Kate e Ed: estes “Cool Kids” mimaram fãs portuenses com uma noite intimista e sentimental | Reportagem Completa
Catarina Salinas a incrível voz dos Best Youth | mais fotos clicar aqui
27 de março de 2015 é a data oficial da edição discográfica de ‘Highway Moon’ pelos Best Youth. A dupla portuense regressou aos palcos neste final do ano para a comemoração dos 10 anos desse lançamento e pensou em diversas vertentes. Uma delas trata-se do novo feitio físico deste álbum, agora surge em vinil pela primeira vez. Esta reedição esteve à venda no concerto portuense e teve bastante saída, vários fãs levaram embora uma recordação extra com dedicatórias bonitas e personalizadas.
Catarina Salinas e Ed Rocha Gonçalves prepararam também concertos especiais para as duas metrópoles lusitanas. Estive no primeiro deles na sala do CCOP - Círculo Católico dos Operários do Porto localizado na Rua do Duque de Loulé, bem pertinho da Batalha. Este concerto aconteceu na última quinta-feira dia 4 de dezembro. O anúncio de sala esgotada surgiu a pouco mais de 30 minutos da hora aprazada para o início do concerto mesmo quando dei entrada para o hall do CCOP. Sem dúvida algo merecido para o duo em noite de celebração caseira.
Catarina e Ed, o duo Best Youth | mais fotos clicar aqui
A publicação de ‘Highway Moon’, na altura da sua estreia, mereceu um feedback extremamente positivo, inclusive além-fronteiras. Agora, com toda a propriedade, resolveram tocá-lo na íntegra dando aos temas uma roupagem fresca, fazendo jus aos originais o que permite que se mantenham essenciais e intemporais. Tal como referiu Ed durante o concerto fizeram uma adaptação à forma como tocam hoje em dia.
A dream pop dos Best Youth advém de uma confluência de indie com sonoridades eletrónicas com um sui generis toque retro aonde a voz de Catarina mantém-se sempre resplandecente sendo sensual, irresistível e impecável. Já Ed é o maestro: compõe e produz imaginando a voz de Kate. Em palco ele toca guitarra e trata dos sintetizadores. Catarina mais do lado esquerdo, às vezes serpenteava o palco. Já Ed quando tocava guitarra ficava ao lado da sua parceira, mudava de posto quando fazia as necessárias incursões para trás até local aonde estavam os sintetizadores.
Gonçalves extremamente bem aprumado com um fato negro, por dentro uma camisa branca e com uns sapatos esmerados. Já Salinas com um vestido num tom branco sujo e uma gargantilha a dar-lhe aquele toque essencial de realce.
Catarina na voz Ed nos sintetizadores | mais fotos clicar aqui
Primeiros temas interpretados de forma suave, num debute bem consistente e plenamente intimista: as primeiras três foram “Sunbird”, “Fanatic” e “Melt”. As primeiras palmas mais efusivas surgiram ao quarto tema “Black Eyes”.
Noite lotada em que houve crianças com os seus pais, pelo menos uma delas bem na frente. Já o restante público era bem heterogéneo demonstrando que a música dos Best Youth é ouvida e apreciada por diferentes faixas etárias. Fãs que fizeram questão de mostrar o carinho pela banda durante a performance.
Uma noite em que tiveram muitos amigos e “muitas caras conhecidas” na plateia, por exemplo, João Salcedo e Nena d’ Os Azeitonas ou Jorge Romão dos GNR. Estas são três caras conhecidas do público geral contudo a noite foi familiar pois eles também contaram com amigos anónimos. Realmente foi mesmo isso, uma noite intimista, sentimental e familiar. Uma noite saborosa.
Ed na guitarra e voz | mais fotos clicar aqui
Um dos momentos mais intimistas entre o duo e deles com o público aconteceu em "Infinite Stare". Já em “Red Diamond” a decoração luminosa esteve a preceito. Abanamos a anca em “Renaissance” com Catarina e a primeira parte do concerto terminou com a fantástica “Mirrorball”. Estava assim fechada a comemoração de 10 anos de ‘Highway Moon’ com agradecimento especial às pessoas responsáveis pelo disco, muitas das quais presentes.
