Percorre minha extensão com mãos delicadas e dedilha meus lábios que se compadecem junto aos teus olhos claros, ansiando por mais beijos a alma que desalenta o corpo e deixa mais frio o ar, envaidecendo as cobertas que se mantém mornas. Não as apague. Quero que tudo se consuma novamente. Faça bom proveito. O faço. O quero e sei que o mesmo se transcreve em tua boca seca. Sei que precisa de meu ar entrando nos teus pulmões e fazendo da tua respiração involuntária algo menos forçado. Vou te dar o que quer [e aquilo que necessito]. O meu ar, o meu breve sopro que há de ser teu agora. Faça bom uso desse último suspiro, o dê a alguém que você quer salvar desse triste fim ao qual chamam de adeus
Apoético












