CapĂtulo 11
Segui andando, mesmo sem enxergar porra nenhuma. Eu havia de encontrar algum lugar para me "esconder", na verdade eu só quero sentar e cochilar até a festa acabar.
- Olha por onde anda! â Uma voz gritou exatamente no meu ouvido.
- Muito engraçadinho amigo, nota dez.
Fui pisando com todo cuidado do mundo no chĂŁo, mas Ă© como dizem "todo cuidado Ă© pouco" pisei em coisas gosmentas e sabe se lĂĄ o que era se Ă© que vocĂȘs me entendem. Coloquei as mĂŁos na parede para descansar e encontrei um botĂŁo, resolvi apertar e ai umas cortinas se fecharam atrĂĄs de mim. Que legal, eu estava presa. NĂŁo dava para ir nem pra frente, nem para trĂĄs, sĂł para um dos lados. Resolvi ir pro lado direito e achei uma portinha, resolvi entrar e me "esconder" lĂĄ. Era uma sala, na verdade uma salinha, iluminada com poucas velas, e um grande silĂȘncio e no meio da sala havia um puf, um puf definitivamente grande. Achei meu esconderijo, me taquei lĂĄ e apaguei por um bom tempo, atĂ© ouvir uma voz vinda da porta.
- Eu sabia que alguĂ©m se esconderia aqui. â Uma voz dizia longe
Puta que pariu, nĂŁo posso nem dormir.
- A algeme. â A voz continuava a encher a porra do saco.
Não demorou muito para que alguém viesse até mim e algemasse minhas mãos. Eu estava de costas, resolvi virar para reclamar.
- Porra!!!!!!!!!! Essa merda ta machucando pra caralho!!!!!! Que escrotice!
- Pode ir, dessa eu cuido. â Dizia a voz se aproximando de mim.
Resolvi tentar ver quem era, fiquei encarando uma sombra chegar perto de mim e quando ele estava a dois passos de chegar ao puff eu o reconheci. Era ele. E no fundo, eu sabia que estava feliz por ser ele. E por isso eu estava fodida.
- NĂŁo reconhece mais minha voz, Licia? â Ele disse baixinho, fingindo se importar.
Permaneci calada.
- Eu sabia que vocĂȘ viria pra cĂĄ.
- Pelo amor de Deus John, nem eu sabia que iria parar aqui!
- Calma... Eu só... Só te conheço Licia.
- Como assim?
- EletrĂŽnica alta, pessoas transando pelos corredores e um breu filho da puta. A primeira porta que vocĂȘ visse vocĂȘ iria entrar. Quando viu o puff e as velas teve a certeza que ficaria aqui.
- Ă... Mais ou menos isso.
- A gente tem muito que conversar né?
- Tira minhas algemas.
- Para de fingir indiferença Alicia. Eu quero me explicar! â Ele gritou, enquanto tirava.
- Fala entĂŁo porra.
- Meu pai...
- O que tem seu pai? â NĂŁo deixei que ele terminasse.
- O meu pai morreu caralho! â Ele gritou, enquanto algumas lĂĄgrimas caĂam em seu rosto.
Fiquei sem reação. Meu Deus. Eu não sabia o que dizer, o que fazer, e o que pensar. Eu só o abracei, por um longo tempo. O abracei com força, com pena, com solidariedade e com principalmente amor, muito amor. Ele me abraçou mais forte ainda e deixou que as lågrimas de seus olhos molhassem o meu ombro. Ficamos assim até que suas lågrimas secassem.
- Quando isso aconteceu?
- Logo depois que eu me mudei. â Ele pegou na minha mĂŁo e olhou nos meus olhos. â Eu vou te explicar tudo...
- VocĂȘ nĂŁo pre... â Fui interrompida com um selinho, que me fez sorrir.
- Eu quero.- SilĂȘncio â Lembra quando... Quando aquilo aconteceu? â Ele disse dando ĂȘnfase no aquilo
- Infelizmente sim. â Disse contendo as lĂĄgrimas.
- Quando eu cheguei em casa encontrei minha mĂŁe me contou que a "amiga" do meu pai tinha ligado para contar que ele estava com cĂąncer, mas que os mĂ©dicos disse que ele tinha grandes chances de sobreviver. Meu mundo caiu ali, Licia. Eu chorei como nunca havia chorado antes, foi uma dor e tanto. Um impacto enorme. Eu queria ir ver ele imediatamente, mas minha mĂŁe havia comprado minhas passagens para uma semana depois apenas. No dia seguinte, eu nĂŁo queria te ver, porque eu nĂŁo consigo te esconder nada, eu iria te contar, iria piorar e ainda iria te preocupar. E eu nĂŁo queria isso. Eu me importo muito com vocĂȘ Licia, por mais que vocĂȘ nĂŁo acredite. Eu resolvi te ignorar entĂŁo. Nos outros dias eu nĂŁo fui mais pra aula porque estava impossĂvel nĂŁo falar com vocĂȘ, eu queria te abraçar e chorar no seu ombro, eu queria um beijo seu, queria ouvir vocĂȘ dizendo que ia ficar tudo bem. Esses dias foram terrĂveis, eu nĂŁo conseguia comer, nem dormir, sempre quis de ligar, mas nĂŁo me sentia bem fazendo isso. AtĂ© que chegou o dia de viajar, eu nĂŁo te avisei porque nĂŁo queria me despedir â Olhei confusa pra ele â Ă, me despedir. Se meu pai melhorasse eu tinha prometido pra mim mesmo que moraria com ele e nĂŁo voltaria mais pra cĂĄ. Mas, isso infelizmente nĂŁo aconteceu, porque ele se foi, ele nĂŁo agĂŒentou. E nem eu. Ele se foi logo quando chegamos, mas eu resolvi ficar lĂĄ com a FlĂĄvia, nĂłs precisĂĄvamos um do outro e depois de um ano voltamos e Ă© por isso que ela vai ficar mais aqui, porque eu preciso dela. Assim como preciso de vocĂȘ. Me desculpa... Eu devia ter te avisado... Eu te amo Licia, amo tanto que sĂł fiz essa festa pra te ver, pois sei que assim seria o Ășnico jeito de te ver, de te tocar, de me explicar. Ainda mais agora que vocĂȘ ta com o Rafael... â Soltei uma risada â Que foi? NĂŁo Ă© legal tu rir velho, eu to mal mesmo.
- Eu nĂŁo to com o Rafael. Eu sempre estive com vocĂȘ, mesmo longe.
- Nunca ficou com ninguém?
- Fiquei, diversas vezes, mas nĂŁo significava nada, a cada beijo que eu dava pra te esquecer eu sĂł pensava mais em vocĂȘ. Eu nĂŁo era nada sem ti.
- Exagero â Ele disse com um sorriso bobo que eu senti tanto a falta.
- Prefiro que pense que Ă© mesmo. â Disse lembrando-me das vezes que fiquei mal.
- Eu te amo. â Falamos juntos.
Ele sorriu, envergonhado, colocou o meu cabelo pra trås da orelha, me deitou no puff e me beijou, um beijo intenso, apaixonado. Subiu em cima de mim, beijou meu pescoço, tirou minha blusa...