"Está a ficar calor" dizia Kate. Estava um calorzinho bom na sala como complemento delicioso à vibe que sentíamos emanada do palco e pelo feeling caloroso que os temas nos faziam sentir.
Salinas fez questão de referir que nunca tinham tocado ao vivo a maioria das canções de‘Highway Moon’, o que acrescentou uma camada extra de novidade a esta apresentação.
Durante alguns momentos eles saíram e voltaram com a questão "Vamos continuar a dançar?". Foi mesmo uma pergunta retórica, todos queríamos mais. Foi então altura para a secção “Best Of” numa fase em que estávamos em fase “Out of Time”. Podíamos estar ali até altas horas da madrugada a desfrutar da discografia dos Best Youth. Outro dos temas destacados nesta fase, "Midnight Rain", claramente.
A postura sensual de Catarina | mais fotos clicar aqui
A curveball da noite surgiu antes do momento da "fantochada de sair". A pedido de uma pessoa do público, Catarina acedeu a tocarem um pouco de “Last Page”. Apesar de Ed ter ficado um pouco surpreendido, saiu-se de forma positiva na sua guitarra elétrica.
Para o encore foram interpretadas as inevitáveis “Cool Kids” e “Nightfalls” num fecho perfeito de noite.
Salinas e Gonçalves com a sua postura em palco deixam transpor e “transpirar” na interpretação dos temas uma onda sensual, são uma espécie de inevitável pitada de sal. O sorriso bem largo de satisfação de Catarina e a coolness de Ed ao fazer com que tudo corra pelo melhor faz ter um respeito ainda maior por eles.
Oxalá que a dream pop destes dois “Cool Kids” continue em modo de reinvenção sempre com o alto astral que nos têm proporcionado durante a sua carreira.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
A intimidade e à vontade de Ed e Catarina em palco | mais fotos clicar aqui
Texto:
Edgar Silva
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‘Audição IndieSpensável’ é uma rubrica que vai dedicar-se a dar um destaque de bandas e/ou artistas a solo relevantes no panorama musical nacional mais virado para os universos mais indie e alternativos.
Será dado o destaque a bandas e/ou artistas já com algum reconhecimento no meio embora não sendo propriamente do tipo mainstream. Daquele tipo que não surgem na televisão com frequência e que as suas músicas passam em todas as rádios, o destaque é sempre dado mais pelas rádios especializadas e não nas rádios nacionais de âmbito geral.
~ “Radiografia musical” aos Best Youth
Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas conhecem-se desde a adolescência e antes desta aventura Best Youth ter iniciado já tinham trabalhado em conjunto sob o nome de Genius Loki. Este primeiro projeto conjunto terminou em 2006 depois do baterista ter emigrado. Durante alguns anos trabalharam a título individual até que em 2010 Ed solicitou a Catarina para cantar em algumas músicas em que estava a laborar. Como tal aconteceu numa simbiose e num entendimento muito positivo decidiram formar Best Youth em versão duo. Trabalham juntos com este projeto desde 2010 com bastante sucesso e reconhecimento público. Ambos são oriundos do Norte, mais respetivamente da cidade do Porto.
Em 2011 editam o primeiro Extended Play (EP) intitulado ‘Winterlies’ cujo sucesso levou-os aos grandes festivais portugueses como o Primavera Sound, Paredes de Coura ou Mexefest durante 2012. Esta incrível receção à sua estreia foi deveras surpreendente para eles.
Duo Best Youth @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
Acabaram por adiar a fase dos trabalhos para o álbum seguinte devido a tantas solicitações para concertos, numa fase inicial. Depois surgiu o convite de André Tentugal para juntarem-se ao projeto There Must be a Place em conjunto com os We Trust.
Entre estas e outras ocorrências só em março de 2015 é que editam o primeiro Long Play (LP) cujo título é ‘Highway Moon’. Um produto final foi bastante diferente de ‘Winterlies’. Aí foi iniciada a utilização de sintetizadores, de texturas e ambientes com mais detalhe e com um travo de eletrónica. Para trás ficou um registo mais soft dentro do pop-rock.
