"O João não morava no interior, mas puxava o 'R' quando falava de amor". E se parar pra pensar, a culpa sempre foi sua. É culpado porque foi o seu abraço que tirou a graça dos outros, é culpado por eu ficar planejando histórias. Ah, e que histórias. A culpa é sua de eu te querer mesmo bravo, mesmo chato, mesmo gordo, mesmo rindo. Porque, cara, tu que me cativas. Cativa-me do teu jeito. Cativa-me de todo o jeito. Com a risada engraçada, com o cabelo liso, com a testa suada, não importa. Cativa-me. - João, arruma a sobrancelha. Ele molha a ponta dos dedos e arruma. - Assim Babi? - Não, trouxa. Vou trazer a pinça amanhã. - Pinça? - É o sonho de qualquer tiradora fazer isso. - Tiradora é ótimo. Ele ri. - Babi, a gente precisa conversar. - Da ultima vez que as palavras ''Babi'', ''conversar'' e ''precisa'' apareceram na mesma frase, você terminou comigo. Posso ficar preocupada? Saímos andando pelo gramado. - Sabe... eu queria.... Eu queria... - Voltar môi? - sussurrei. - Como? - Nada, continue. - Babi, eu queria voltar contigo. - Mas... João... - Eu sei, eu sei. Tudo o que eu disse, mas agora eu só preciso ouvir a sua escolha. - Eu sempre vou escolher você - com lágrimas no rosto. - Ei, ei, ei, pra que chorar? Não chora môi. Eu estou aqui agora. - Secando minhas lágrimas. - E eu te amo. - Eu amo mais. - Cala a boca Bárbara, eu que amo. - Você fala como se amar fosse fácil. - E quem disse que não é? O amor é para os fortes. - Falou o bombado. - O amor machuca Babi. Permanecemos naquele silêncio gigantesco. Eu tentava ler a mente dele. E... de alguma forma, o elo entre nós era tão forte, que eu quase pudia escutar seus pensamentos. - Goida, que aula que tem agora? - Banhudo, educação física. - Vou ter que correr? - Vai, é futebol. - Você tem é inveja do meu corpo esbelto. - Tá João, vamos fingir que sim. - Sabia que o beijo emagrece uma bala? - Meu Deus em. - Quer ser anoréxica comigo? - Não preciso disso, meu marido tem dois empregos. - Lixeiro de manhã e açougueiro à tarde? - Meu amor de manhã e homem da minha vida à tarde. Já na aula, eu abracei meu amigo, nada de anormal. - Muito bonito Bárbara. Fica aí abraçando outros - ciumento. - A culpa é tua João. Você que fez o abraço dos outros perderem a graça. - Babi, venha cá. Ele me deu um tapa que chegou a estalar. - João Vitor! Minha bunda! Ele ria igual a uma criança. E como eu gostava da forma que ele ria, era completamente dominador. - Ok Babi, me dá um abraço. - Não, tô de mal. - Minha filha, esquece essa vingança, fica com o Jorginho! Eu caí na risada. Covardia da parte dele, eu tentando ficar séria, brava, e ele me fazendo rir que nem boba. - Para de rir babaca. Estou tentando ficar brava contigo. - Linda por dentro, tão adorável. - Talvez João, eu posso mesmo ser o que você sempre sonhou. - E você é amor. - João, para. Amor não. - Mas, Babi.... - Nada de puxar esse ''R'' moço. - Escolhe então, amor ou vida? - Eu sempre vou escolher.... Você!
A Babi do João, o João da Babi - 2. Mas que a fé e o amor seja salvação para todos os meus dias.









