Eu odeio seus olhos castanhos, que fique registrado para posteridade. Eles sĂŁo claros e ficam ainda mais quando vocĂȘ os encolhe para olhar para o sol. E eu odeio o jeito como eles parecem infinitos, e no quanto me sinto tentada a nĂŁo desviar deles, porque nunca fui capaz de olhar muito tempo nos olhos de alguĂ©m. Eu odeio o jeito como se vocĂȘ fosse um mistĂ©rio, e no entanto me entregasse a resposta nos olhos, mas eu nĂŁo soubesse ler o que Ă©. Eu odeio que seus olhos me lembrem o outono, e a metĂĄfora, no maior estilo piada cĂłsmica, que eles trazem implĂcita: estou me tornando de plĂĄstico. NĂŁo como PinĂłquio, que mentia e se transformava em madeira, mas de plĂĄstico. A cada vez que me privo de fazer algo por medo, paranoia, ou qualquer outra coisa. A cada vez que digo e faço o que querem, e sorrio como querem, eu me transformo cada vez mais em plĂĄstico. Artificial, imutĂĄvel, inquebrĂĄvel. Afinal, nĂŁo dĂĄ para se quebrar o que nĂŁo tem nada por dentro. Eu odeio seus olhos, odeio o quĂŁo vivos eles sĂŁo, o jeito que eles sempre me lembram o maldito relĂłgio, que faz questĂŁo de me esclarecer o quanto os dias sĂŁo todos iguais. Eu odeio o jeito que eles sempre me lembram os meus malditos olhos de botĂŁo.
As notas de rodapé de Louise Carter













