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Em 128 depois da Conquista, Draven Blacktyde ressurgiu depois dos rumores de sua morte que teria se dado em 125 d.C. Tendo herdado de sua mãe o título de "Senhora das Marés Negras" e navegando no navio de velas negras chamado de Terror Negro (outrora comandado pela Capitã Anne Garner), Draven Blacktyde retorna Às Ilhas de Ferro, sua terra natal, para buscar vingança contra Dwan Greyjoy.
No entanto, esta não é apenas uma velha história de piratas, nem uma narrativa cuidadosamente inventada pelos mentirosos de Vilavelha. É uma nova perspectiva da história verdadeira sob a ótica de um observador silencioso, que trabalha o resgate de memórias baseado em conversas com a figura central da lenda que envolve seu nome como um véu negro, tão poderoso quanto as velas de seu navio.
No fim do meu terceiro semestre, precisava de algo para distrair um pouco a cabeça e como estavam assistindo a 3ª temporada de House of the Dragon (Casa do Dragão), pensei em escrever uma fanfic.
Ainda não tenho tudo certo, não sei se vou manter ela no AO3 ou se vou fazer o que eu estava pensando inicialmente (fazer um pdf e disponibilizar por aqui para quem quiser ler), mas fiquem com o trailer (que mais parece um edit de HOTD, mas o que vale é a intenção) e com a sinopse.
às vezes eu me esqueço do quanto a Andrôlissa deve ser aterrorizante em campo de batalha. tipo, como assim essa querida tem uma armadura VERMELHA dos pés à cabeça, um escudo de javali?
Para se decidirem o que iriam fazer, Percy teve que ativamente encurralar Gwendolyn durante a aula de Educação Física.
Era a segunda aula da quarta-feira, Gwendolyn geralmente ficava nas arquibancadas enquanto Percy jogava basquete com alguns colegas. Contanto que não saíssem da quadra, o professor de Educação Física, o Sr. Harris, não se importava muito com o que os alunos faziam naquelas aulas. Talvez por isso fosse a eletiva mais cheia.
Combinou com Gabriel para ele distrair David com alguma conversa pra boi dormir, enquanto Percy conversava com Gwendolyn. David era do tipo protetor, deixando sempre claro que não deixaria Percy sequer tentar se aproximar de Gwendolyn. Os olhares que David enviava a Percy eram piores do que os que ela arriscava mandar. Sempre mais afiados, mais mórbidos, como se Percy estivesse encarando um abismo sombrio.
Gabriel chamou David para conversar sobre alguma coisa do time de hóquei. Percy arrumou suas roupas e se aproximou de Gwendolyn, que foi prontamente avisada por Hanna e Ashley (líderes de torcida que andavam com ela desde que ela havia chegado na escola). Percy engoliu em seco assim que Gwendolyn direcionou sua atenção para ele. Conversar com ela era pior do que lutar com uma mantícora, e ele havia lutado com uma aos 14 anos.
— Posso falar com você? — Ele olha para as duas meninas ao lado dela. — A sós?
Hanna e Ashley olharam para Gwendolyn, que assentiu solenemente como se fosse uma chefe de máfia (e talvez fosse). As duas se levantaram e se afastaram apenas alguns metros, deixando Percy e Gwendolyn com certo nível de privacidade. Ele cruzou os braços e a encarou a contra gosto. Gwendolyn tinha os cabelos acobreados presos em um rabo de cavalo alto por uma scrunchie azul escura, e quando notou a acessório, Percy percebeu todos os outros pequenos pedaços de azul que estavam nela. A blusa do uniforme era a versão com “AHS” escrito em azul sobre o fundo branco, os curativos nos joelhos machucados eram azulados, os brincos eram lacinhos azuis, a gargantilha tinha pedrinhas prateadas e outras azuis.
Não era de propósito, mas parecia.
— O que você vai querer fazer primeiro?
— Pode ser o museu. — sugeriu com um suave inclinar da cabeça pro lado. Percy sentiu as mãos molhadas.
— Amanhã? — Ela concordou.
— De 15h.
— Não vai dar pra ver tudo. — Gwendolyn levantou a sobrancelha.
— Podemos ver só algumas áreas. Tipo a grega, já que…
— Certo.
Quis interrompê-la. Seria suficientemente desconfortável ver estátuas e artefatos de coisas próximas da realidade deles, não precisava que ela o lembrasse que ainda eram muito mais próximos do que ele gostaria de admitir.
