Berdly slam race

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Berdly slam race

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Oi, você pode fazer um de jogador de basquete?
BIOS:
「 … 」⠀𝐁𝐋𝐀𝐂𝐊𝐖𝐎𝐎𝐃⠀ ݂ 🏀꯭⸃ ꯭⠀𝖕꯭⎯꯭𝗈𝗂𝗇𝗍𝗀𝗎𝖺𝗋𝖽⠀ܳ⠀⸙⠀݁☾ 𓈒
@sportyuser⠀݂⠀.⋆𖤓⠀𝐫𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬⠀✱⠀𝕯꯭〶૨𝟦⠀𝝣
𝖼𝗂𝗍𝗒𝗅𝗂𝗀𝗁𝗍𝗌 𝚲⠀ִ ࣪𖣯⠀݂⠀𓆩⠀capt.⠀◌⠀⸜⠀𝕳⎯𝖬𝖤𝖠𝖳𝖧𝖤𝖱
「 … 」⠀𝐖𝐄𝐒𝐓𝐂𝐋𝐈𝐅𝐅⠀ ݂ 🏀꯭⸃ ꯭⠀𝖘꯭⎯꯭𝗆𝖺𝗅𝗅𝖿𝗈𝗋𝗐𝖺𝗋𝖽⠀ܳ⠀⸙⠀݁☾ 𓈒
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𝗇𝗂𝗀𝗁𝗍𝖽𝗋𝗂𝗏𝖾𝗌 𝚲⠀ִ ࣪𖣯⠀݂⠀𓆩⠀mvp⠀◌⠀⸜⠀𝕯⎯𝖱𝖤𝖠𝖬𝖲
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𝐂𝐈𝐓𝐘̲𝐋𝑰̶𝐆𝐇𝐓𝐒
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A LENDA!
Hoje não é dia de luto…💭
É dia de respeito a uma lenda!
Oscar Schmidt mostrou ao Brasil que talento se constrói com treino, garra e coração.
“Você pode até perder um jogo, mas nunca pode perder a vontade de vencer.” 🇧🇷🏀💭
📍Linear
Essa capa é dedicada ao meu amor, vou deixar o link de fanfinc, caso tenham interesse.
📅 data: 02.04.26
INDISPONÍVEL
USO PESSOAL
https://www.spiritfanfiction.com/historia/linear-slam-dunk-sakurawa-26662346
Oscar Schmidt (1958-2026)
"Mão Santa" Jogador de 🏀🇧🇷

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❤️🔥🤓🖤
Old photo of Nicholas Braun at a charity basketball game (2016)
Photography
Babel
Sou apaixonado por mitologia desde criança. Aos 7 anos, ganhei um par de livros de presente da minha mãe, um contando histórias da mitologia grega, como os 12 trabalhos de Hércules e a caixa de Pandora, e o outro sobre a Ilíada e a Odisséia, ambos em forma de quadrinhos. Fui conquistado imediatamente. Conforme fui ficando mais velho, expandi meu interesse para além do mundo clássico. Aprender mais sobre os mitos nórdicos, egípcios, hindus, persas e japoneses virou algo tão importante para mim quanto saber meu CPF ou o nome dos Pokémons das primeiras quatro gerações. Histórias mitológicas me encantam de uma forma que não consigo colocar direito em palavras. Algo nessas narrativas fantásticas me faz ficar fascinado com a criatividade humana, com a enorme variedade de maneiras de entender e explicar o mundo. Bom, uma das razões pelas quais decidi começar a escrever foi simplesmente porque eu queria discorrer sobre essas histórias, como bom nerd que sou, mas precisava traçar algum paralelo, do contrário, bastaria eu indicar algum link da saudosa Wikipedia e deixar que vocês se virassem. Esse paralelo é o mundo dos esportes, outra grande paixão que possuo. Juntar as duas coisas pode parecer algo um tanto bizarro, mas quem liga? Decidi escrever este texto para refletir, à minha maneira, sobre uma história que ultimamente tem ocupado meus pensamentos.