Desde esta fase que o seu registo musical é um encontro entre o indie rock eletrónico e a dream pop, perdura até aos dias de hoje. Jon Hopkins, FKA Twigs, Moderat, Cliff Martinez e as bandas sonoras de Trent Reznor são inspirações e influências para os Best Youth.
As músicas são a pensar na voz sensual e adocicada de Catarina e a produção fica mais do lado de Ed num processo em que ambos colaboram nas várias decisões e no destino final dos temas.
‘Cherry Domino’, o segundo Long Play (LP) foi editado em 2018. O primeiro single “Midnight Rain” entrou diretamente para o top da Antena 3. “Nightfalls” e “Highlights” são outros 2 singles cujo bom desempenho radiofónico deram visibilidade extra ao álbum.
Ed Rocha no CCOP no Porto em 2019 | mais fotos clicar aqui
A exposição mediática e o airplay nas rádios era já significativo num indicativo do reconhecimento pela alta qualidade dos seus temas. O público ia-se identificando com a música feita pelo duo portuense, levando a um conhecimento mais abrangente deste projeto. Esse trabalho discográfico foi considerado por várias publicações como um dos melhores de 2018, sem qual ponta de surpresa.
Em 2019 realizaram uma mini tournée apelidada de “Cherry Domino Club”, tocaram em vários locais como a Bang Venue em Torres Vedras, o Salão Brazil em Coimbra ou o CCOP no Porto.
A equipa do headLiner composta por Márcio Ribeiro e Jorge Nicolau assistiu a um dos concertos da “Cherry Domino Club” no Porto cuja reportagem pode ser lida e vista aqui.
Entre 2020 e 2023, com a pandemia pelo meio, realizaram alguns concertos. Um deles foi em no edifício dos Paços do Concelho em Vale de Cambra e o nosso colaborador Jorge Resende esteve presente tendo fotografado a atuação: fotos aqui.
Catarina Salinas @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
Editaram durante esses anos alguns temas avulso: “Back With A Bang”, “Cool Kids” e “Out Of Time”. Esses temas fazem agora parte de ‘Everywhen’, o 3º Long Play (LP) dos Best Youth com 11 novas faixas, cujo lançamento aconteceu no passado mês de janeiro deste ano.
A estreia ao vivo deste novo álbum ‘Everywhen’ aconteceu com dose dupla: no Teatro Maria Matos em Lisboa a 23 de janeiro e na Casa da Música a 31 do mesmo mês.
Há mais oportunidades para assistir a uma performance do duo portuense e aconselhamos vivamente a que o façam! Além das datas que destacamos mais no final do artigo e que já são conhecidas publicamente outras mais hão-de surgir, um pouco espalhadas pelo nosso belo Portugal.
~ Entrevista aos Best Youth
headLiner (Edgar): Como é que se juntaram e quando é que decidiram iniciar a aventura Best Youth?
Ed Gonçalves: A primeira vez que nos “juntámos” oficialmente terá sido no início dos anos 2000. Já eramos amigos há algum tempo e na sequência de tocar umas músicas juntos num bar do Porto decidimos formar uma banda. Essa banda chamava-se Genius Loki e ainda lançou 2 EPs antes de terminar e seguirmos cada um com as nossas vidas. Ali por volta de 2010 comecei a trabalhar num novo disco e lembrei-me de convidar a Catarina para cantar. A magia foi instantânea e rapidamente esse disco passou a ser um projecto dos dois.
Catarina: Na verdade nós juntamo-nos antes de Best Youth, a aventura começou por uma necessidade e brincadeira… Havia um bar no Porto que tinha noites temáticas e palco aberto para quem quisesse tocar, numa dessas noites o tema foi “Divas” , o Ed e mais uns amigos nossos que já tinham participado, se queriam voltar ao palco tinham de arranjar uma “diva” e foi aí que o Ed descobriu que eu cantarolava e até gostava de o fazer ;) Depois disso, é história!
