eu murmurei por acidente ao espelho negro o meu amor por uma donzela
e, do seu mais remoto lar, ela cochichou enquanto atravessava a negritude
ela veio seguida por olhos que a observavam se deitar comigo em minha cama
pasmo e apaixonado e calado, eu contemplava seu olhar manso e livre
ela se inclinou e descansou seus seios sobre meu braço assustado
eu conseguia sentir seus mamilos ouriçados me acariciarem
a segurei com ambos os braços e a revirei na cama e a beijei a boca
estávamos felizes experimentando uma felicidade diferente de qualquer outra
eu fechei meus olhos por um mero instante e então os abri
sentindo um peso no meu peito, entre a escuridão, vi algo sorrir
eu não podia me mover, nem podia falar, somente respirar e olhar e ouvir
a sombra sobre mim tinha começado a tocar uma sonata em um violino
eu pude sentir minha alma desaparecendo a cada nota tocada
era a mais bela música que eu já havia escutado em toda a minha vida
e, ao fim, a sombra cochichou em meu ouvido a mais bela de todas as poesias
encantado, eu lacrimejava emocionado, fechei os olhos e a ouvi agradecer-me
quando acordei, não esqueci-me, não sabia viver depois de algo tão sublime
desalmado, fui destinado a vagar depois de espiar o paraÃso inencontrável
minha maldição e punição é ter retornado por ceder minha alma ao diabo
nunca mais sentirei tamanho prazer e alegria como nesse vislumbre onÃrico
ponho-me a seguir sabendo que só eu vi e senti e ouvi o nirvana perfeito.