PRETA - Gabriela Flor
PRETA, você tá fazendo tudo errado! Preta tem que ter samba no pé. Me diz, onde você já viu preta dançando música clássica? Você tá sendo motivo de piada, esquece esses passinhos que você aprendeu e rebola a bunda ao som de um pagodão. É isso que preta faz! E esse cabelo, preta? Não vai alisar? Fica mais bonito se for escorrido! Preta, tu falando inglês? Quanto eu digo que tu é metida, preta. Esqueceu que estamos no Brasil? Para de querer aparecer, tá querendo bancar a intelectual? E agora, tá quietinha por quê, preta? Preta tem que se enturmar, falar alto, fazer barraco, protagonizar briga. Eu nunca vi nenhuma preta quieta, tu tá doente? Para de ser chata, nariz em pé, desmancha essa cara de bunda, coloca um sorriso no rosto, tenta prender esse cabelo de Valderrama e se enturma com a gente, estamos te dando a chance de pertencer ao grupo! Pô preta, tu é 8 ou 80, né? Tava quietinha e agora tá aÃ, não para de fazer essas danças esquisitas, te orienta, preta! Você tá se oferecendo demais com toda essa peformance, tu acha mesmo que vai conseguir seduzir alguém? Preta, conselho de amiga, você tá passando vergonha. Eu sou mais eu! Sabe preta, eu até gostava de você, mas tu citou o nome de Jesus? Não é porque você tem a sua religião, que deve desrespeitar a dos outros. Aliás minha preta, qual a sua religião mesmo? Ah, já sei! Preta e baiana, só pode ser macumbeira! — Albert Matarazzo, doses diárias de preconceito disfarçado.