Tenho um grande interesse artístico sobre a Bíblia. Algo no modo como ela é escrita e nas histórias contidas nos seus 73 livros desperta minha curiosidade. A história da vez é a da Torre de Babel. Para quem não está ciente, no livro do Gênesis, é narrada a história de um povo monolíngue que decidiu construir uma torre “cujo cume tocasse os céus”. Deus então destrói a torre e “confunde” a língua dos humanos “para que um não entenda um a língua do outro”, essa sendo a explicação mitológica contida na Bíblia do porquê as pessoas falam idiomas diferentes. Tudo muito belo, tudo muito educativo, mas cadê o drama? A realidade é que essa história não dura nem 5 versículos, é muito curtinha. Então, teoricamente, não há muito o que falar sobre ela. Acontece que fui tomado por uma intriga de certa infantilidade. Afinal, quão grande era essa torre? A única referência que temos é a passagem supracitada neste parágrafo: “cujo cume tocasse nos céus”, então vou arriscar um palpite e chutar que seja algo maior que o Burj Khalifah, que possui 828 metros, alto pra caramba. Confesso que, embora ache minha imaginação fértil, tenho dificuldade em visualizar algo tão grande sendo feito, ainda mais sendo destruído. Por sorte, existiu alguém que conseguiu fazer com maestria aquilo que julguei ser praticamente impossível.
"A Pequena Torre de Babel", por Pieter Bruegel - 1563.
O artista holandês Pieter Bruegel pintou esse belíssimo quadro, ironicamente chamado “A Pequena Torre de Babel”. Na primeira vez que me deparei com a obra, fiquei espantado. Para começo de conversa, a riqueza de detalhes é incrível. Com um olhar atento, é possível perceber casinhas mais ao fundo, além dos diferentes tipos de navios e barcos, as pessoas trabalhando na construção dessa colossal torre, que, de tão enorme, já começa a atravessar as nuvens. Mais do que a técnica, o que me impressiona mais nesse quadro é a sensação de magnitude da torre. Só de olhar, já é possível entender que a Torre de Babel era muito, muito, MUITO grande, com o adendo de que ela ainda estava em construção.
"A Grande Torre de Babel", por Pieter Bruegel - 1563.
No outro quadro de Bruegel, a “Grande Torre de Babel”, é possível perceber em primeiro plano um grupo de pessoas rodeando um camarada com capa branca. Presume-se que esse sujeito seja Ninrode, o rei que ordenou a construção da Torre de Babel como forma de desafio à Deus. E que desafio! A história da Torre de Babel, além de ser uma explicação para as diferentes línguas faladas no mundo, contém uma lição de moral. Por sua arrogância em desafiar Deus, em construir algo tão colossal, tão incrível, com o expresso propósito de invadir território divino e fazer pouco caso da autoridade celestial, a humanidade foi castigada. Uma obra assim era grande demais para dar errado, mas quis Deus que desse. A imagem de uma torre enorme sendo destruída perdurou ao longo dos séculos como uma alegoria para as consequências da ambição e arrogância, mais famosamente aparecendo na carta de tarô “a Torre”, cuja ilustração é justamente a Torre de Babel. É interessante que os quadros de Bruegel retratem uma Torre inacabada. Já sabemos como essa história termina há séculos. Então, a obra nos convida a apenas, por um momento, admirar a Torre e perguntar “como será que esse treco seria quando estivesse finalizado?”. Acontece que o mundo dos esportes já teve algumas torres de Babel, times tão grandiosos e magníficos que não tinham como dar errado, mas alguma coisa, chame de azar, coincidência ou intervenção divina, colocou um ponto final neles. Como estamos falando de torres altas, nada mais apropriado que falar sobre o esporte dominado por gigantes: o basquete.
