz você lembrar de mim. Esse é o merecimento que ganhei por aceitar sua exigência de andar a pé para começar a melhorar o meio ambiente dos pequenos detalhes. Já passamos juntos por cada esquina do seu bairro e eu sei que cada uma delas faz você lembrar de mim; sei que no muro daquela casa ao lado do mercado moram as irmãs das flores que roubei para ti e que duas quadras dali vende o chocolate que sempre comprávamos nos domingos. Sei que a vida te assombra com minha presença. Mas eu não vou deixar isso ser mais fácil para você. Vou bater na tua porta todos os dias da semana. Vou te mandar milhões de mensagem de texto lembrando daquela sua blusa de personagem que esqueceu na minha casa. Eu não vou me afastar e te entregar para esses homens-de-negócio. Você não é dessas. Não é dessas que foge do amor porque ele te assusta, que expulsa a felicidade só porque ela depende de outra pessoa, que recusa café doce porque teme diabetes. Você não é medrosa, querida. Esqueceu quando pulamos no mar daquela ponte em pleno inverso? Você teve medo, eu também é claro, mas pulamos ainda assim, com medo. Não nos vestimos e fomos embora, não corremos para um clup aquático de águas rasas. Pulamos ali mesmo, sem pensar muito, só pela adrenalina, pela emoção, pela felicidade que as lembranças desse dia nos causaria, pela história extraordinária para nossos netos. Você tem que fazer a mesma coisa com nosso amor, baby, não tem que pensar muito e questionar se deve desejar se jogar em caras mais calmos e sem graça. Não deixa esse medo tolo te afastar da loucura do nosso amor, do nosso futuro. Sei que é algo novo e desconhecido para você, eu entendo que esteja com medo e não acredite que um sujeito como eu possa ter mudado, mas eu mudei e vou segurar sua mão todos os dias se precisar, até o medo passar, mas não se esconde de mim, se você não se permitir como vai saber que eu sou o homem da sua vida?
C.V Rabel


