Best Youth surgiu de um projecto a solo do Ed, que me convidou para cantar numa música mas rapidamente percebemos os dois que seria impossível ficar-me só por uma e daí acabou por surgir o nosso primeiro EP “Winterlies” e claro está, Best Youth
Duo Best Youth @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
headLiner (Edgar): Passaram 13 anos desde que os vossos caminhos convergiram e a aventura Best Youth principiou. Musicalmente falando, o que é que cada um de vocês ganhou do outro neste percurso?
Ed Gonçalves: Cada um de nós trouxe referências musicais muito diferentes para Best Youth, isso fez com que tenha havido um trabalho mútuo de perceber qual é a parte do diagrama de Venn que cruza os gostos de cada um que faz sentido explorarmos e um trabalho de auto-análise constante para perceber qual a direção que esse caminho deve tomar. Isso de certa forma molda a forma como ambos evoluímos musicalmente ao longo destes anos. A questão do timbre e da forma de cantar da Kate também me incentivou de certa forma aprender a compor de forma a dar mais espaço à voz e a ser mais “económico” nos arranjos.
Catarina: Sendo que temos gostos musicais bem diferentes, o Ed é mais do rock e electrónica e eu mais do blues, folk e pop, posso dizer que a maior aprendizagem é mesmo a de conseguirmos alinhar as tendências de cada um, sem passar por cima um do outro.
Gostos não se discutem mas no nosso caso alinham-se e tentamos que se complementem e, para mim isso é uma vitória! Tudo o que seja artístico é subjectivo e nós artistas/músicos somos muito sensíveis às nossas influências, sendo que por vezes pode ser difícil arranjar esse meio termos mas, de facto no nosso caso, a coisa mantém-se equilibrada e a cada álbum é aprimorada. Neste último “Everywhen” fomos ainda mais longe, e resolvemos, para além de o compôr, assumirmos a sua mistura e produção e para isso correr da melhor forma, precisámos mesmo de respeitar as realidades musicais de cada um e exacerba-las o melhor possível a favor do que as canções pediam e não, propriamente, daquilo que cada um queria.
Duo Best Youth @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
headLiner (Edgar): Eis agora a pergunta mais cliché desta entrevista, no entanto, é sempre uma curiosidade que os fãs gostam de ter conhecimento. Como surgiu o vosso nome? Qual a história por detrás?
Ed Gonçalves: É uma história muito pouco emocionante. Fizemos uma lista de nomes com combinações de palavras que nos soavam bem e que eram graficamente bonitas e a que nos soou melhor dessa lista foi “Best Youth”. Há um filme chamado “The Best of Youth” do Marco Tullio Giordana que muita gente acha que é onde fomos buscar o nome, mas na verdade só descobrimos depois.
Catarina: Sinceramente de história não tem nada!
Precisávamos de um nome, fizemos uma lista com duas colunas e partimos numa odisseia de associação de palavras. Quando nos apareceu Best Youth pareceu-nos logo familiar, afinal de contas a nossa amizade surgiu na adolescência e a nossa parceria musical, de certa forma, também, por isso fechámos o caderno e assumimos “Best Youth”.
Catarina Salinas no CCOP no Porto em 2019 | mais fotos clicar aqui
headLiner (Edgar e Luís): Nos últimos anos lançaram singles avulso, casos de “Rumba Nera”, “Cool Kids” e mais recentemente “Back With a Bang”. Todos estes temas foram um deleite auditivo o que fez ansiar por uma nova edição discográfica. Finalmente ‘Everywhen’ surgiu no passado dia 19 de janeiro. O que podem dizer sobre o álbum de forma a apimentar a curiosidade e ser irresistível a sua audição? Para quem anda distraído e ainda não o fez, pois claro.
Ed Gonçalves: Diria que o álbum é o culminar de uma linguagem que eu e a Kate temos vindo a desenvolver juntos ao longos dos anos, e que é um disco que fizemos quase sem envolvimento externo, com produção feita por nós e parte da mistura também. É um disco que fala sobre tempo, com bastante auto-reflexão à mistura. Para quem anda distraído, diria: “venham ouvir no que deu 3 anos fechados numa sala a tentar fazer um disco quase sozinhos e a tentar não enlouquecer no processo”.