Se há um esporte feito para gente alta, esse é o basquete. Embora pessoas possam argumentar que o vôlei também é praticado principalmente por atletas altos, vale lembrar que a função de líbero, muito importante na modalidade, é a tábua de salvação para os “baixinhos” que querem se aventurar nas quadras. Então ainda há gente de estatura menor jogando profissionalmente. No basquete, raríssimas são as vezes que Davi derrota Golias. Vez por outra, surgem beemotes e leviatãs causando caos em quadra, como Wilt Chamberlain, que marcou 100 pontos num jogo, e Kareem Abdul-Jabbar, maior cestinha da história da NBA até pouquíssimo tempo atrás. Ambos jogadores tinham mais de 2.15m de altura e eram literalmente indefensáveis. A única pessoa capaz de deter um era o outro, e o que sobrava para o público era se admirar com esses duelos de proporções bíblicas que ocorriam constantemente durante os anos 70. Isso é tudo muito incrível, mas estou falando de jogadores isolados e, como sabemos, o basquete é um esporte coletivo. Vejam: se tem algo que escuto direto ao longo da minha vida como fã da bola laranja é que os deuses do basquete exigem respeito e que eles não gostam nem um pouco de quem tenta tornar o jogo injusto. Vocês podem estar pensando: “Que monte de besteira, não existem deuses do basquete e nem de qualquer esporte!”. Eu não os culpo, também pensei assim antes. Contudo, a presença deles se faz notar nos pequenos momentos: um arremesso improvável que cai, uma bola que bate várias vezes no aro e entra, um lance livre desperdiçado após uma marcação errônea de falta (“a bola não mente” é um dos mantras dos adeptos do basquetismo). Para quem ainda duvida da relação dos esportes com o divino, vale lembrar que os povos astecas jogavam bola como maneira de se ligar com os seus deuses. O ponto é: a quadra é sagrada, e certas regras não escritas devem ser seguidas, especialmente quando o assunto é montar os times.
Kareem-Abdul Jabbar tentando um arremesso, marcado por Wilt Chamberlain.
Entende-se que um bom jogo de basquete, e de qualquer modalidade, para ser sincero, é parelho, com equipes de níveis semelhantes. Assim, há a emoção de não saber quem vai vencer até o final, com o resultado sendo decidido por quem consegue atuar melhor nos momentos decisivos. A palavra-chave aqui é competitividade. Se não há competitividade, o jogo deixa de virar jogo e passa a ser humilhação ou, nos piores casos, massacre. Por anos, os responsáveis por montar os times na NBA respeitavam o princípio da competição, muito porque os próprios jogadores se recusavam a unir forças com rivais para ganhar títulos. Se não fosse contra os melhores, os anéis de campeão valeriam tanto quanto buzina em avião. Entretanto, pouco a pouco, o panorama foi mudando. Dirigentes queriam porque queriam construir mais do que times, almejavam criar constelações.
Pode-se argumentar que a primeira tentativa de montar um “supertime” foi na temporada 2003-2004, quando o Los Angeles Lakers, que contava “apenas” com Kobe Bryant, o mais próximo de Michael Jordan em termos de estilo de jogo, e Shaquille O’Neal, possivelmente o pivô mais avassalador da história do esporte, acrescentou outros 2 grandes astros. Gary Payton, defensor implacável e responsável por “frear” Jordan, e Karl Malone, ala-pivô eleito duas vezes o melhor jogador da liga e uma das maiores ameaças no garrafão.
Da esquerda para a direita: Kobe Bryant, Karl Malone, Shaquille O'Neal e Gary Payton.
