Vivo uma vida pela metade, que retrocede e avança conforme o balançar do tempo.
— 04:44 a.m

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Vivo uma vida pela metade, que retrocede e avança conforme o balançar do tempo.
— 04:44 a.m

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Por vezes quando estou longe de casa sinto saudades do meu quarto, da paz caótica da minha rua, de balançar na rede ouvindo música ou me perder nos caminhos do entardecer celeste; mas sempre que volto é que de fato sinto a verdadeira saudade de meu lar, que mesmo longe consegue estar perto, e quando está perto não é perto o suficiente. É um sentimento que o tempo não cura, e nem a constância abranda.
É incrível que quando a gente é jovem, qualquer mínimo problema abala nossas estruturas; mas é quando envelhecemos que de fato percebemos quais as verdadeiras batalhas são.
[07/08/23 - 19:22]
[...]
E após tanto navegar em mares turbulentos e perdidos, finalmente encontrei-me com águas calmas que gentilmente me receberam e cuidaram de minhas feridas sem nada a receber, apenas oferecendo o calor de um amor tranquilo e sossegado.
[...]
Mesmo adormecidos, os fios do tempo ainda realizavam sua delicada dança, laçando e entrelaçando-se em suas histórias enquanto realizavam a passagem das estações. Finalmente em uma certa manhã, uma brisa suave entrou por sua janela, anunciando com um beijo cálido a chegada da primavera.
E assim, depois de tantas tempestades e ventos tortuosos que tentavam com esforço dobrar sua vontade, a menininha pode finalmente abrir a janela da qual tanto contemplou alheia o decurso das estações e permitir que a luz preenchesse aquele lugar antes isolado, pois após o término do tempo de cultivar com apresso chegara o momento de abrir a redoma e deixar que as pétalas de sua rosa desabrochassem para um novo amanhecer.

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Conto da Gente
Óia só dona menina, uma história vim contar,
De uma cidade e um amor que começou a despertar,
A cidade é minha terrinha, minha doce Serra do Mel,
E a história de dois jovens com um amor desses de cordel.
Lá pros anos 1970, no interior do oeste potiguar,
Começou-se uma história, de uma terra a prosperar,
De várias partes fez um povo humilde e trabalhador,
Que cultivava sua terra com muito esforço e amor.
E naquela nova cidade, algo inesperado aconteceu,
Em meio a tantas brincadeiras, um doce amor floresceu,
Mas o destino impiedoso resolveu atrapalhar,
Numa noite de São João, Pedro e Dorinha vieram a separar;
Pois o sustento da família, o pai do jovem precisava garantir,
E com o problema do feijão, as economias vieram a ruir.
Os anos se passaram, os tempos foram mudando,
E apesar das dificuldades, a serra seguiu prosperando,
Hoje tem mel e caju, energia eólica e solar,
Mudanças climáticas, com água e chuva ainda a faltar.
Mesmo assim, uma parte do coração Dorinha nunca se completou,
Pois uma parte seu amado quando se fora levou,
Mas a saudade de sua terra e de seu amor fez Pedro voltar,
Pros braços de seu amor, que um dia jurou pra sempre amar.
[05/08/23 - 01:44]
É nessas horas de escrita da madrugada, nos rompantes de inspiração que traz uma vontade de derramar meus sentimentos em versos que me traz uma saudade apertada das conversas inspiradoras e suas opiniões e detalhes que só você conseguia perceber e emendar, e melhorar. Já faz mais de um ano, e a sua falta só aumenta junto com uma tentativa de compreender.
A janela
Em dias quentes, gosto de me deitar na rede do meu quarto e observar o céu. A minha janela é pequena, e me mostra apenas o céu, o muro e as nuvens, mas através dela consigo viajar por vários universos.
Nos dias ensolarados os passarinhos gostam de brincar nos fios dos postes, em uma valsa particular que só eles entendem; já em outros dias as nuvens resolvem brincar de esconder o sol, atrapalhando os encontros dos gatinhos em cima do muro, que assim resolvem conversar durante a noite nos telhados. Através da minha janela me permito desgrudar um pouco da correria do mundo, visitando a pequena "eu" que vive em meu coração, para juntas embarcar em outras histórias.