Vez ou outra tenho relances de seus olhos de cigana oblĂqua e dissimulada olhando para alĂ©m de mim. A mĂșsica que tocava ao fundo, nesse exato momento, surge perfeitamente na minha cabeça. Ă uma dessas cenas que se farĂŁo eternas dentro de nĂłs. Pelo menos dentro de mim.
OLHOS
HĂĄ duas semanas venho lutando contra meus pensamentos, que teimam em viajar a velocidade da luz e chegar atĂ© a galĂĄxia mais prĂłxima, que Ă© vocĂȘ. JĂĄ no final daquela noite o medo se fez morada em meu coração. A confusĂŁo e a surpresa e o choque. O que estava acontecendo? Os beijos eram reais ou eu havia bebido cerveja demais? Acontece que eu estava mais sĂłbria do que nunca.
CIGANA
Apesar do meu espĂrito nĂŽmade e de meu coração andarilho, em vocĂȘ me fiz morada por uma noite. Entreguei para vocĂȘ os meus melhores beijos. Desabei sobre vocĂȘ meus carinhos e ternuras hĂĄ tempos guardados, como uma cachoeira desagua, intensa, suave e viçosa, suas ĂĄguas sobre a superfĂcie. Permiti que seus olhos penetrassem dentro de minha alma. E de meu coração.
OBLĂQUA
No dia seguinte eu tremia e ao mesmo tempo sorria de nervoso. Eu estava surpresa demais com tudo que havia acontecido e fiquei buscando indĂcios de nĂłs anteriores Ă quela noite. Por incrĂvel que pareça e para minha maior surpresa, encontrei vĂĄrios olhares oblĂquos, inclusive de minha parte! VĂĄrios âbons diasâ sem a devida atenção. VĂĄrias chances desperdiçadas e, mais uma vez, uma nova chance lançada Ă s ĂĄguas da cachoeira e levada para todo o sempre.
DISSIMULADA
Por vĂĄrias vezes eu quis mandar mensagem para vocĂȘ, te mandar novos âbons diasâ, perguntar como vocĂȘ passou a noite, saber o que se passava pela sua cabeça sobre nĂłs, entender o que vocĂȘ esperava daquela noite... e o que esperava do dia seguinte. Eu quis, eu quis de verdade me fazer presente depois daquela noite, mas o medo me paralisou e a dĂșvida sobre os seus sentimentos, somados Ă minha constante habilidade de autodefesa, quiseram evitar todo um possĂvel sofrimento futuro, quase um dĂ©jĂ vu. Mas eu ainda penso em vocĂȘ e no que poderĂamos ser todos os dias.















