Eu sei que você não quer me machucar. Mas você pode. E às vezes quando eu te vejo sorrir com esse jeito desencanado eu tenho certeza que você vai. E isso me rasga por dentro. Sabe aquele olhar, que você falou que era de tristeza? É dor. E você disse que eu sou forte o suficiente para passar por isso mas se eu fosse forte eu passaria por cima de você e apagava o que tem de você em mim. Veja bem, eu sei que não sou a única que te arranca suspiros. Eu sei que quando não estamos imersos na nossa intensidade e com nossos corpos entrelaçados eu nem passo pela sua cabeça. E eu sei que meu corpo não é o único que tem sentido o seu toque. Admitir isso é como um soco no estômago mas eu precisava que você soubesse. E eu preciso te dizer que vai chegar um momento em que eu vou deixar isso pra lá. Eu não vou conseguir carregar isso sozinha. Meus braços vão cansar de remar o barco e talvez eu morra na praia. Eu prometi para todas as minhas amigas que no momento que as coisas começassem a me machucar eu iria pegar meu caderninho, que nestas últimas semanas tem sido seu, e esquecer o caminho da sua casa e ignorar a vontade de correr até os seus braços. Não posso ser o seu estepe mas ao mesmo tempo eu não vou exigir nada de você. Porque não seria justo com nós. Porque o que temos vai além disso. Você sabe. E é por isso que eu ainda não desisti. Porque eu não sei o que somos mas eu gosto. Eu não quero ir embora e sei que você não quer que eu vá. Mas eu não sei o que você quer de mim. Não sei quando eu vou. Não agora, nem amanhã. Mas eu precisarei ir. Deixarei a gente de lado e vou abraçar coisas novas e conhecer novos gostos. Transbordar meus sentimentos em outro canto. Mas está tudo bem. Se eu for. Vai continuar tudo bem. Você vai lembrar de mim com aquele seu sorriso bobo e eu vou guardar nossos momentos numa caixinha. Talvez a gente se esbarre por aí de novo. Talvez você me faça ficar. O que quer que seja, está tudo bem.
(A.)