Quando se afastou, a vida tentou voltar ao normal. Gabriel deixou de conversar com David, Hanna e Ashley voltaram para perto de Gwendolyn, Percy voltou para o jogo de basquete. Ganhou a partida daquela aula, mesmo que pouco se lembrasse do que fez no jogo. Pelo resto da noite, não viu Gwendolyn. Apenas na saída, em que o mustang vinho estava estacionado um pouco mais perto do Prius azul emprestado e ela esperava por David lendo uma edição puída da Odisseia.
Não se falaram.
Percy chegou em casa pouco antes das dez e meia. No lobby do prédio em que morava, foi recebido por um aviso de “elevador em manutenção”, tendo que subir cinco lances de escadas. Eventualmente e com muito custo, chegou no corredor do apartamento, e deparou-se com a vizinha do 505 conversando com o vizinho do 504, que tinha cara de poucos amigos. O Sr. Richard era um homem que parecia uma versão mais velha do Julius de Todo Mundo Odeia o Chris. Como trabalhava muito, sempre chegava em casa por volta da mesma hora de Percy, e embora fosse simpático com todos os vizinhos do andar, ele não era muito amigo da vizinha do 505. Todos conheciam uma boa parte da história dela.
Mônica Reis.
Poucos monstros conseguiam ser piores do que ela. São memórias vívidas que Percy tinha e que o lugar em que morava não permitia que ele esquecesse. Quando era mais novo, a segunda vez que se mudou para Manhattan depois do misterioso desaparecimento de Gabe Cheiroso, conheceu Gwendolyn naquele prédiozinho. Ela morava no andar de baixo inicialmente, Percy a encontrou pela primeira vez na escada de emergência, fugida da fúria de sua mãe. Durante alguns anos, Gwendolyn viveu mais no apartamento 503 do que no 403. Infelizmente, Luke a conseguiu antes que Percy descobrisse que ela era uma semideusa.
O Sr. Richard do 504 entrou no apartamento e Mônica se virou para enfiar a chave na fechadura do 505, foi quando seus olhos encontraram Percy, recém chegado da escola e depois de lidar com a filha dela. Ambos se encararam como quem assiste uma assombração no fim do corredor. Ela estava vestida com roupas finas, segurava uma menina adormecida nos braços, ela tinha uns quatro ou cinco anos de idade. Pela primeira vez naquele mês, Percy agradeceu as alterações físicas de Gwendolyn, que em nada lembram a mãe.
Uma velha versão de Gwendolyn lembraria Mônica, a mulher possuía os velhos olhos da filha (castanhos escuros como café), e cabelos loiros. Percy conhecia Gwendolyn daquele modo: loira, olhos castanhos. No verão de 2019, quando se encontraram no Labirinto, ele quase não a reconheceu. Quase. A surpresa em seu rosto foi óbvia, dolorida, e mesmo com o cabelo ruivo, Percy sentiu a familiaridade e a reconheceu. Mônica era o espectro do que um dia Gwendolyn foi e de um futuro que ela poderia ter tido, caso não tivesse ido para o lado de Luke.
Mônica abriu a porta depois de alguns segundos e foi recebida por um “mamãe!” alto e duas mãos esticadas em sua direção. Percy não era uma pessoa amarga, nem gostava de descontar nos filhos os pecados dos pais, mas não conseguia sentir algo além de um gosto rançoso em sua boca toda vez que lembrava que Mônica tratava sua filha nova Genevieve como o que Gwendolyn deveria ser.
Que Genevieve Reis nunca soubesse a crueldade que Mônica era capaz de cometer.
Entrou em casa assim que Mônica fechou a porta. Encontrou apenas a mãe na sala, desligando a TV, ela sempre esperava por ele. Sally sorriu, beijou a bochecha do filho e caminhou para a cozinha para esquentar um prato de comida. Percy respirou fundo algumas vezes para descomprimir o peso dos ombros, deixou a mochila no pé do sofá, e seguiu a mãe para a cozinha.
— Então, e hoje?
— Falei com ela. — Sally parou por um momento, como se medisse suas palavras. Percy encheu um copo com água.
— E aí?
Percy encarou o prato de lasanha que foi colocado em frente aos seus olhos quando ele se sentou à mesa, mordiscando o lábio inferior enquanto pensava. Bebeu um gole longo para esticar seu tempo e então ergueu a atenção para a mãe, que tentava esconder a própria expectativa. Sally podia odiar muita gente, mas como ele, Gwendolyn não era uma dessas pessoas.
“Com uma mãe daquela, meu bem, até eu gostaria de partir o mundo ao meio.”
— Vamos ao MET amanhã.
Sally levantou as sobrancelhas, surpresa.
— Não estava esperando isso. — Percy deu uma risada suave, pegando os talheres.
— Nem eu. Achei que ela ia me jogar do prédio só por sugerir seguir a atividade do professor. — Sally riu junto com ele, sentando-se ao lado dele. Percy cortou um pedaço da lasanha.
