( mulher cis • ela/dela ) Andam por aí uns dizeres da sela de que HELEN WILKES tá em Badlands. Mas quem vai se surpreender? ELA é um(a) PISTOLEIRA WILKES e até que demorou pra chegar por essas bandas. No auge dos seus 40 anos, é DOMINANTE e RANCOROSA, mas também CORAJOSA E ESTRATEGICA, dou fé. Nunca tinha reparado, mas DIAMOND WILKES até bate o retrato com JESSICA CHASTAIN, num acha?
Data de nascimento: 15/01/1856 Local de nascimento: San Antonio, Texas Tipo de personagem: Skeleton (Dona do One Shot Club) Distrito/bairro em que mora: Blackwater Se for Skeleton, indique aqui qual é: Helen Wilkes, da Gangue Wilkes Se fizer parte de gangue, indique qual e a função: Líder Itens iniciais: Um cavalo nível 2 e uma carabina
É claro que você conhece Diamond Wilkes. Com aquele temperamento intenso e uma presença que parece chegar antes da própria dona? Não existe a menor possibilidade de passar despercebida. Sempre há uma resposta atravessada na ponta da língua, uma provocação pronta para ser devolvida e alguém disposto a jurar que cruzou o caminho da mulher mais difícil de Badlands.
Mas conhecer Diamond Wilkes está longe de significar conhecer Helen Wilkes.
Os boatos fizeram esse trabalho por muito tempo. Helen nunca teve o hábito de corrigi-los. Poucos sabem quem ela foi antes de Badlands, não por mistério, mas por escolha, já que informação para ela sempre foi poder. Ela nunca fingiu ser fria ou indiferente. O que Helen protege não são as emoções, mas o acesso a elas. Não se atreve a colocar armas nas mãos de quem possa apontá-las contra si.
A história de Helen Wilkes começa antes mesmo de seu nascimento. Começou quando a terra deixou de responder ao trabalho dos homens. Em meados de 1850, uma grande seca atingiu o território do Texas, o gado morria, as plantações deixavam de produzir e inúmeras famílias de fazendeiros viam anos de trabalho desaparecerem junto da chuva que nunca vinha. Os Wilkes, conhecidos na região de San Antonio por suas terras e criação de gado, também sentiram o peso daqueles anos e foi então que Gideon Wilkes encontrou uma nova forma de manter a fazenda de pé, se a terra já não produzisse como antes, seus filhos iriam produzir.
Helen nasceu em janeiro de 1856, a quarta entre cinco irmãos. Três homens mais velhos, ela logo em seguida e, alguns anos depois, Mandy, a caçula da família. Cresceu cercada pelos cavalos, pela poeira da fazenda e pelos rodeios e assim como os irmãos, foi colocada nas arenas ainda criança. No início, aquilo era quase uma brincadeira, uma forma de ajudar a família enquanto a seca castigava o estado.
Helen adorava aquele mundo, gostava dos rodeios, da adrenalina, da competição e da sensação de conquistar algo por mérito próprio, porém foi justamente isso que lhe custou o amor da mãe. Prudence Wilkes jamais conseguiu aceitar que uma de suas filhas tivesse se tornado aquilo que ela mais temia: uma menina selvagem criada entre bois, cavalos e arenas e, pior do que isso, uma menina que gostava daquela vida. Enquanto Gideon decidia os rumos da família, Prudence se limitou a se conformar, não teve coragem de impedir que Helen fosse colocada nos rodeios, mas conseguiu impedir que Mandy seguisse o mesmo caminho. A caçula cresceu protegida, preparada para ser a filha perfeita e a dona de casa exemplar que Prudence acreditava que uma mulher deveria ser. Helen, por outro lado, foi perdendo a mãe pouco a pouco.
Então veio a Guerra Civil. Enquanto o país se dividia e o Texas se colocava ao lado da Confederação, Gideon fez o que sabia fazer de melhor: lucrar. Pouco lhe importava as bandeiras, discursos ou qualquer senso de patriotismo. A guerra significava mais demanda por gado, cavalos e suprimentos, e ele fez fortuna negociando com quem estivesse disposto a pagar. Os rodeios também ganharam força, atraindo soldados e viajantes, consolidando ainda mais o sobrenome Wilkes naquele meio. O que havia começado como uma forma de sobreviver à seca transformou-se em riqueza e a fazenda voltou a prosperar, o dinheiro circulava novamente e a família já não precisava depender dos rodeios para sobreviver, mas para Gideon, nunca seria suficiente.
