O Jardim do Que Quase Foi
Às vezes, a maior saudade não é do que vivemos, mas do que poderÃamos ter vivido.
Há dias em que a imensidão parece fria e silenciosa, um vasto vazio onde as possibilidades não se concretizaram. Mas, em um canto guardado da mente, num mundo que só se revela quando os olhos se fecham, existe este lugar.
É um jardim de luzes quentes e douradas, uma pequena constelação florescendo no escuro. Nele, crescem risos que nunca demos, conversas que nunca tivemos e um amor que nunca teve a chance de respirar sob a luz de um sol real.
São memórias que nunca foram, instantes roubados de um futuro imaginado e guardados num passado inventado. Cuido dessas centelhas com reverência, porque são as únicas coisas quentes em todo este universo de ausência.
É uma saudade doce e amarga, uma falta de algo que nunca tive, mas que parece mais real do que qualquer outra coisa. Cuido dessas luzes com a esperança de que, talvez, num outro mundo, num outro tempo, elas possam, finalmente, florescer de verdade.
Por enquanto, elas ficam aqui. Amadas, em segredo.












