Truth Is a Beautiful Thing | Danny Wagner x ACE!Reader | GRETA VAN FLEET
ANGST WITH FLUFF NO FINAL!Â
PROMTP: Daniel gosta de coisas que vocĂȘ nĂŁo consegue entender, mas respeita. Respeita o gosto esquisito dele para molhos de salada, respeita o golf, e atĂ© mesmo a quantidade de conteĂșdo erĂłtico que ele segue no Instagram. Mas entĂŁo, ele beija alguĂ©m em um bar, e isso, da sua lista de coisas, Ă© que a que vocĂȘ menos entende.
CONTAGEM DE PALAVRAS: 2.862
AVISOS:Â
ASSEXUAL: Assexualidade Ă© a falta de atração sexual a qualquer pessoa, ou pequeno ou inexistente interesse nas atividades sexuais humanas. A nossa reader Ă© ASSEXUAL, entĂŁo o desenvolver da histĂłria em sua maioria serĂĄ PLATĂNICO! Como uma pessoa dentro do espectro assexual, queria fazer algo com um dos meninos namorando uma assexual, e escolhi o Danny, porque bem, Ă© a minha lane! E, lembrem-se: existem relacionamentos sexuais sem amor, e relacionamentos amorosos sem sexo. SEXO NĂO Ă UMA OBRIGAĂĂO!
Mesmo que vocĂȘ nĂŁo entenda, RESPEITE!Â
To hold your heart, to hold your hand Would be to me, the greatest thing
*
VocĂȘ escuta quando as chaves sĂŁo giradas na maçaneta da porta assim que o relĂłgio marca duas horas da madrugada. Seus olhos estĂŁo quase se fechando entregues ao sono, e o livro que estĂĄ em seu colo jĂĄ se fechou com algumas pĂĄginas formando orelhas dentro dele. VocĂȘ dĂĄ uma suspirada de desgosto quando percebe que as pĂĄginas estĂŁo marcadas, e pega o livro do chĂŁo antes de olhar para o seu namorado atravessando a porta de madeira laranja â que vocĂȘs tinham pintado juntos no começo da Primavera â cambaleando.
Daniel Wagner entra pela porta com um barulho de risada atrĂĄs dele, provavelmente de um dos amigos com que ele saiu para beber, um dos poucos amigos que ele tinha que nĂŁo carregava o sobrenome Kiszka, e os cabelos volumosos quase tĂŁo bagunçados quanto vocĂȘ jĂĄ tinha visto assim que ele desce do palco em um dos shows que ele faz com o Greta.
âEi, quer ajuda para tirar a porta do lugar?â VocĂȘ falou em um tom de zombaria. Era leve namorar Daniel, quase como se vocĂȘs estivessem sempre tentando fazer as coisas serem diferentes do pesado mundo que rodeava vocĂȘs. Daniel olhou para vocĂȘ, sorrindo, mas algo estava esquisito no rosto dele, algo que vocĂȘ, e somente vocĂȘ sabia ler. âDan?â
âNĂŁo sabia que vocĂȘ estaria acordada, querida.â Ele cambaleou atĂ© vocĂȘ, o corpo grande e quente parando assim que vocĂȘ levantou as mĂŁos para colocar no estĂŽmago dele. Daniel era mais alto que vocĂȘ, entĂŁo sua cabeça pendeu para trĂĄs para olhar nos olhos dele. O cheiro de maconha nĂŁo deixava a desejar, assim como os olhos vermelhos que olharam em sua direção. Mas, havia algo mais neles.
âDaniel?â Sua voz questionou novamente, e seus braços se transformaram em uma proteção na frente de seu peito, cruzados. Ele olhou para vocĂȘs, e o sorriso que antes estava no rosto do baterista havia se transformando em um pesar, em um suspiro que atravessou tanto o corpo dele quanto o seu. Como uma pessoa assexual, vocĂȘ conhecia aquele suspiro. VocĂȘ conhecia diversos tipos de suspiros e linguagens corporais.
HĂĄ um ano, quando vocĂȘ contou para Danny que era assexual, e que nĂŁo estava esperando em uma rodovia para o sinal verde acender, ele lhe deu um suspiro muito parecido com esse agora. Como se dentro da cabeça dele um Universo particular estivesse sendo desmontando e remontado de um jeito rĂĄpido demais.