Mesmo depois de recuperar tudo o que havia perdido com a seca, os filhos jamais deixaram de competir. O rodeio continuou sendo uma obrigação, nunca existia uma linha de chegada para um homem que enxergava os próprios filhos como investimento. Para o patriarca, dinheiro e poder sempre valeriam mais do que qualquer filho ou ideal. Não havia espaço para descanso, infância ou escolha. Helen continuava amando os rodeios em si, mas passou a odiar tudo o que os cercava, aquilo que um dia lhe trouxe liberdade se transformou na principal ferramenta de controle e tortura do pai.
Conforme crescia, Helen acreditava que a rivalidade com os irmãos fosse apenas implicância normal entre crianças. Ela os admirava, os seguia e chegou a acreditar que seria sempre protegida por eles. Essa visão começou a ruir quando passou a vencê-los. Helen era tão boa quanto os irmãos e, em determinado momento, se tornou melhor do que eles. Foi então que descobriu que suas vitórias nunca seriam suficientes, sempre havia algo que precisava melhorar, ajustar ou justificar, se vencia de qualquer um deles, era porque eles estavam em um dia ruim ou porque ela teve sorte. Nenhum deles conseguia admitir que a irmã simplesmente era mais habilidosa, Helen percebeu que os irmãos só eram bons enquanto acreditavam ser melhores do que ela e, quando deixou de ocupar esse lugar inferior, o carinho deu espaço ao ressentimento entre a relação deles.
Em meio àquela casa, Mandy sempre foi sua favorita. Cinco anos mais nova, cresceu protegida da vida que consumiu Helen. Enquanto a irmã mais velha passava os dias entre arenas, cavalos e cobranças, a caçula era preparada para cumprir todas as expectativas de Prudence. Helen nunca invejou esse destino. Pelo contrário, sempre acreditou que o fardo de Mandy era apenas diferente do seu. Se Helen havia sido criada para montar, competir e gerar lucro, Mandy era preparada para ser a esposa perfeita, submissa a um marido escolhido pelo pai. Para Helen, aquilo também era uma prisão. Mandy era a única pessoa naquela casa que fazia Helen acreditar que ainda existia alguma coisa boa para preservar.
Aos dezenove anos, já não restava muito que a prendesse àquela família e aquele lugar, o senso de autopreservação foi maior do que qualquer motivo que pudesse fazê-la ficar. O pai enxergava apenas lucro, os irmãos jamais aceitariam que ela fosse melhor e a mãe havia escolhido fingir que ela não existia. Helen odiava aquela casa, mas, acima de tudo, odiava a vida que haviam decidido por ela. Então fez aquilo que seus irmãos e pais jamais a perdoariam por ter feito, roubou parte do dinheiro da família e fugiu de San Antonio. Era dinheiro conquistado nas arenas, fruto das vitórias que ela mesma ajudou a conquistar e das quais o pai sempre fez questão de tomar posse. Naquela noite, Helen partiu com o dinheiro e um dos seus cavalos favoritos e com a promessa de que voltaria quando tivesse construído uma vida de verdade, voltaria apenas para buscar Mandy e lhe oferecer algo que jamais existiu entre os Wilkes: liberdade.
Quando deixou San Antonio aos dezenove anos, Helen não fazia ideia do que estava fazendo. Sabia montar melhor do que a maioria dos homens que conhecia, tinha uma mira invejável e coragem de sobra, mas descobriu rapidamente que nenhuma dessas qualidades impedia alguém de morrer com um tiro nas costas. Como tantos outros forasteiros, acabou chegando a Badlands, uma cidade que vivia de segundas chances. Enquanto muitos tentavam abrir um comércio ou reconstruir a própria vida, Helen tentava apenas sobreviver.
Ser caçadora de recompensas pareceu o caminho mais lógico, era um trabalho que pagava bem para quem acertasse o alvo antes de ser acertado. Na prática, descobriu que coragem não substitui a experiência. Ainda era apenas uma garota de dezenove anos, impulsiva, orgulhosa e convencida de que conseguiria resolver tudo sozinha. Colecionou derrotas, caiu em emboscadas, perdeu recompensas e apanhou muito mais do que gostava de admitir. Ainda assim, se recusou a desistir. Sempre foi de aprender rápido, era obstinada e possuía uma coragem quase inconsequente, se sobrevivia a um erro, fazia questão de nunca cometê-lo duas vezes. Permaneceu nessa vida por cerca de cinco anos, e foi durante uma dessas caçadas que seu caminho cruzou com o de uma pequena gangue liderada por Erasmus Callahan. O plano inicial era simples: arrancar a cabeça do velho e entregá-la em troca da recompensa. Felizmente para os dois, Erasmus enxergou potencial antes de enxergar uma ameaça. Sua gangue estava longe de ser uma das mais perigosas de Badlands, eram poucos homens vivendo de pequenos assaltos, escoltas ilegais, cobranças e serviços para quem pagasse o suficiente. A recompensa pela cabeça de Erasmus também não impressionou ninguém. O que lhe faltava em fama, porém, sobrava em experiência, e contra a vontade de alguns dos seus, decidiu poupar a garota que tinha acabado de tentar matá-lo.
