Mendigo dormindo na sua rua, incomoda? Faz lembrar-me da multidão (incluindo Eu) que frequentava o Baixo Gávea e o Baixo Leblon nas quartas e quintas-feiras, fazendo um alvoroço danado, muito barulho até tantas da madrugada, não deixando os moradores dormirem (inclusive os mendigos) e largando bastante lixo no chão. Dueto da tarde (LIII - 2/2/15) É assim que acontece: noite, luzes da cidade grande, transeuntes, carros e mendigos sossegam, Pesadelos abrandados pelo álcool, angústias que recebem tapinhas nas costas, ânsias que deitam pra dormir. Corpos insanos ao chão, mas é somente mais uma noite comum, que a lua observa de camarote e às vezes chora em chuvas silenciosas. O passeio dos animais escuros e abstratos é ruidoso e quente como um visco derretido e a boca da desolação tem dentes cariados até as gengivas. Visão degradante sem “adiante”, sem fim; caça aos elefantes, matança atroz atrás de marfim. Burro atrás da cenoura, cachorro atrás do rabo. Correr, correr, depois ter a noite assim à disposição da lassidão; como viver uma falsa comunhão, uma mentira no espelho; como o apavorado sem medo que oprime a si mesmo. A lua, com inveja do sol, que pode queimar tudo, suspira uns ventos prateados e deixa correr o sangue ruim. Mesmo sentindo-se cúmplice, cumpre a missão de só ser, e iluminar nas suas fases as faces dos mortos teimosos a viver. #RogérioCamargo #AndréAnlub #baixogavea #baixoleblon