Catarina: Foi o álbum mais moroso que fizemos até agora e na sequência de uma pandemia foi com o “Everywhen” que nós aprendemos a “perder” tempo, não no sentido do seu desperdício, antes pelo contrário, do seu aproveitamento! Este álbum conseguiu parar o tempo e, nesse sentido, dar-nos espaço para nos entranharmos nas canções e descobri-las de diferentes formas. É um disco de Best Youth que soa a Best Youth, mas com twists pelo meio, seja na escolha dos timbres, nos arranjos, no tipo de canções ou até mesmo na abordagem melódica vocal, que se presta única e exclusivamente a cada canção, como se cada música tivesse uma personagem associada e por vezes até mais do que uma ;)
É uma viagem no tempo e espaço com direito a realidades paralelas, e por isso imperdível para quem o quiser ouvir!
headLiner (Edgar): Concertos em Lisboa e no Porto aconteceram recentemente e apresentaram ao vivo as novas canções. Como sentiram os vossos fãs relativamente aos novos temas?
Ed Gonçalves: Eu pessoalmente, quando o contexto é o certo, gosto muito de tocar canções novas para públicos que ainda não as ouviram. Sinto que as pessoas estão mais atentas e focadas a absorver o momento. Visto de fora parecem sempre menos impactantes que as músicas mais antigas e mais conhecidas (em que há naturalmente mais reação do público) mas gosto muito de ver as pessoas a reagir à música em tempo real: se sorriem, se abanam a cabeça, se estão concentradas, etc. Do que senti em palco , a reação tem sido muito boa. Numa das canções novas percebemos que a reação estava a ser positiva por um motivo até contrário ao que se esperaria: silêncio absoluto na sala. Foi um momento mesmo bonito.
Catarina: O feedback que tivemos foi muito positivo e por vezes até parecia que as pessoas já conheciam algumas das canções novas pela forma como interagiam com elas, num abanar de ombros, no tentar apanhar os refrães na segunda volta, foi uma delícia e soube-nos pela vida sabermos que público estava lá connosco mesmo depois do tempo que estivemos longe das suas realidades.
Catarina Salinas @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
headLiner (Luís): Colaboraram recentemente com The Legendary Tigerman em “New Love”. Já fizeram vários trabalhos colaborativos durante a vossa carreira por isso é fácil concluir que é algo que apreciam. Há mais parcerias em vista? Têm artistas “fetiche” com quem gostariam de colaborar?
Ed Gonçalves: Na verdade, como Best Youth, as colaborações que temos feito são sempre com artistas com os quais sentimos que existe um cruzamento de Universos que faz sentido. Como o nosso projecto já por si é uma espécie de colaboração, não é fácil encaixar outros elementos se não houver essa afinidade já de raíz. Nesse sentido, mais do que artistas para colaborar, gostava de um dia produzir um disco nosso com o James Ford ou com o Nigel Godrich.
Catarina: Sim, apesar de estarmos ultra confortáveis na nossa pele, sabe-nos sempre bem explorar outros mundos, até porque temos artistas incríveis no nosso país e dos quais sabemos que a colaboração vai ser sempre fixe, como a “New Love” com o Tigerman ou a “In the Shade” com o Moullinex, entre outros. E sim, acho que nunca vamos fechar essa porta, até porque tu cresces e aprendes muito nestas colaborações, principalmente quando há tempo dos dois lados para compôr em conjunto e para estarmos juntos, é sempre uma mais valia. Quanto a artistas fetiches, adoraria trabalhar as Haim ou o Sam Evian, e se pudesse escolher um produtor, seria o Rick Rubin ou o Jack Antonoff.
Fugindo agora para uma visão mais abrangente:
headLiner (Edgar): No decurso do ano passado houve uma discussão pública sobre a quota mínima obrigatória de música portuguesa na programação musical das rádios. Passou novamente para os 30%. Nós pensamos que é algo que não faz sentido, há muita qualidade no panorama musical nacional por isso há muita matéria prima para ser dada a ouvir: “O que é Nacional é bom”. Do nosso ponto de vista parece que Portugal é só patriota para o futebol… Como é que vocês vêm esta situação?