âEu preciso te contar uma coisa.â Ele continuava olhando para vocĂȘ, toda a calmaria que atravessou a porta com ele se dissipando pelos ombros grandes, se transformando em um uma defesa. Como se ele estivesse se preparando para uma briga que vocĂȘ nĂŁo sabia que estava vindo, uma batalha que ele entraria com todas as estratĂ©gias preparadas, e vocĂȘ, apenas um soldado sem experiĂȘncia, pronto para morrer assim que subisse as escadas da sua trincheira. âMas nĂŁo quero fazer isso assim.â Danny apontou para si mesmo, e o cheiro de bebida invadiu o ambiente pela primeira vez na sua percepção.
A camiseta costumeira da Church of Rock in Roll estava amassada, e havia uma parte mais escura na barra do tecido, provavelmente a mancha sendo oriunda de alguma bebida que havia sido derramada nele, ou por ele mesmo. As calças escuras com os joelhos rasgados tambĂ©m tinham uma mancha de bebida. Mas o cheiro foi o que inundou todos os seus sentidos. O cheiro de bebida forte que vocĂȘ estava acostumado a sentir em Jake, atĂ© mesmo em Sam, mas nĂŁo em Daniel.
âVĂĄ para o chuveiro. Eu vou passar um cafĂ©, e vocĂȘ vai me contar o que quer que seja, Daniel.â Sua voz saiu cortada, como se vocĂȘ nĂŁo estivesse tĂŁo consciente assim do que estava pedindo, ou ordenando que ele fizesse. Daniel olhou pra vocĂȘ com os olhos vermelhos e sem o brilho que ele tinha sempre dentro deles. Seu coração pesou dentro do seu peito.
VocĂȘ empurrou ele com os ombros antes de caminhar atĂ© a pequena cozinha que fazia divisĂŁo por um balcĂŁo com a sala, o barulho do relĂłgio de parede acompanhando os seus passos enquanto vocĂȘ caminhava devagar atĂ© a cozinha, o coração batendo rĂĄpido atravĂ©s do seu corpo.
âAmorâŠâ A voz de Danny corta o silĂȘncio onde vocĂȘs estĂŁo, e seu corpo todo reage como sempre faz a voz dele. Como se estivesse pronta para entrar em curto em qualquer momento, deixando a eletricidade conduzir o que quer que ele fizesse com vocĂȘ. âEu nĂŁo quero fazer isso as duas da madrugada.â
âMas eu quero.â O relĂąmpago que se tornou a sua voz atravessa Danny, e vocĂȘ pode sentir quando os olhos dele se arregalam um pouco. Seu pulso acelerado em seu corpo nĂŁo deixando dĂșvidas de que vocĂȘ nĂŁo poderia esquecer essa histĂłria, ou tĂŁo pouco, deixĂĄ-la para outro dia. âChuveiro gelado para vocĂȘ. CafĂ© para nĂłs dois, e entĂŁo, vocĂȘ vai me contar o que fez.â
âPor favor, vamos deixar para depois.â Os ombros dele caem enquanto vocĂȘ se vira para frente, continuando a sua caminhada atĂ© a cozinha. Seu coração ameaçando esmagar todos os outros ĂłrgĂŁos, e seus joelhos a ponto de desmoronarem naquele instante. VocĂȘ confia no amor de vocĂȘs. E quer confiar em Daniel, mesmo que a cada segundo pensamentos atravessem sua cabeça, dizendo que vocĂȘ nĂŁo era suficiente para ele, que o tipo de amor de vocĂȘs nĂŁo era suficiente.
âEu nĂŁo vou conseguir deixar para depois.â Suas mĂŁos tremendo pousam sobre o balcĂŁo, e vocĂȘ sabe que ele percebeu porque o corpo grande de Daniel se flexionou em preocupação, como se ele estivesse alerta, mesmo com a bebida circulando o organismo dele, se vocĂȘ ameaça-se cair. âNĂŁo me faça repetir.â VocĂȘ nĂŁo consegue encarar ele. Na sua cabeça, todos os cenĂĄrios passam a ser construĂdos de uma forma ruim. Como se sua mente e a sua criatividade fossem as suas maiores inimigas agora.
Os passos dele passando por vocĂȘ invadem a cozinha, e vocĂȘ se lembra de despertar para o que estava fazendo. Seus passos tambĂ©m começam a fazer barulho, e o bater das portas dos armĂĄrios o acompanha quando ele entra no banheiro, ligando o chuveiro barulhento da pequena casa que vocĂȘs dividem em Michigan.