Imediatamente, a previsão dos especialistas era a de que o Lakers fosse atropelar quem quer que fosse e sagrar-se campeão com facilidade, afinal, olha esse time! Não tinha como dar errado. Pelo menos, foi o que todos pensaram, até os problemas tornarem-se aparentes. Kobe e Shaq passaram os últimos anos numa briga pelo posto de “dono” do time, o grande responsável pelas cestas. Ambos possuíam personalidades opostas. Shaq era mais emotivo, brincalhão e pouco dedicado nos treinos, e Kobe era extremamente sério e obcecado por vencer. Piorando a situação, Bryant perdeu jogos da temporada para responder a um processo em que fora acusado de estupro, o que tirou a concentração do time em momentos-chave. A cada partida, ficava evidente que o tão esperado super time não iria decolar como todos imaginavam. Além das brigas entre os 2 maiores astros e os problemas judiciais, Payton e Malone estavam na curva descendente de suas carreiras e não rendiam como nas temporadas anteriores. O primeiro não se adaptou ao esquema tático do treinador Phil Jackson, já o segundo sofria constantemente com lesões. Por maior e imponente que a torre aparentasse ser, ela estava tremendo e só faltava cair. Apesar de todos os problemas que mencionei, o Lakers conseguiu chegar às finais da NBA pura e simplesmente porque os indivíduos vestindo dourado e roxo eram tremendos jogadores de basquete. Seu oponente seria o Detroit Pistons, time que, ao contrário dos californianos, não estava repleto de estrelas e contava com a força de seu coletivo para vencer. Em outras palavras, o bom e velho “poder da amizade”. Numa série melhor de 7 partidas, os Pistons surpreendentemente passaram o trator, vencendo em 5 jogos. Após as finais, Phil Jackson entregou o cargo; Shaq foi trocado para o Miami Heat; Payton foi enviado para o Boston Celtics, e Malone aposentou-se, restando apenas Kobe Bryant nos escombros dessa torre que, embora parecesse alta, foi construída com tijolinhos cheios de rachaduras. Essa temporada do Lakers pareceu ser feita sob medida para demonstrar por que os super times não dão certo, quase como se os deuses do basquete mostrassem quais as consequências de desrespeitar a ordem natural das quadras. Contudo, a humanidade demonstrou várias vezes ser teimosa, e logo uma nova torre estava prestes a ser erguida.
Para falar dos times a seguir, é necessário contextualizar algumas coisas. Primeiramente, este é Lebron James.
Capa da revista Sports Illustrated de fevereiro de 2002.
Lebron foi apontado como possível sucessor de Michael Jordan desde quando era um aluno do Ensino Médio. A capa da revista diz tudo: ele era “o escolhido”, e por um bom motivo. Lebron joga muita bola, e utilizo o verbo jogar no presente, pois ele segue jogando em alto nível até hoje, com seus 41 anos de idade. A questão é que Lebron foi selecionado pelo Cleveland Cavaliers, time do seu estado, Ohio, e de imediato tornou-se a esperança de glória para uma equipe medíocre. Não é exagero dizer que Lebron James tornou o Cavaliers uma equipe relevante praticamente sozinho. O homem conseguiu levar o time para as finais da NBA em 2007 sem grandes coadjuvantes, apenas na força do ódio. Porém, como uma andorinha só não faz verão, Lebron passou longe de conquistar títulos. Frequentemente dava de cara com o Boston Celtics que, com o seu Big Three de Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett, impedia-o de avançar na pós-temporada pura e simplesmente porque era um time melhor. Após 7 anos tentando levar o Cleveland Cavaliers para a terra prometida e sofrendo críticas pesadas por não conseguir, Lebron cansou de não ter um time à sua altura para brigar pelo título e optou por sair. É aí que a próxima torre começa a ser construída.
Em 2010, Lebron anunciou a decisão de qual seria sua próxima equipe num especial de TV apropriadamente chamado “A decisão”. Após vários minutos de lero-lero (o programa durou 1 hora e 15 minutos), James proferiu a agora imortal frase “estou levando meus talentos para South Beach”, o que queria dizer que ele iria juntar-se ao Miami Heat. Lebron uniu forças com Chris Bosh, um dos melhores e mais técnicos pivôs da liga, e Dwayne Wade, ala-armador explosivo e campeão com o próprio Heat em 2006. A apresentação do Big Three de Miami parecia um show de rock de tão grandiosa. Ao contrário do Lakers, sobre o qual falei anteriormente, o Heat montou um time cujos principais astros estavam entrando nos seus auges. A confiança logo evoluiu para a arrogância durante a apresentação, quando Lebron previu que o Heat ganharia “não 1, não 2, não 3, não 4, não 5, não 6, não 7…” títulos.
