Não são os líderes que apelam ao ódio que me assustam…O que me assusta são as pessoas que os elevam, como se dessem alento ao ódio que nelas transborda e que tanto desejam dar vida.
Os líderes não se criam…Os lideres são criados por quem os venera e idolatra e por isso escolhe dar-lhes poder. Criados por pessoas que se revêm nas suas palavras e ações, porque gostariam de assim o ser, mas não têm a coragem, a possibilidade ou a capacidade. Espelham-se nas suas ideias, ideais, palavras e teorias…Na forma como agem, como tratam o próximo e como lidam com o mundo...E no fundo, de alguma forma, os fazem lembrar aquela persona que escondem dentro de si. Não são os líderes narcisistas, retrógradas, egocêntricos, xenófobos e psicopatas que têm crescido...estes sempre existiram...São as pessoas que os criam que se têm multiplicado, de uma forma absolutamente assustadora.
A história deveria ensinar-nos, mas por alguma razão recusamos aprender e evoluir e preferimos continuar a cultivar a raiva, a violência, o desrespeito. Um pouco por todo o mundo vivenciamos um fenómeno de desagregação. Depois de alguns anos em que se tentou usar o diálogo enquanto força motriz para a evolução, falta a paciência para esperar pelos resultados e desespera-se por ações…a qualquer custo, afinal a vida é uma luta e só os mais fortes sobrevivem…É a lei da selva…e a selva moderna não é exceção.
E é assim que mais uma vez na história da civilização, um pouco por todo lado ganha força o preconceito, a violência e o machismo. E mais uma vez se acredita que pela força e pela submissão, o mundo se irá curvar… Enganamo-nos bem…tão bem…
Há algo que a cada dia cresce, como uma doença, uma peste, alastra nos corações alheios e ganha forma...uma forma horrenda e doentia. Queremos sangue, violência, discursos de rancor...De onde vem este sede pela desgraça alheia? Será preservação, território, instinto? Quando é que perdemos a nossa humanidade? Quando é que nos tornámos numas criaturas sem escrúpulos, egoístas e xenófobas? Se calhar sempre o fomos e isto é apenas o estalar da máscara.
Ou talvez seja uma revolta…uma revolta que foi crescendo de forma silenciosa mas constante…uma profunda raiva por toda a injustiça, violência e corrupção… Do que servem falinhas mansas e acordos em cimeiras com mãos cheias de intelectuais, enquanto se continua a roubar para alimentar os egos obesos de poucos e retira-se da boca daqueles que mais sofrem...de que servem as parcerias, os tratados, os comícios e os encontros, quando na rua há violência, miséria e corrupção.
Mais uma vez a arrogância e o síndrome de superioridade vai ganhando terreno… Não é solução, nunca foi e nunca vai ser pois daqui só cresce uma fonte de destruição…porque a violência é a arma de quem não tem argumentos para vencer pela força da inteligência...