VocĂȘ enche o bule com a ĂĄgua da torneira e liga o fogĂŁo, sem realmente prestar a atenção no que estĂĄ fazendo por um segundo inteiro. O seu coração tentando se acalmar em meio a uma cozinha vazia, em uma cidade que parece estranha para vocĂȘ. Seus cabelos caem em seu rosto quando vocĂȘ olha para baixo no fogĂŁo, encarando as chamas, e a ĂĄgua ferver de maneira devagar.
Na primeira vez que vocĂȘ beija Daniel, vocĂȘ se lembra enquanto observa as pequenas bolhas sendo criadas no lĂquido transparente, ele te pergunta se um dia vocĂȘ estarĂĄ pronta, se um dia vocĂȘ tambĂ©m seria como aquela ĂĄgua, em estado de fervura e ebulição. Ă uma coisa que vocĂȘ se pega pensando as vezes, se vocĂȘ simplesmente desse para ele o que ele quer, as coisas entre vocĂȘs seriam melhores naquele quesito. Ele nĂŁo te beijaria com tanto medo nos lĂĄbios nas raras vezes que vocĂȘs fazem isso.
VocĂȘ se lembra quando a ĂĄgua começa a ferver da primeira vez que segurou a mĂŁo dele, decorando cada linha da sua palma como se fosse um mapa de fuga. Como se os dedos que ele entrelaça nos seus fossem pequenas lembranças de que vocĂȘ poderia ser deixada na estrada, assim que ele se cansasse de segurar mĂŁos, e de beijos raros entre os feriados e as vindas para casa.
Seu corpo se vira para pegar o coador de cafĂ©, e o pĂł escuro. Os dedos que seguram os objetos tremendo. Os seus instintos gritando coisas em seu ouvido que vocĂȘ tinha medo de escutar vindo da voz dele, saindo da boca que vocĂȘ acha incrivelmente bonita, mas que nĂŁo sente vontade de beijar. NĂŁo porque vocĂȘ nĂŁo o amava, mas talvez, por que vocĂȘ o amava demais para isso.
âVocĂȘ tem certeza que quer fazer isso agora?â A voz dele faz com que a sua pele salte. VocĂȘ nĂŁo havia escutado os passos dele pela casa. Seus ombros se viram para que seus olhos possam observar Daniel mais sĂłbrio, nĂŁo completamente, mas no caminho. Os cabelos molhados caindo pelos ombros, sendo sempre uma lembrança do quando vocĂȘ gosta de enlaçar seus dedos pequenos nos pequenos cachos que ele tem no cabelo longo quando ele deita a cabeça na sua barriga, e diz como foi o show mais recente. âEu nĂŁo sei mais se eu quero te contar o que aconteceu no bar.â
âSim.â VocĂȘ se vira novamente para a ĂĄgua fervente, desligando o fogĂŁo antes de pegar o bule pela alça, levando atĂ© onde tinha colocado o pĂł escuro. O lĂquido entrando em contado com ele, transformando todo o cheiro da pequena cozinha em um cheiro de cafĂ© que vocĂȘ ama. âAlĂ©m disso, somos criaturas noturnas, Daniel, nada melhor do que ter essa discussĂŁo de madrugada.â Seus lĂĄbios tentam um sorriso, mas vocĂȘ sente que eles saem mais como uma careta em seu rosto cansado.
O corpo dele se aproxima do seu, deixando um rastro do cheiro de sabĂŁo e shampoo por onde passa. Ele estĂĄ vestindo uma camiseta de banda antiga, que havia se tornado pijama, e calças de moletom cinzas. Era esquisito vĂȘ-lo tĂŁo vestido, dado que vocĂȘ era acostumada a vĂȘ-lo apenas de calças desfilando pela casa, ou pelos bastidores dos shows. Daniel pegou duas xĂcaras do armĂĄrio, colocando na sua frente, assim que o cafĂ© estava pronto. VocĂȘ enche ambas as xĂcaras com o conteĂșdo e espera. Espera a voz dele te invadir com o que ele tem a dizer, espera a raiva tomar fervura dentro de si com o que ele tenha a dizer tambĂ©m, espera pelos prĂłximos passos do homem que vocĂȘ deseja passar o restante dos seus dias.
Para alguĂ©m que diz que os outros nĂŁo precisam esperar, vocĂȘ Ă© sempre aquela esperando.