Lebron James, Dwayne Wade e Chris Bosh sendo humildes na apresentação.
Durante a temporada regular, o Heat mostrou que não estava para brincadeira, vencendo com autoridade seus rivais e, chegando às finais da NBA, contra o Dallas Mavericks, liderados pelo ala-pivô alemão Dirk Nowitzki. Contrariando as expectativas de praticamente toda a comunidade do basquete, os Mavs venceram as finais em 6 jogos. Lebron foi o destaque negativo, parecendo às vezes receoso de atacar a cesta. Um momento marcante dessa série foi quando não partiu pra cima do armador J.J Barea, quase 30cm mais baixo. A derrota acendeu um alerta para o time da Flórida, e, após colocarem as cabeças no lugar, conquistaram 2 títulos seguidos: em 2012, contra o Oklahoma City Thunder de Kevin Durant (guardem esse nome) e Russell Westbrook, e em 2013, contra o San Antonio Spurs de Tim Duncan e Kawhi Leonard (guardem esse nome também; o negócio fica muito bom). Em 2014 houve a revanche entre Heat e Spurs e, dessa vez, San Antonio levou a melhor. Após as finais, Lebron voltou para o Cavaliers, não cumprindo a promessa inicial de títulos em profusão e desmanchando o super time de Miami. Vocês devem estar se perguntando “Cadê a desgraça nessa história? Tudo terminou muito tranquilo! Tá tudo muito feliz para o meu gosto!”. Pois em 2013 entrou em cena uma nova tentativa de supertime, e essa deu o que falar.
Enquanto o Miami Heat tacava o terror na NBA, o Los Angeles Lakers chegou à conclusão de que era necessário combater fogo com fogo. De alguma maneira, iriam montar um time capaz de enfrentar Lebron James e seus compadres. Kobe ainda permanecia na equipe, dessa vez acompanhado de Pau Gasol, ala-pivô espanhol e fiel escudeiro de Bryant. Unindo-se a eles em 2013 estavam Steve Nash, armador famoso pela excepcional visão de quadra e eleito duas vezes melhor jogador da liga, e Dwight Howard, pivô incrivelmente forte e dominante perto da cesta. Treinando essa equipe estava Mike D’Antoni, que prezava pelo jogo veloz e ofensivo. Juntar todos esses caras num só time parecia bom demais para ser verdade. No videogame, escolher esse time do Los Angeles era apelação, não tinha como marcar todos esses craques. Só uma tragédia impediria o time californiano de fazer frente ao Miami Heat.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Capa da revista Sports Illustrated de outubro de 2012
Logo na segunda partida da temporada, Nash trombou com Damian Lillard, armador do Portland Trail Blazers, e fraturou a perna. Dwight Howard não conseguia de jeito nenhum se entrosar com os companheiros, quase como se falasse um idioma diferente ao dos colegas em quadra. Kobe rompeu o tendão calcâneo (conhecido mais famosamente como tendão de Aquiles) e ficou fora por meses que pareciam durar anos. Na temporada seguinte, Howard se escafedeu para o Houston Rockets, e o que sobrou no Lakers eram jogadores com todas as lesões humanamente possíveis e os farelos de um sonho de título. Em poucas partidas, os torcedores viram sua gloriosa torre não só ruir, mas pegar fogo, pois os próximos anos foram da mais pura ruindade, tornando a despedida de Kobe Bryant das quadras ainda mais melancólica. Por mais que o Black Mamba fosse um devoto dos deuses da bola laranja, estes decidiram castigar a franquia californiana por ousar tentar romper com o equilíbrio da liga.