Ed Gonçalves: É uma discussão muito complexa em que a parte das quotas da rádio é só uma das questões. Diria que a questão maior é: em Portugal a Cultura em geral é vista como o parente pobre e não existe grande visão nem vontade de mudar isso. Falando de música, muito do que é feito no nosso país tem valor e qualidade para competir com qualquer coisa do mundo, dentro e fora de portas, mas se não chega efectivamente às pessoas como é que elas vão descobrir? O público, sem querer, fica refém de quem tem poder financeiro para garantir que lhes chega.
Catarina: É uma realidade complexa mas para ser sincera parece-me que Portugal ainda não vê a cultura e nomeadamente a música como algo em que se deva investir, não é uma prioridade, é mais uma comodidade que tem como objectivo distrair um público em trânsito. Tirando o fado e, de certa forma, as músicas do mundo e a erudita, que levam o estandarte da cultura musical feita em Portugal além mar, o resto acaba por ser mais residual, a não ser que seja um artista de uma major que que tem meios para o posicionar de uma forma mais incisiva.. Não me interpretem mal, eu acho que deve haver espaço para todos mas esse espaço deveria estar acessível a todos, e ainda não está. E essa para mim é a questão, enquanto continuarmos a associar arte e nomeadamente a música apenas a receitas, sem grande intuito cultural, de facto a diversidade que temos hoje em dia na música portuguesa pode acabar, porque os músicos não têm forma de subsistir ou de investir e deixam de fazer música para trabalharem noutras áreas para, tal como toda a gente, conseguirem pagar as contas. É com tristeza que vejo um país tão pequeno e tão cheio de potencial, tão pouco importado em construir, tal como outros países já o fizeram, um lugar mais equilibrado para os artistas que aqui vivem e contribuem como toda a gente..
Tenho pena que tenha de ser imposta uma cota e que o mínimo seja este mas é assim que vivemos neste país.
Ed Rocha @ 'Sons no Património' em Vale de Cambra em 2023 | mais fotos clicar aqui
headLiner (Luís): Sendo vocês um projeto natural do Porto certamente viveram mais intensamente a questão do Centro Comercial Stop (CC Stop). Qual a vossa visão sobre tudo o que aconteceu?
Ed Gonçalves: Nós vivemos muito o Stop em duas fases distintas da nossa carreira. Em 2003 “construímos” uma das salas de ensaio que ainda hoje estão alugadas. Saímos de lá uns anos mais tarde na sequência de um tiroteio dentro do shopping em que o nosso baterista passou várias horas deitado no chão da sala até deixar de ouvir tiros. Anos mais tarde, durante a fase toda do Cherry Domino tivemos lá uma sala de produção num estúdio e íamos todos os dias para lá trabalhar.
Como disse o Manel Cruz “A grande vantagem do Stop era existir”, o espírito incrível e inigualável que o espaço ganhou ao longo do tempo era o resultado de várias características que fizeram com que, todos unidos pela paixão pela música, os inquilinos fossem desde miúdos com bandas de garagem a salas de aulas e estúdios profissionais. Dessas características, umas das mais importantes eram: era barato, não tinha grandes regras e dava para fazer barulho. Acho que sempre foi claro que era utópico que se mantivesse assim para sempre, que sobrevivendo teria que evoluir para algo diferente. Enquanto lá estivemos assisti a muita vontade e muito esforço dos vários lados da equação para que essa evolução mantivesse o Stop o mais próximo possível do que sempre foi (mais do que acho que a maioria das pessoas tem noção) mas infelizmente as melhores das vontades de todos os lados têm que ser filtradas por questões de burocracia, segurança, legislação, organização interna, etc.
Espero que, qualquer que seja a solução, seja possível manter o Stop “o mais Stop possível”.
Catarina: Nós fomos inquilinos do Stop durante muitos anos e a experiência que tirámos de lá foi sempre positiva e enriquecedora e de facto, o hub cultural e musical que ali se criou é único neste país.
O Stop sempre teve valor, o problema aqui é o estado do edifício em si, que está degradado e que coloca qualquer um que lá “habita” em risco e isso é algo que, eu entendo, que a câmara, tendo hipótese, deve evitar. Para vos ser sincera, discordei com a forma como a câmara fechou o edifício inicialmente, não é assim que se devem fazer as coisas até porque aqui não se tratava de fechar um edifício devoluto sem ninguém, tratava-se de fechar um edifício com pessoas que trabalhavam e contribuíam activamente para o comércio e vida local.