âUma menina me beijou no bar.â Ele diz em um fio de voz, olhando para os pĂ©s descalços. Pequenas gotas deslizam das pontas dos cabelos deles para o chĂŁo. âFoi apenas dois segundos. NĂŁo significou nada.â
âUau, vocĂȘ chega em casa rindo, e apenas quando vĂȘ o meu rosto sente culpa.â VocĂȘ fala em um sopro de voz tambĂ©m, pegando a sua xĂcara, sentindo a quentura na palma da sua mĂŁo quando a segura com um pouco de força. âSe eu nĂŁo estivesse na sala no momento que vocĂȘ passou pela porta, vocĂȘ me contaria isso?â
âQuerida, foi apenas um beijo. Dois segundos. Uma fĂŁ.â Ele coloca as mĂŁos nos olhos cansados. VocĂȘ costumava a ser mais empĂĄtica para quando Daniel balançava os cĂlios escuros para vocĂȘ, com os ares de cansado. Mas nĂŁo hoje. âE foi entre uma bebida e outra.â
âNĂŁo culpe a bebida.â Sua voz salta, e ele olha para vocĂȘ, arrumando a postura. Era Daniel em toda a sua grandeza te encarando de cima. Sem meios olhares, ou desculpas.
âVocĂȘ nĂŁo entende.â E entĂŁo vocĂȘ quebra. No instante que as palavras saem da boca de Daniel, vocĂȘ consegue enxergar que ele quer as puxar de volta, o rosto se transformando em uma carranca, como se ele mesmo nĂŁo soubesse o motivo das suas palavras. Cada uma das letras que ele cuspiu causando um tipo de dor na sua pele.
âNĂŁo, Daniel, eu nĂŁo entendo.â Suas mĂŁos tremem ao redor da sua xĂcara. âSe eu nĂŁo fosse assexual, Danny, vocĂȘ ainda beijaria meninas por aĂ?â Seus olhos se concentram no rosto dele, como se nem mesmo vocĂȘ estivesse usando escudo para o que estava por vir.
âIsso nĂŁo tem a ver com vocĂȘ sendo assexual ou nĂŁo.â Ele fala baixo, todo o corpo dele entrando na discussĂŁo. Daniel tambĂ©m nĂŁo estĂĄ se escondendo. Essa Ă© a primeira grande briga de vocĂȘs, do relacionamento calmo e sereno que vocĂȘs tem. Do relacionamento que vocĂȘ se esforça para ser uma bolha ao redor dele. âIsso tem a ver com uma menina me beijando por dois segundos, e eu nĂŁo sentindo nada. Eu estou te contando por que eu te amo, e vocĂȘ tem que saber.â
VocĂȘ bate com a xĂcara no balcĂŁo. Sua cabeça nem ao menos se lembra de quando vocĂȘs caminharam em direção ao lugar, mas ali estĂĄ vocĂȘ, de pĂ© em seus pijamas â uma camiseta surrada do Led Zeppelin, e shorts de oncinha â com os cabelos bagunçados, olhando para o rosto do seu namorado que acabou de contar que beijou alguĂ©m. Ou foi beijado.
âVoĂȘ sentiu alguma coisa?â Sua boca Ă© mais rĂĄpida que a sua mente, e vocĂȘ nĂŁo consegue se controlar. VocĂȘ entende porque as pessoas se beijam, o sentir que elas necessitam e que tem quando fazem isso, mas nĂŁo consegue sentir o que Ă© tĂŁo necessĂĄrio naquilo. âE nĂŁo minta para mim.â
âNĂŁo!â A voz dele bate mais alto dentro da prĂłpria casa, como se fosse um estrondo e um raio ao mesmo tempo, fazendo atĂ© mesmo o barulho reverberar dentro de vocĂȘ. Seus olhos piscam para ele, olhando intensamente para o homem a sua frente que estĂĄ tentando com todo o corpo te fazer entender o ponto dele. âNĂŁo senti. Eu nĂŁo sinto nada por alguĂ©m que nĂŁo seja vocĂȘ.â
âEu te disse para nĂŁo mentir para mim.â Suas mĂŁos batem no balcĂŁo, e vocĂȘ dĂĄ a volta no corpo dele, indo para a sala, precisando de ar. VocĂȘ sente os seus pulmĂ”es se corrompendo dentro de vocĂȘ, e sabe que isso indica a cachoeira de choro que estĂĄ por vir, consumindo todos os seus sentimentos. Seus joelhos cedem no momento que toca o estofado do sofĂĄ. âEu sei que vocĂȘ sente algo pelas outras pessoas.â
Daniel suspira, enrolando o cabelo Ășmido antes de se ajoelhar na sua frente, ficando perto das suas pernas. Ele coloca ambas as mĂŁos em seu joelho, e vocĂȘ sente a quentura da pele dele sendo transferida para vocĂȘ, como se Danny fosse o seu Sol particular, inundando tudo de calor por onde ele passa, transformando atĂ© mesmo os dias mais gelados em dias ensolarados.
