run2u! Anna Hoon
Nota de conteúdo sensível: sexo explícito, mas só no final.
Muitas coisas podem e vão ser alterados no futuro.
Dentro do elevador e vendo ele descer cada vez mais rápido direto pro hall do prédio residencial, o único pensamento na cabeça de Anna era que ninguém deveria ficar ansioso por um encontro que não fosse com o próprio companheiro, e que ela deveria se sentir muito culpada por ter trocado de vestido quatro vezes e deixado seu irmão caçula opinar sobre seu cabelo, enquanto afirmava que “enquanto você fica aí achando que ta traindo num relacionamento aberto, aquele traste ta abrindo pernas em um puteiro sem ligar pro quanto você tá triste em casa”.
Foi meio pesado, ela precisa admitir, mas só de lembrar que era verdade, faz ela cruzar o hall todo e só cumprimentar o porteiro antes de colocar os pés na rua bem rápido e quase cair bem na frente de Seungkwan Wolff. Mas aí, a primeira coisa que ela sabe é que se arrepende profundamente do sapato que escolheu, e a segunda é que gosta do jeito que ele sorri quando coloca os olhos nela, como se ela fosse bonita e não fosse comprometida.
Essa última parte ela mesma esquece depois que ele oferece o próprio braço pra ela segurar, e durante o passeio deles, fica cada vez mais difícil de lembrar.
Porque ela só quer saber qual a cor favorita dele, como foi crescer entre a Coreia do Sul e a Austrália, e como era ser jogador de Quadribol e ter ido pra uma copa de verdade, enquanto ela ficou feliz em contar pra ele que era a quarta geração de coreanos de sua família, e que só virou jogadora de Quodpot porque queria ser tão legal quanto sua mãe antes da mais velha se aposentar, e que a cor favorita dela era azul pastel.
Mas não qualquer tipo de azul pastel.
— Sabe quando o sol ainda vai aparecer no horizonte e clarear o dia? Quando não é tão escuro, mas nem tão claro, mas você sabe pelo tom do céu de manhã que vai ser um dia muito bonito. — Tenta explicar pra Wolff gesticulando muito com as mãos, mas ainda tomando cuidado pra não deixar a etiqueta ir embora naquele restaurante cheio de pessoas requintadas, sem saber se era porque ela amava aquela pergunta ou por causa do açúcar da sobremesa que ela tinha acabado de comer. — É esse azul, é minha cor favorita, nos dez segundos que ela existe antes de mudar e virar outra coisa.
E ele escutou tudo. Tudo. Tudo mesmo.
Outra coisa que ela se esquece, no caminho pra casa e segurando a mão dele, é de checar se seu namorado já tinha voltado pro apartamento deles. Uma parte porque ela fica ocupada ouvindo Seungkwan falar sobre seu sobrinho bebê, outra por ela sentir que os dois, lá na calçada, estão em uma bolha muito íntima e completa, e que só fica mais intensa quando ele pede pra beijá-la, e ela deixa sem pensar uma segunda vez.
É doce, macio e quente, novo e muito bom também. Um desses beijos que te faz derreter e suspirar de decepção quando acaba, porque não devia acabar. Ela quer continuar perto dele, com as mãos segurando seus ombros largos e a boca quase grudada na sua, roubando todos os selinhos que ela sente vontade. Ela quer sentir os braços dele a segurando pela cintura e a mantendo perto também, por mais tempo, até ela se esquecer que aquilo tudo não tinha propósito. Não de verdade.
Era só um jeito de dar um troco no namorado dela, então por que ela se importa tanto?
— Você… Vai fazer alguma coisa semana que vem?
Sai mais rápido pela boca dela do que consegue processar, e ela fica tão feliz quando escuta ele dizer que sim, ele tem algo pra fazer semana que vem, e é sair com ela de novo.
