Na noite de ontem, nos despedimos de Marielle e Anderson. As últimas palavras também chegaram para outros muitos rostos não conhecidos ou contabilizados pela estatística da violência. Algumas noites não têm previsão de se tornarem dias para muitas famílias interrompidas e muitas palavras morreram sem serem escutadas. O fluxo natural foi desviado pela ignorante força dos conflitos do homem contra o homem. Ainda que a amarga verdade carimbe o paladar e o asco pela pequenez humana entorpeça o corpo, precisamos, mais do que nunca, preservar os corações que convergem para o amor. Sabendo que, em momentos como esse, a descrença de que ainda podemos triunfar como coletividade é infinita, precisa estar presente a certeza de que ela não pode ser maior do que a nossa vontade de fazer tudo dar certo. Quer pela memória dos que foram precocemente, quer pela incrível determinação tupiniquim, não podemos abaixar a cabeça. Sei que muitas outras lutas virão, que algumas noites serão quase intermináveis e que ainda pensaremos em desistir muitas vezes, mas sei que é possível mudar o que temos. Podemos ascender como sociedade, através da união entre os nossos quereres e da nossa resiliência e não podemos esquecer que temos uns aos outros, os dispostos em deixar para o mundo o melhor de si. Pelo compasso da vida, com o passar de todo o tempo, gostaria apenas de saber: até quando assistiremos ao nosso fim? Com o coração atemporal, Pedro - Um Cartão #MariellePresente #AndersonPresente #AGentePresente (em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro)