âNĂŁo, nĂŁo mais. As outras pessoas nĂŁo sĂŁo vocĂȘ.â Ele olha para vocĂȘ com os olhos retomando o brilho, como se ele tivesse encontrado as palavras dentro de si pela primeira vez. âQuando ela me beijou tudo que eu consegui pensar era que eram os lĂĄbios errados. Eu estava rindo quando entrei porque lembrei de algo que Jake tinha feito em turnĂȘ e que eu queria te contar. Mas quando eu te vi, deitada com os olhos cansados e cheios de sono, eu sĂł consegui pensar que eu nunca queria guardar mais nada de vocĂȘ.â
âVocĂȘ Ă© inacreditĂĄvel, Daniel.â VocĂȘ sorri, olhando pra ele em dĂșvida. âVocĂȘ chega aqui, e acha que com as palavras bonitas vocĂȘ pode fazer com que eu te perdoe, e vocĂȘ estĂĄ completamente certo.â Ele ri, olhando para vocĂȘ mais calmo agora.
Ă como se o gelo que tivesse se transformado em toda a casa estivesse se quebrando, e lentamente o calor inundasse tudo novamente.
âMas, isso nĂŁo faz com que esse assunto termine.â VocĂȘ arrasta o corpo do sofĂĄ, e vai para o chĂŁo, Daniel abrindo caminho para que vocĂȘ se sentasse na frente dele. As pernas dele tambĂ©m se abaixam, e ele se senta, reproduzindo os seus movimentos. âSe eu nĂŁo fosse assexualâŠâ
âPara com isso, nĂŁo termina a frase.â Ele te interrompe, olhando para vocĂȘ. Daniel segura ambas as suas mĂŁos na dele, contrastando com a força e o tamanho. âNĂŁo tem problema algum em vocĂȘ ser assexual. Isso nĂŁo Ă© um problema, e nĂŁo deve ser chamado assim. Ă o que vocĂȘ Ă©. Mas vocĂȘ tambĂ©m Ă© a mulher que eu amo.â O sorriso dele inunda tudo dentro de vocĂȘ, e vocĂȘ se sente aquecer, nĂŁo se lembrando do sentimento de pesar que estava sentindo hĂĄ minutos.
Ele leva ambas as suas mĂŁos aos lĂĄbios dele, e deposita um beijo em cada uma das palmas, fechando os prĂłprios olhos quando faz isso.
âQuando começamos a namorar eu achava que vocĂȘ sĂł precisava de tempo, que vocĂȘ era um sinal vermelho esperando para ir pra o verde. Mas nĂŁo, nĂŁo Ă©. E eu me sinto ridĂculo de ter pensado isso.â A voz dele Ă© mais baixo, muito mais soando como uma confissĂŁo do que anteriormente, quando ele te conta do beijo jĂĄ esquecido e perdoado. âEu te amo do jeito que vocĂȘ Ă©, com tas as suas caracterĂsticas, e eu me sinto culpado que vocĂȘ ache que eu vou te deixar em algum momento, ou que eu sinto alguma coisa por alguĂ©m que nĂŁo seja vocĂȘ.â
âVocĂȘ ama todas as minhas caracterĂsticas? AtĂ© mesmo o meu gosto ruim para filmes?â VocĂȘ perguntando, sentindo as lĂĄgrimas caĂrem pelo seu rosto. Daniel preenche tudo dentro de vocĂȘ, te transbordando. VocĂȘ nĂŁo Ă© uma metade, e nem ele, mas vocĂȘs transbordam juntos em um tipo de amor que Ă© puro, e que assim como a ĂĄgua fervendo no bule, Ă© construĂdo devagar.
âSim, atĂ© isso.â Ele ri alto, beijando novamente suas mĂŁos. âTudo em vocĂȘ. Lide com isso.â VocĂȘ sorri para ele, se esquecendo do beijo, do cafĂ©, e do cheiro fraco de ĂĄlcool que ainda rodeia a casa. Ă vocĂȘs dois novamente, a bolha de suavidade e leveza ao redor de dois corpos que se amam.
VocĂȘs podem fazer dar certo.