Ver ele na outra semana é muito bom, ver ele mais de uma vez na outra semana é muito bom também, e quando ela se dá conta, passa mais tempo andando por Nova York com Seungkwan do que vendo o próprio namorado, que fica possesso quando descobre que ela anda tendo encontros com outro cara — mais bonito, mais alto, mais atencioso e que tem um lobo que rosnou em sua direção um dia desses, quando Wolff a deixou na porta do apartamento enquanto o outro parecia pronto pra brigar — e que agora não é mais tão divertido quanto ele achava que ia ser.
“Quando você faz isso, parece traição.”
“Eu me sinto inseguro agora e não gosto dele.”
“E se a gente fechar nosso relacionamento de novo?”
“E se eu pedir você em casamento?”
Se ela já não tivesse terminado com ele mentalmente, uns dias antes, talvez até aceitasse aquele acordo e estivesse muito iludida em salvar aquele relacionamento longo sem se preocupar em como ia ser difícil pra lidar depois, mas o deixou ir e levar todas as coisas dele daquele apartamento sem pensar demais, porque no mesmo dia, já tinha marcado de beber uma garrafa de vinho com sua companhia favorita e informá-lo que ela queria que ele conhecesse seus pais.
— Eu vou mudar, eu vou amadurecer, nós saímos da escola juntos, fomos pra faculdade juntos, e até estamos pós nos graduando juntos e é muita coisa pra jogar fora agora… Por que você não se casa comigo? Tenha os meus bebês. — Repetia todo o discurso de anti término de seu ex, contando para Seungkwan cada coisa que tinha acontecido naquela tarde antes dele chegar, enquanto deixa uma das mãos correr pelos pêlos de seu lobo que esta com a cabeça apoiada em seu colo no sofá. E ela se sente bem por não querer chorar, e nem se sentir magoada, nada além de frustração genuína por ter perdido muito tempo. — É muito esquisito pensar que eu corri um risco quando um tempo atrás, faria qualquer coisa pra ele cumprir todas essas promessas e terminar com o sobrenome dele, mesmo que não tivesse ele de verdade. Eu atravessaria o país todo pra ganhar um anel de noivado, mas ele não pensou nem por um segundo em me alcançar pra fazer isso.
Mas ele some de sua mente assim que para de falar dele, e assim como foi deixando de se importar com sua presença, ela sabe que vai superar o espaço que ele tinha em seu coração, porque quando olha pra Seungkwan e ele realmente está ouvindo ela, Anna se lembra o porquê eles vão visitar os pais dela no dia seguinte.
E porque ela não se sente culpada por nada do que aconteceu.
Eles vão gostar dele. Eles vão amar conhecer ele.
Sua mãe passa muito tempo discutindo como anda os esportes bruxos com Wolff como a ex-jogadora profissional que ela era, enquanto seu pai só quer saber se ele anda arranjando tempo pra cuidar da própria saúde e se lembrando de ler pelo menos um livro por mês pra desocupar a mente, como o professor universitário tranquilo que ele sempre foi, enquanto casado com uma mulher que sempre foi mais famosa e bem-sucedida que ele, e o mais velho nunca se importou.
É claro que eles se importam com as opiniões de Seungkwan sobre política, educação e o papel de mulheres no geral, porque Anna é a única menina na casa deles e eles não querem que as coisas sejam como antes. Eles só se preocupam se ele consegue passar pelas portas da casa sem ter que se abaixar muito, e se um dia eles se casarem e tiverem filhos, vai impedi-la de continuar trabalhando pra cuidar da casa.
Independente de parecer um interrogatório muito forte pra um namoro de semanas, eles gostam dele.
E do lobo também.
Assim como ela ama conhecer Seungchan, a esposa e o bebê, ouvir todas as histórias sobre a infância dos Wolff e como ele e Helena se encontraram na vida e descobriram que tinham sido feitos um para o outro, até terem essa confirmação no pacotinho mais fofo e tranquilo que Anna já viu na vida.
Ela amava se oferecer pra cuidar daquele bebê e daquele filhote de lobo com seu namorado, mesmo que terminasse nos dois apostando corrida entre os pequenos na sala de estar, sem supervisão e como se fosse muito importante ver aquele neném engatinhar até pegar a mesma pelúcia babada que seu dæmon também estava obcecado.