Agora, feita a análise da situação e pelo que percebi, a câmara tentou por várias vezes arranjar uma solução juntamente com a associação que representava os inquilinos, mas devido a questões, que nos ultrapassam, de propriedade entre outras, nunca se chegou a acordo, aliás o Manel Cruz partilhou um post onde explicava essa situação muito bem, sendo que ele fez parte da associação e tentou, juntamente com a câmara agilizar a situação, mas sem grandes efeitos…
Nada aqui é preto no branco e por isso reduzo um pouco a minha opinião a esse limbo, a essa zona cinzenta, onde ambas as partes têm responsabilidades.
Entrevista elaborada por Edgar e Luís, membros fundadores do HeadLiner.
~ Best Youth ao vivo
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“Cherry Domino Club Tour” encerrou na Invicta | Reportagem
Foi na noite em que o país estava virado do avesso, devido às fortes chuvas e ventos, que nos pusemos a caminho da cidade invicta para voltar ao Auditório CCOP. Quando chegamos, fomos recebidos pela música ambiente do britânico Yellow Days com “That Easy”. Desta vez sem direito, naturalmente (digamos), a cadeiras. Uma noite super dançante esperava-nos. Foi com este propósito que os Best Youth chamaram a esta tournée de “Cherry Domino Club”.
À hora prevista, a sala já estava cheia. Mas o concerto começou com um atraso de 20min. Com casacos a condizer, Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas, começaram com a "Midnight Rain" provavelmente em homenagem ao tempo que se fazia sentir fora de portas. Colocaram desde logo a sala a mexer, tal como se previa. Foi com "New Boy New Girl" que trocaram os primeiros passos cúmplices de dança entre ambos. Seguiu-se “Highlights”. Sempre comunicativos com os presentes, houve então lugar aos agradecimentos.
Antes de “Feelings”, Ed Rocha tirou o casaco, levando à brincadeira da sala onde pediam que a Catarina fizesse o mesmo.
Foi o que se sucedeu quando avançaram para “Red Diamond”. Ed Rocha dirigiu-se ao piano e Catarina sentou-se ao seu lado. Catarina Salinas exibiu um belo vestido negro sem costas. Pelo estrondoso aplauso, podemos afirmar que os portuenses escolheram aqui o momento da noite.
Ao compasso de palmas os Best Youth seguiram para "Hang Out", onde foi ligado o retroprojetor. Uma câmara ia exibindo as filmagens ao vivo deste espetáculo.
E qual a melhor música para dançar um belo slow? Foi ao som de "Coincidence", que convidaram os presentes a fazê-lo. Sim, a noite estava quente, bem quente... e a isso convidava. O público não se fez de rogado e respondeu afirmativamente à dupla.
Uma dupla, mas de covers, foi também as músicas que se seguiram. Música do californiano Chris Isaak, "Wicked Game "e da barbadense Rihanna com "Bitch Better Have My Money".
Voltaram ao seu reportório com “Maybe We Can Still Be Friends”, do álbum Highway Moon de 2015. Seguiram-se mais algumas músicas, com grande participação dos incansáveis fãs. Foi neste ritmo, de corpos quentes dançantes, que demos conta que o concerto já caminhava para o final.
Foi então que, antes de "Nightfalls", voltarem a agradecer por esta noite mágica, onde atuaram em casa. Foi aqui que os próprios músicos se deixaram contagiar com o ambiente e com guitarra na mão que Ed Gonçalves saltou fora do palco.
Coube a “When All the Lights Are Down” ser a primeira das derradeiras duas músicas da noite. Houve ainda, no meio destas, agradecimentos à rádio oficial da tour: Antena 3 - que muito tem apoiado a dupla da cidade do Porto – e por ter escolhido o álbum “Cherry Domino” dos melhores de 2018.
Para terminar – e deitar a casa abaixo – escolheram a “Mirrorball”.
No final houve lugar ao habitual convívio com os artistas.
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: clicar aqui
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