Nos primeiros anos, Erasmus insistia em chamá-la de "criança" ou "garota", o que rendia discussões, já que Helen jamais aceitou ser tratada como inferior, muito menos por um velho ranzinza que fazia questão de provocá-la sempre que podia. Ainda assim, ele foi quem lhe ensinou que sobreviver dependia menos de sacar a arma primeiro e mais de saber quando usá-la. Foi com ele que aprendeu a observar antes de agir, a negociar quando valia a pena e a entender que informação podia valer mais do que um revólver carregado. Com o tempo, a relação mudou, Helen deixou de ser apenas uma jovem inconsequente e passou a ser tratada de igual para igual: virou companheira de uísque, de tiroteios, de gangue e, acima de tudo, alguém cuja opinião Erasmus fazia questão de ouvir.
Os anos ao lado de Erasmus também lhe permitiram consolidar algo que Helen jamais imaginou conquistar sozinha: o One Shot Club. Até hoje, quase ninguém sabe ao certo o que aconteceu com o antigo proprietário ou como os dois conseguiram colocar aquele lugar nas mãos dela. Os boatos são muitos, mas Helen nunca fez questão de confirmá-los. A verdade é que aquela conquista foi dela. Erasmus abriu caminhos, negociou quando foi preciso e insistiu que o estabelecimento fosse registrado no nome de Helen, desde que ela provasse ser capaz de sustentá-lo.
Enquanto seguia vivendo como pistoleira da gangue e realizando os trabalhos que apareciam, Helen transformou o One Shot Club no seu lugar. Aos poucos, o velho estande deixou de ser apenas um lugar para treinar pontaria e passou a reunir pistoleiros, caçadores de recompensa, mercenários e gente procurando alguém disposto a resolver um "servicinho" bem remunerado. Sem perceber, Helen deixou de ser apenas uma pistoleira comum e começou a construir uma reputação própria.
Colecionou inúmeras brigas com os outros membros da gangue. Nunca foi boa em ficar calada e muito menos em aceitar ser diminuída. Ainda assim, suportava aquela vida porque Erasmus fazia aquele lugar parecer um lar. Foi ao lado dele que consolidou sua reputação e encontrou alguém que nunca confundiu seu temperamento explosivo com deslealdade. Não admite com facilidade, mas Erasmus foi a segunda pessoa mais importante de sua vida. Às vezes, um velho pistoleiro vale muito mais do que um fazendeiro que passou a vida pregando de bom moço.
Devido a “estabilidade” da vida ao lado da nova gangue, Helen decidiu cumprir a única promessa que realmente importava. Voltou para San Antonio acreditando que, finalmente, tinha algo para oferecer à irmã além de esperança. Encontrou Mandy, mas encontrou também alguém muito diferente da menina que havia deixado para trás; a caçula olhou para a irmã com profundo desgosto. Para Mandy, Helen havia se tornado exatamente aquilo que a mãe sempre temera: uma criminosa, uma mulher vivendo entre armas, homens e violência, uma completa selvagem. Não recusou apenas o convite para partir, recusou a própria Helen. Helen compreendeu de onde vinha aquela reação, mas isso não diminuiu a dor. Voltou para Blackwater sozinha, carregando a rejeição da única pessoa por quem jamais deixou de lutar. Erasmus foi quem permaneceu ao seu lado quando ela voltou. Não tentou convencer Helen de que Mandy estava errada nem de que um dia mudaria de ideia, apenas abriu uma cerveja, sentou ao seu lado e ficou. Às vezes, aquela era a única forma de consolar alguém como Helen Wilkes.