Era em momentos assim que ela sabia, lá no fundo, que tinha encontrado Seungkwan de algum jeito também, e que talvez ele fosse a última pessoa que ela encontraria nessa vida.
Mas era só quando ele precisava ir embora que ela tinha certeza que o que sentia por ele, era muito mais forte do que ela já tinha sentido por outras pessoas antes.
Porque como assim ela ia passar dias, semanas, meses sem vê-lo todos os dias? Eles tinham passado a semana toda juntos, dormido nos braços um do outro, acordado entrelaçados um no outro, dividido todas as refeições e passeado por Nova York inteira. Eles foram pra um café, levaram Chanwoo e seu filhote pra passear no parque, e até foram em uma exposição de vassouras super antigas com sua mãe no centro antes de sair pra jantar com seu pai. Ela perde as contas de quantas vezes eles terminaram no sofá da sala só falando sobre a vida e jogando conversa fora, e quantas vezes ela se pegou muito confortável ouvindo o coração dele bater, com a cabeça apoiada em seu peito.
Ela ia sentir falta de seu sorriso bonito, do jeito que ele falava com ela, do jeito que ele segurava sua mão e olhava pra ela. Só de pensar que em alguns dias o cheiro dele vai sair de seu apartamento e principalmente de sua cama, a deixa desesperada e o procurando pela casa toda até o encontrar no quarto organizando as próprias coisas, perguntando porque ela ficou bicuda do nada e o que aconteceu nos cinco minutos que ela tinha ido pra sala checar seu lobo.
— Você precisa mesmo ir embora? — Ela chegava a arrastar os próprios passos até abraçá-lo pela cintura, em completo descontentamento. — Você não pode melhorar os meus dias 100% e ir depois.
E ela dizia aquilo completamente consciente que ele tinha um trabalho, uma casa, amigos e suas próprias responsabilidades na Ásia, ele já sabia, mas era impossível não ficar ansiosa quando tinha ele tão perto, e de repente eles iam ficar tão longe.
Ela acha que um beijo vai resolver, tqlvez dois, e depois mais um, até se encontrar em cima do colo dele e atacando sua boca com mais beijos desesperados enquanto ele fica sentado na cabeceira da cama, descansando as mãos nos quadris dela até descer para sua bunda assim que as coisas ficam mais intensas. Ela geme quando se lembra que também vai sentir falta dos amassos e de como ela consegue sentir ele ficar duro debaixo dela, quase tão rápido quanto ela sente a própria calcinha ficar úmida cada vez que ela se esfrega mais rápido nele.
Ela vai sentir falta do jeito que ele a toca como se ela fosse muito preciosa, do jeito que ele tira suas roupas e deixa que ela tire as dele, e de como ela precisa de mais de um segundo inteiro pra absorver o quanto ele é bonito e gostoso e totalmente o tipo dela, antes de sentir ele por toda parte mas principalmente dentro dela. Ela ama o fato dele entender que pra ela nunca é só sexo, e que mantém uma das mãos entrelaçadas na dela enquanto estoca fundo e forte e faz ela ver um monte de estrelinhas quando fecha os olhos com força e geme o nome dele. E ela ama como eles fazem tudo com sentimentos, quando sente o próprio coração disparar não só por quão rápido ela quer sentar em cima dele, mas porque ele olha pra ela quando a elogia e diz que também vai sentir falta dela.
Anna quase se esquece que vai ficar muito sozinha naquela semana quando as coisas dele forem embora, depois que eles terminam entrelaçados na cama dela de novo, muito tempo depois de suas reclamações e agora se sentindo dolorida depois de ter ele mesmo por toda parte, enquanto mantém a cabeça apoiada em seu peito e sua mão por baixo da dele.
Até ela se esquecer mesmo que eles vão ter que se despedir, ouvindo o coração dele bater e pensando que aquilo é tudo que importa por agora.
— Eu fico tão feliz de ter encontrado você. — Aquilo é só o que importa.