A história a seguir é a última, e nela está o mais claro exemplo de intervenção divina nas quadras de basquete. Lembro de tudo como se fosse ontem. Em 2016, o Golden State Warriors, time do incrível Stephen Curry, venceu 73 partidas de 82 na temporada regular e entrou nos playoffs como franco favorito. No caminho rumo às finais, conseguiram derrotar de virada o Oklahoma City Thunder, que tinha aberto uma vantagem de 3x1 na série (em outras palavras, o Thunder tinha 4 oportunidades para vencer um jogo e não conseguiu). Na grande final, Curry e companhia tiveram uma revanche contra o Cleveland Cavaliers de Lebron James. Foi a vez do Warriors abrir 3x1 e tomar a virada, numa série cheia de momentos épicos e uma das mais memoráveis de todos os tempos. Vendo pela TV, senti meu coração quase saltar pela boca. Um dos melhores times de todos os tempos, que massacrava seus adversários com uma avalanche de cestas de 3 pontos, perdeu de virada. Testemunhei a história sendo feita, mas mal eu sabia que poucos dias depois viria a idade das trevas da NBA.
Kevin Durant prestes a tornar basquete inassistível.
Kevin Durant, um dos melhores jogadores de basquete do planeta Terra, certamente um dos mais próximos do nível de Lebron James, achou de bom tom se juntar ao Golden State Warriors, time que, se você usou seus olhinhos para ler cuidadosamente o parágrafo anterior, venceu 73 jogos - a título de curiosidade, o melhor time do Chicago Bulls de Michael Jordan venceu 72 - e derrotou o seu Thunder para ir até as finais. A reação imediata de qualquer pessoa não torcedora dos Warriors foi desgosto. Por falta de expressão melhor, Durant virou um cachorro manso. A razão de ele ter se juntado à Golden State era muito simples: o time era o melhor da liga, e ele queria títulos. Assinando aquele contrato, Durant perdeu sua honra como competidor ao aliar-se àqueles que o venceram. Poxa, isso não se faz, especialmente não quando se é UM DOS MELHORES JOGADORES DO MUNDO! Me senti na obrigação de assistir aos jogos quando passassem na TV com o único propósito de torcer contra esse atentado à dignidade do esporte. Por isso que me dói muito no coração dizer que testemunhar esse time dos Warriors com a adição de Durante foi uma das experiências mais mágicas que tive acompanhando qualquer modalidade coletiva. O quinteto titular de Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala, Kevin Durant e Draymond Green fazia chover cestas de 3 pontos como se fosse fogo e enxofre caindo dos céus, reduzindo seus rivais a pilares de sal. Era lindo ver aquele time jogar. A movimentação sem a bola, o jogo coletivo, a mira impecável, aquele time me causava nojo e admiração simultaneamente. Eu sabia que o que eu estava vendo não deveria existir, pois ia contra tudo que aprendi sobre a santidade do esporte. Não há graça sem competitividade, e juntar-se a quem te vence é desonroso, mas aquele time era tão belo, tão incrível. Claro, eles perderam alguns jogos na temporada regular, mas era de conhecimento geral que a brincadeira acabaria quando os playoffs começassem. Um por um, os times que pisavam em quadra com a ingrata tarefa de vencer a equipe de San Francisco eram trucidados. Quando venceram o título em 2017, perdendo apenas um jogo só na campanha inteira da pós temporada, restou-me apenas rir. A NBA estava arruinada porque um time era absolutamente imoral e absolutamente perfeito. Em 2018, a história foi a mesma, ganharam o título atropelando geral, mas a situação iria ficar apocalíptica.
Demarcus Cousins prestes a tornar basquete inassistível 2: o retorno.