— Talvez ela tenha mudado. — teorizou com um contrair suave dos ombros. Percy enfiou a garfada de lasanha na boca para não ter que responder de primeira. — O que acha?
— Não sei. — Ele engoliu o pedaço e olhou para a mãe. — Ao mesmo tempo que quero acreditar que ela mudou, não quero…
Não quero deixá-la entrar só para assisti-la ir embora. De novo.
Sally não pediu por um desenvolvimento daquele pensamento, ela não precisava saber o que ele pensava para entender. Percy suspirou aliviado, voltando a comer, não tinha coragem, nem palavras boas o suficiente, para admitir o que passava por sua cabeça.
— Bem, acho que só o tempo vai falar, não é? — Percy assentiu, sentindo o corpo arrepiar. Com um sorriso, Sally completou: — Veremos se vamos mandar flores ou uma carta ameaçadora para seu professor de inglês.
Percy preferia ir de metrô ao MET porque era impossível estacionar nas ruas adjacentes, principalmente num horário como aquele. Enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta do time de natação e esperou por Gwendolyn sentado sobre um degrau das escadas de entrada. Enquanto esperava, sua mãe mandou uma mensagem desejando boa sorte.
Ele sabia que iria precisar.
Gwendolyn despontou do meio das pessoas alguns minutos depois do horário marcado. Blusa de manga longa verde escura e uma jardineira azul escura, jeans, que deixava as pernas à mostra. Olhou de um lado ao outro e cruzou a rua fora da faixa de pedestre, como sempre costumava fazer. Uma vez, Percy perguntou se ela não tinha medo. Gwendolyn sempre sorria de lado e dizia que não tinha pra quê ter medo.
“O motorista está me vendo,” dizia entre risos.
Percy respirou fundo, acumulando ar nos pulmões. Ela se aproximou devagarinho, evitando colocar seus olhos sobre os dele, mas eventualmente, aconteceu. Ele a encarou, e as pessoas ao redor deles pareceram sumir. Ela subiu até ficar de frente para ele, o vento rugiu pelos cabelos dela, empurrando-os para o lado como se estivessem de complô para fazê-la parecer que saía de um quadro de Botticelli.
A muito custo, ele falou primeiro. Julgou ser melhor falar logo de uma vez, do que deixar o silêncio se esticar entre eles, brutal como a memória do que eles foram um dia.
— Oi.
Encarou Gwendolyn, interessado nos olhos dourados que brilhavam como se possuíssem partículas de ouro no âmbar etéreo. Por um momento, breve, Percy julgou que Gwendolyn estava nervosa. Ele quase riu com o pensamento. Não devia ser nervos, devia ser algum tipo de asco, desdém ou irritação.
— Oi.
Percy fechou as mãos em punhos, ainda dentro dos bolsos de sua jaqueta, e o vento rugiu novamente em outro trajeto. Parecendo proposital, carregou o cheiro dela para os pulmões dele, um convidado indesejado e insistente. Ela tinha um cheiro forte de fim de primavera, quase verão; cheiro bom e marcante que fez Percy ter dor de cabeça. Ele não saberia dizer, no entanto, se a dor de cabeça era por causa de Gwendolyn como conceito, ou porque ele tinha uma certa sensibilidade a cheiros ricos.
Caminharam em silêncio para a bilheteria, mostraram as carteiras de estudantes e se enfiaram entre os mortais. Permaneceram quietos por muito tempo, evitando o contato visual ou esbarrar os ombros um com o outro. Viram as obras medievais, depois a coletânea de Robert Lehman e então desembocaram na área das esculturas europeias. O grande elefante branco entre eles.
— Foi muito difícil matá-la?
Percy sentiu o corpo arrepiar quando a voz de Gwendolyn quebrou gentilmente o silêncio entre eles. Estava olhando para uma escultura de Anfitrite, não muito distante da filha de Ares que o acompanhava. Quando olhou para trás, viu a estátua de Perseu com a cabeça de Medusa, e Gwendolyn com o queixo esticado, sobrancelhas levemente franzidas.
Era uma pergunta que ele não esperava e que era mais difícil de responder do que ele imaginava. Ele tentava não pensar muito nos monstros que matou, se pensasse demais, cairia em um vortex interminável. Também não se dava ao luxo de pensar nos monstros com humanidade. Como semideus, aquele tipo de misericórdia podia ceifar-lhe a vida. Ver os monstros como monstros o tornava mais implacável, direto. Pensar demais num confronto, hesitar, é assinar uma sentença de morte.
— Não. — Engoliu em seco ao se aproximar de Gwendolyn, imitando a posição que ela manteve, mesmo com a proximidade. — Foi instintivo.
