NĂŁo sei exatamente o porquĂȘ, mas eu nunca me senti bem em atravessar aquela porta e encarar todas aquelas pessoas lĂĄ fora, na rua. Nem pra comprar pĂŁo. Nem pra levar o lixo pra fora. Eu sou tĂmida atĂ© pra dar âbom diaâ. E fico em casa, entre cobertas, nos sĂĄbados anoite, porque gosto. E mesmo sem ter muito o que fazer por aqui, eu realmente nĂŁo sinto vontade alguma de ir a sete baladas numa sĂł noite. Sinto pena das meninas que bebem a ponto de vomitar na frente de todos. E que beijam todos depois disso. Ă nojento e â mais do que isso â Ă© feio. Eu desconfio que, na maioria das vezes, passo despercebida por onde ando. TambĂ©m nĂŁo devo ser assunto na conversa de ninguĂ©m, nem das pessoas mais maldosas. Isto, Ă s vezes, faz atĂ© com que eu me sinta diferente, pouco interessante. Mas, depois, percebo que as pessoas Ă© que estĂŁo entregues Ă futilidades demais. SĂŁo porcarias demais, o tempo todo. E isto se torna os assuntos prediletos â e cotidianos â delas. Eu, francamente, prefiro reparar no jardim do vizinho e comentar de como suas rosas estĂŁo bem cuidadas ou, simplesmente, nĂŁo dizer nada, a engolir Ă seco qualquer uma dessas porcarias, qualquer uma dessas pessoas e suas conversas vazias. E Ă© por isso, meu senhor, que eu ando escrevendo cada vez mais e me afastando na mesma proporção.