Foram anos de discussões, cervejas, tiroteios, confusões e boas risadas. Helen brigava com metade da gangue em uma semana e dividia uma garrafa de uísque com a outra metade na seguinte. Não era uma vida tranquila, mas era uma vida que, pela primeira vez, fazia sentido para ela. Foi justamente por isso que, quando Erasmus foi assassinado, não perdeu apenas um companheiro de gangue, perdeu a única pessoa que havia conseguido fazer a vida ser suportável. Até hoje, Helen acredita que ele foi morto de forma covarde, em uma emboscada, para ela, o velho jamais teria perdido em uma luta justa.
O que mais a destruiu, porém, não foi apenas o assassinato de Erasmus, mas a reação da própria gangue. Ninguém quis vingá-lo, preferiram seguir a vida como se um dos seus nunca tivesse existido. Para Helen, aquilo foi imperdoável. Uma gangue que abandona um dos seus deixa de ser uma gangue e passa a ser apenas um grupo de covardes dividindo o mesmo acampamento.
Ela foi atrás do responsável sozinha e só considerou sua dívida com Erasmus paga quando o envolvido estava debaixo da terra. Depois disso, permaneceu na gangue apenas pelo tempo necessário, não tomou nenhuma decisão movida pela raiva, Helen soube esperar. Durante meses fingiu que nada havia mudado, observou cada passo dos companheiros e aguardou pacientemente a oportunidade perfeita.
Sem o velho amigo, Helen voltou a ocupar o lugar de ser constantemente menosprezada dentro da própria gangue. Às vezes, bastava que um homem repetisse exatamente o que ela havia dito minutos antes para que a proposta finalmente fosse considerada brilhante. Seus acertos nunca eram reconhecidos por mérito próprio; sempre existia uma desculpa conveniente, era sorte, coincidência ou algum golpe do destino. O que, seguindo essa lógica, tornava Helen uma das pessoas mais “sortudas” de Badlands.
Quando a oportunidade surgiu, Helen não hesitou. Negociou a localização da gangue em troca da própria liberdade, armou uma emboscada e desapareceu antes que descobrissem quem havia entregado todos eles. Alguns morreram, outros foram presos e poucos conseguiram escapar. Helen nunca se arrependeu, traiu porque deixou de acreditar neles. Na sua cabeça, a lealdade havia sido quebrada muito antes, no momento em que decidiram abandonar Erasmus. Depois daquele dia, deixaram de ser companheiros, tornaram-se apenas mais um obstáculo entre ela e a vida que pretendia construir.
Foi nesse mesmo ciclo de perdas e rupturas que a ideia começou a se consolidar: um mundo onde ela não precisaria mais depender da validação de ninguém.
Sua personalidade intensa, dominante e explosiva nunca a impediu de responder à altura. Helen nunca foi do tipo que abaixava a cabeça. Ainda assim, era inteligente, sabia que comprar uma briga todos os dias era uma forma rápida de acabar enterrada. Aprendeu cedo que vencer uma discussão nem sempre significava vencer a guerra, e que escolher os próprios inimigos também fazia parte de permanecer viva. Durante muito tempo suportou aquele ambiente porque havia ao menos uma pessoa disposta a enxergar sua competência. Depois da morte de Erasmus, essa exceção deixou de existir e foi exatamente isso que mudou tudo.
A Gangue Wilkes não nasceu imediatamente. Depois da emboscada que armou contra a antiga gangue, Diamond Wilkes passou um tempo nas sombras, administrando o seu clube de tiro e, em torno de cinco anos atrás, reuniu o suficiente para fundar as Wilkes. Elas foram estruturadas em torno de uma regra simples: ali, competência vale mais do que qualquer hierarquia de gênero ou influência social.
Isso, porém, não significa que Helen aceite qualquer uma. Muito pelo contrário. Ela não tem paciência para incompetência, covardia ou sentimentalismo quando a sobrevivência está em jogo. Cada pessoa ali é medida pelo que consegue fazer quando as coisas dão errado. A Gangue Wilkes nunca foi construída sobre amizade, mas sobre confiança, competência e objetivos em comum. E, claro, Helen não tolera desrespeito dentro daquilo que construiu. É a sua gangue e, se alguém pretende continuar com a cabeça no lugar, é melhor nunca esquecer disso.
Em Badlands, isso já não é apenas uma frase dita em tom de ameaça, mas um fato aprendido na prática. Diamond Wilkes não precisa se anunciar nem provar constantemente o que é capaz de fazer. O próprio nome já cumpre esse papel. Quem insiste em vê-la como menor geralmente não tem tempo suficiente para perceber o erro e, quando percebe, já é tarde demais.















