PASSANDO POR UMA PERDA E À ESPERA DO BEBÊ ARCO-ÍRIS
Mês passado fiz um post contando sobre a revelação do sexo da baby, e nesse post mencionei sobre o aborto espontâneo que sofri anteriormente.
Vamos aos fatos. Primeiro de tudo, quero contar como meu pensamento era antes de passar por tudo isso.
Na adolescência, os breves momentos em que eu comentava sobre ter filhos, a visão era apavorante, pensava que seria impossível eu querer passar por uma dor que todo mundo falava ser absurda. Aquela frase famosa de que "toda menina sonha em ser mãe" não se aplicava a mim.
Assim que comecei a faculdade, logo em seguida entrei em um relacionamento sério, um namoro em que desde o início eu comentava sobre não querer ter filhos. Passaram-se quatro anos e meu pensamento não mudava: eu simplesmente não queria.
O relacionamento chegou ao fim e eu segui a minha vida, conheci meu atual marido, e muitas coisas das quais eu negava começaram a desabrochar aqui dentro: inclusive a ideia de família e ter filhos. Não vou entrar no tema de relacionamento, mas logicamente tudo que comecei a viver foi diferente e, consequentemente, a ideia de ser mãe começou a passar pela minha cabeça (inicialmente sem planos, afinal, meu marido já tem um filho que hoje está com quase sete anos).
Algum tempo depois, descobri minha primeira gestação. Não vou saber descrever o que senti com a descoberta, mas sei dizer que foi intenso. Infelizmente, três dias depois do exame, eu passei por um sangramento forte e sofri o aborto espontâneo. Dói, de dentro para fora e de fora para dentro. E foi aí que eu desabei. Foi muito fácil para as pessoas ao meu redor falarem que eu tinha que seguir em frente, que eu tinha que superar, que "pelo menos foi no começo" ou que "pelo menos não precisou curetagem", mas quem já passou por isso e quem tem empatia o suficiente sabe que essas palavras não devem ser ditas para quem perde um bebê na barriga. Dos poucos que souberam, quase ninguém teve a palavra de conforto que eu precisava e, na verdade, ninguém em terra poderia me consolar.
Tentei seguir do meu jeito, os dias foram passando, oportunidades de negócios foram surgindo e algumas semanas depois descobri minha segunda gestação. Obviamente o medo tomou conta. Conversei com meu marido e concordamos que dessa vez não contaríamos para quase ninguém assim no começo pois não havia necessidade, somente alguns (bem poucos) da família. E assim foi por um bom tempo (mais ou menos até o quarto mês).
Enquanto a vida além disso ia se seguindo, trabalhávamos muito em um objetivo de negócios, e eu iniciava minha rotina de gestante. O tempo foi passando, fui pesquisando sobre muita coisa, algumas pessoas foram desconfiando, mas ainda assim eu não sentia a necessidade de contar ou me explicar para ninguém. E descobri que na verdade foi melhor assim.
Todo mundo passa por mudanças na vida, inclusive de pensamento, e uma das coisas que ouvi quando decidi contar sobre minha gestação publicamente foi deboches do tempo em que eu não queria. Além, é claro, de questionamentos sobre a minha capacidade.
Ainda assim, com uma montanha russa acontecendo na minha vida, eu sigo aproveitando e curtindo cada momento. Esquecer o passado totalmente ninguém esquece, principalmente uma perda dessas. E não vou negar que tenho criado uns medos e umas paranoias referente à gestação, mas são coisas que eu lido e não atrapalho ninguém.
Estou agora no sétimo mês e sigo numa ansiedade cada vez maior, expectativas e pensamentos que surgem em momentos aleatórios como "caramba, realmente vou ser mãe".
Sigo ansiosa pela chegada do "bebê arco-íris", aquele que vem depois de uma tempestade. Sigo lendo muito, aprendendo muito, e ainda assim, percebendo que tenho muito o que aprender.
Como exatamente passei pela perda? Não sei, só Deus sabe e isso é o que importa. Ele entende meus medos e Ele me dá o suporte diário de que preciso. Só desejo e rezo para que tudo continue correndo bem. E para quem já passou por isso, meus sinceros sentimentos.