— Pá-pum? — Percy deu um meio sorriso e riu baixinho. Um momento praticamente inocente, doce. Um eco de um relacionamento perdido há muito tempo.
— Pá-pum.
Percy tirou os olhos da estátua e encarou o rosto de Gwendolyn. Ela ainda tinha os pequenos sinais no rosto que Percy se lembrava, pontos que ele dizia que eram parte de uma constelação. Ela guiou os olhos para a cabeça de Medusa e as sobrancelhas se contraíram. Se tinha algo a falar, desistiu no momento em que voltou a encará-lo, portanto apenas continuaram caminhando por entre as esculturas sem mais perguntas difíceis.
Arte Moderna e Contemporânea, depois a ala com artes da África, Oceania e Américas. Ficavam mais próximos da ala de arte greco-romana, e Percy sabia que ali seria mais espinhoso do que as outras. Se a estátua de Perseu já havia rendido um diálogo difícil, imaginava o que aconteceria no momento que vissem histórias parecidas gravadas nos vasos de cerâmica. Pois como diria Quíron com seu tom de voz eternamente cansado, a vida é cíclica. São sempre as mesmas histórias com novos personagens torcendo para que tenham um novo resultado. Algumas vezes os finais felizes aconteciam, e outras nem tanto.
Pararam de frente a um mural romando de Perseu salvando Andrômeda. Percy passou alguns segundos analisando os pequenos detalhes escondidos, quase pressionando o nariz contra o vidro do expositor.
Então, tudo aconteceu muito rápido.
Gwendolyn moveu o rosto para longe da pintura com um grunhido dolorido e espremeu os olhos. As mãos trêmulas se moveram para o rosto, pressionando as palmas sobre os olhos, cambaleou para trás e puxou o ar por entre os dentes. Percy franziu a testa, e se mexeu no instinto. Apoiou as mãos sobre as costas de Gwendolyn, evitando que ela esbarrasse em algumas pessoas que visitavam o mesmo espaço.
— Gwendolyn?
— Estou bem.
Nem fodendo.
Em contraste, ela levantou uma das mãos e apertou o bíceps de Percy, tentando se estabilizar. Ele a segurou mais perto para tentar dar mais estabilidade. Gwendolyn xingou, uma série de palavras ríspidas em um idioma que ele não entendia, mas reconhecia: português. O português sempre foi o primeiro idioma em que Gwendolyn reagia, a língua materna, seu maior conforto.
— O que está havendo?
As pessoas já paravam para assistir quando Percy a arrastou para um dos bancos. Gwendolyn se curvou sobre as pernas, apoiando os cotovelos sobre as coxas enquanto suspirava mais outros xingamentos. Percy levantou a cabeça para um segurança, pedindo por um copo com água. Um homem mais velho, na meia idade, apareceu com os olhos levemente arregalados, abandonando o passeio em família para tentar ajudar.
— Estou bem. — murmurou de novo, levantando a cabeça para beber a água que foi trazida. — Só uma dor de cabeça.
Aquilo nunca seria apenas uma dor de cabeça, mas Percy não insistiu em saber o que era naquele momento. Não ali, com tanta gente observando-os.
Depois que Gwendolyn se estabilizou, o passeio não continuou. Já era quase seis quando saíram do museu num clima mais esquisito de quando entraram. Quando passaram pela catraca do metrô e se aventuraram dentro da estação surpreendentemente vazia, Percy tomou para si a coragem para perguntar o que havia acontecido.
Gwendolyn lambeu os lábios como costumava fazer quando ficava indecisa, e abaixou os olhos.
— A pintura de Perseu e Andrômeda me fez lembrar de… Coisas.
— O quê?
— Não vem ao caso.
Corte rápido, frio. Um sinal óbvio de que a conversa sobre aquilo não iria pra frente. Ele podia ser um pouco distraído para certas coisas, mas ele sabia quando o assunto era sobre Luke Castellan. Annabeth teve reações parecidas há alguns anos. Sentiu a garganta se fechar em um nó e agradeceu que Gwendolyn não continuou falando sobre suas memórias. Não gostava de pensar em Luke e nos traidores, era um lado da moeda que ele não tinha certeza se queria conhecer. Talvez porque se soubesse mais um pouco sobre os semideuses do outro lado, a guerra se tornaria mais amarga do que já era. As mortes pesariam mais, os pesadelos ficariam mais doloridos e a vitória se pareceria ainda mais com uma derrota.
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pra mim, o Agamêmnon é a Ravenna (de Branca de Neve e o Caçador) então tá sendo muito difícil escrever ele como homem, e não como mulher kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk