Gabriel Leone em ⁋❛Barba Ensopada De Sangue❜¶ Dir. Aly Muritiba
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Gabriel Leone em ⁋❛Barba Ensopada De Sangue❜¶ Dir. Aly Muritiba

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A projeção de #Ferrugem travou nos primeiros minutos por 3 vezes (daí essas fotos da tela congelada), tanto que o filme teve que ser reiniciado, mas nada que trouxesse prejuízo à sua exibição de estreia no Espaço Itaú de Cinema de Brasília, hoje à tarde (30.8.2018). Bem direto ao ponto, o diretor Aly Mutiriba expõe o problema do revenge porn em um ambiente escolar, (embora não hovesse tido algum tipo aparente de vingança entre os protagonistas Tati (Tifanny Dopke) e Renet (Giovanni de Lorenzi) "apenas" cyberbullying e slut shaming), não tenta resolvê-lo, e o deixa para a plateia tratá-lo de acordo com a sua consciência e percepção. O interessante é como ele afeta uma família. E a partir daí o público é deixado a ver a reação própria de cada membro dela com um certo distanciamento e frieza. Ao passar a acompanhar esse núcleo familiar com olhos de vouyers, mas sempre à espera de onde e como tudo terminará, o espectador não é deixado ao sensacionalismo e pieguice. Ferrugem é uma ótima realização, assim como o o longa de estreia de Muritiba Para minha amada morta (2015/2016), que estreou como uma ótima surpresa no Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro (2015). O elenco merece destaque, assim como a direção e roteiro. Tiffane Dopke, Clarisse Kiste, Enrique Díaz e Giovanni de Lorenzi fizeram os seus melhores, mesmo em situações muito tensas e de delicada dramaticidade. Díaz e Kiste têm o melhor monento do filme: uma longa cena dentro de um carro, embaixo de chuva, com diálogo em ritmo preciso e basyante natural, com alterações de humor e nenhum corte. Mais cenas assim, por favor, Cinema Brasileiro. #ferrugem #alymuritiba #tifannydopke #enriquediaz #clarissekiste #giovannidelorenzi #movietheatreproblems #movieposter #cinema #cinemabradileiro #espacoitaudecinema #conjuntof 30.8.2018 (em Espaço Itaú de Cinema) https://www.instagram.com/p/BnH-HJFHM7X/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=9evzxz0a78ky
Aly Muritiba | Profanar não é problema
Revelação do cinema nacional, o diretor acompanha a produção literária contemporânea e prepara adaptações para livros de Daniel Galera, Lourenço Mutarelli e Raphael Montes por Omar Godoy
A história do cinema no Brasil passa, obrigatoriamente, pelos livros. De Vidas secas (1963) a Cidade de Deus (2002), de Dona Flor e seus dois maridos (1976) a Carandiru (2003), boa parte dos filmes nacionais mais populares de todos os tempos é baseada em obras literárias. Essa tradição inclusive já foi assunto de uma reportagem do Cândido (edição 14, publicada em setembro de 2012) em que realizadores, críticos e pesquisadores discutiram a importância da literatura para o audiovisual brasileiro e destacaram as melhores adaptações já produzidas. Revelação recente do cinema nacional, o baiano Aly Muritiba, de 37 anos, está prestes a engrossar a lista dos diretores que recorreram aos livros para se inspirar. Depois de chamar a atenção com filmes como o curta-metragem A fábrica (pré-indicado ao Oscar de 2013) e o longa Para minha amada morta (premiado nos festivais de Montreal e Brasília), ele atualmente trabalha em nada menos do que três adaptações literárias: Barba ensopada de sangue (Daniel Galera), Jesus Kid (Lourenço Mutarelli) e O vilarejo (Raphael Montes) — neste último apenas como roteirista. “Essa tradição de adaptar livros é muita antiga e precede a invenção do roteiro como conhecemos hoje. Muitos autores de peças e romances escreveram os primeiros filmes da História. É um fenômeno que advém do fato de que o cinema 'tradicional', aquele narrativo, que conta uma história, nasceu nos rastros da literatura, arte que precede o cinema em milênios”, afirma o cidadão de Mairi, no sertão baiano, mas radicado em Curitiba desde 2005. Com cerca de 15 mil habitantes, a cidade sequer tinha cinema quando Muritiba saiu de lá, aos 17 anos. A única forma de “viajar no tempo e no espaço”, como ele diz, era lendo os poucos livros a que tinha acesso. “Não havia algo que se assemelhasse a uma biblioteca na minha casa. Sou filho de proletários não muito letrados, então a prioridade era o trabalho”, conta. Sua avó, no entanto, tinha alguns clássicos brasileiros mal conservados e uma enciclopédia Barsa — o suficiente para fazer o garoto decolar. “Eu era encantado com as gravuras de dinossauros nos volumes da enciclopédia, por isso comecei a lê-los.” O diretor cita O Guarani (José de Alencar) e Macunaíma (Mário de Andrade) como obras marcantes em sua primeira fase como leitor. Mas o primeiro livro que realmente o emocionou foi Vidas secas, de Graciliano Ramos. “Me fez chorar, me fez querer ter uma cadela para chamar de Baleia, me fez sentir orgulho de ser sertanejo... E me fez ter pena do papagaio da minha avó”, brinca, fazendo referência a uma passagem, digamos, gastronômica, do romance publicado em 1938. Na adolescência, enquanto tocava em uma banda de rock e devorava todos os lançamentos de Paulo Coelho, descobriu um livro crucial para sua trajetória: O queijo e os vermes — O cotidiano de um moleiro perseguido pela Inquisição. Escrita em 1976 pelo historiador italiano Carlo Ginzburg, a obra mostra a perseguição sofrida por um camponês considerado herege pela Igreja Católica no século XVI. É considerada um dos pilares da escola conhecida como “micro-história”, baseada na análise de elementos do passado a partir de uma escala mais reduzida (como, por exemplo, relatos de personagens anônimos). “Esse livro mudou a minha vida, no sentido de me empurrar depois para o estudo de humanas. Tornei-me historiador por causa dele”, revela Muritiba, formado na Universidade de São Paulo (USP) e admirador dos estudos do britânico Eric Hobsbawn (autor da quadrilogia formada por A era das revoluções, A era do capital, A era dos impérios e A era do extremos). “Para mim, esses livros são essenciais para entender a história contemporânea do Ocidente. Até hoje volto a eles”, conta o cineasta, que, além de professor, já foi atendente de farmácia, bilheteiro do metrô de São Paulo, bombeiro e agente penitenciário. Atualmente, Muritiba acompanha a chamada “literatura brasileira contemporânea”, especialmente a produzida por autores jovens. Seus prediletos são Joca Reiners Terron (“Ele encontra beleza e poesia no cotidiano) e os já citados Raphael Montes (“A literatura dele tem crueldade e concisão”) e Daniel Galera (“Pela qualidade dos diálogos e profundidade dos personagens). Voltamos, então, ao assunto das adaptações para o cinema. “É uma tarefa árida, pois é preciso entender os limites e potências de cada mídia. Ao mesmo tempo, é desafiador tentar encontrar o meu ponto de vista, minha autoria, a partir de algo já posto. Parto do princípio de que o autor do livro é o outro, o do roteiro sou eu. Portanto, profanar não deve ser um problema”, diz o cineasta, que cita Abril despeçado (de Walter Salles, inspirado no romance homônimo de Ismail Kadaré) como sua adaptação nacional preferida. Sobre a versão de Barba ensopada de sangue, um dos romances mais comentados dos últimos anos, Aly Muritiba só adianta que o filme já tem orçamento garantido e começa a sair do papel no primeiro semestre de 2017 (o lançamento está previsto apenas para 2018). Enquanto isso, ele segue para o Uruguai, onde fica até final deste ano envolvido com a série O hipnotizador, produção da HBO com episódios assinados por diretores latino-americanos. Coincidência ou não, o projeto também é uma adaptação — mas, desta vez, de uma história em quadrinhos.