Demarcus Cousins, pivô infame por ser habilidoso na mesma proporção do seu pavio ser curto, assinou com o Warriors na pós-temporada de 2018. Me recordo claramente de mandar mensagem para um dos meus melhores amigos que acompanha basquete, dizendo “já era”. Golden State virou uma afronta ao basquetebol. Nenhum time montou um elenco desse nível sem sair impune. Isso a história já mostrou, mas nada dava indícios de que seriam detidos. Eu estava diante da Torre de Babel. Um desafio aos deuses do basquete, um time imbatível. Devo ter uma força de vontade enorme para não ter trocado alianças e optado por torcer para eles, pois assistir àquele time era ver o ideal platônico do basquete, e falo isso sem hipérbole. Mas quando eu já dava tudo como perdido, resignado a ver a NBA se tornar uma liga chata e sem competitividade até o elenco inteiro do Golden State se aposentar, algo inesperado aconteceu. Algo que mudou o rumo da história inteira.
Kawhi Leonard sendo apresentado pelo Toronto Raptors. Eu imploro, vejam o vídeo dele rindo, é mó bom.
Após 7 anos em San Antonio, Kawhi Leonard pediu para ser trocado e parou no Toronto Raptors. Leonard era um dos melhores jogadores do mundo, mas sofria constantemente com lesões. A diretoria do Raptors fez uma aposta arriscada: ter Kawhi por um ano e tentar vencer o título, acreditando que, com ele saudável, teriam chances. A fé do povo canadense surtiu efeito. Kawhi não jogava todas as partidas como forma de se preservar para os playoffs, mas o time ao seu redor era mais do que o suficiente para brigar nas cabeças. Após uma campanha emocionante, que incluiu uma memorável cesta no estouro do cronômetro contra o Philadelphia 76ers, os Raptors estavam diante do monumental Warriors, só que Golden State não chegou ileso. Estranhamente, muitas lesões graves acometeram o time de San Francisco. Demarcus Cousins havia rompido seu quadríceps e estava descontado nas finais. Kevin Durant rompeu seu tendão calcâneo bem no meio das finais e Klay Thompson rompeu o ligamento cruzado anterior de seu joelho. Num piscar de olhos, a gloriosa Torre de Babel que Golden State havia construído desmoronou na pior hora possível. Em 6 jogos, os Raptors, liderados por Kawhi, venceram seu primeiro título da NBA, colocando um fim à era das trevas que acometia as quadras. Finalmente, o basquete havia sido salvo! Nos dias seguintes, Durant optou por sair dos Warriors e assinou com o Brooklyn Nets, após inúmeras brigas e discussões com seu colega Draymond Green (chato de galocha, diga-se de passagem). Assim, em 2019, acabou o supertime do Golden State Warriors.
Ver aquele time dos Warriors mexeu comigo. Tive a ingrata tarefa de torcer para que um time que admirava muito perdesse. Eu estava diante de algo que julguei ser errado, um time que ignorou princípios a muito tempo seguidos de paridade. A história mostrou várias vezes o que acontecia quando as equipes rebelavam-se e tentavam alcançar os céus. Por 2 breves anos, eu pude ter noção do que era estar diante da Torre de Babel pintada por Bruegel. Eu sabia que, em algum momento, aquilo iria acabar, só não sabia como. Parando para refletir, sou grato por ter visto esse time surgir como surgiu e ganhar como ganhou, bem como ter saído de cena como saiu (exceto pela parte de os caras se machucarem; ninguém merece isso). No mundo dos esportes, as torres de Babel parecem grandes demais para caírem, mas eventualmente cairão. É esse o castigo pela arrogância de tentar adentrar o território divino, de tentar montar o time perfeito. Por mais que possa parecer que estraguem o espetáculo, acredito ser importante nos desprendermos de noções pré-concebidas de honra e aproveitarmos o espetáculo, curtir o que acontece quando vários craques se juntam, olhar para cima e nos admirarmos com o quão alto a humanidade pode ir, pois nunca sabemos quando pode acabar a diversão.
Lembrem-se: os deuses do esporte dão e os deuses do esporte tomam.