O corpo humano é um amontoado de pequenas unidades formando conjuntos cada vez maiores para, enfim, formar um só organismo, o corpo. A união dos pequeninos é abençoada com água, muita água. A mesma que você bebe, que os peixes dos rios nadam e os cavalos atravessam. A água é sempre a mesma e está em constante movimento, para não ser a mesma, no mesmo lugar o tempo todo. As mesmas águas juntam-se com ingredientes diferentes para formar poções diversas. Há partes dos 70% do corpo humano (o qual é todo água) que se junta com sais e vira o mar que transborda quando está cheio demais (de tristeza, felicidade ou qualquer outro tipo de dor). Existe água que se endoidece por lugares escuros, quentes e úmidos (e por bactérias) e vai, se aglomera e vira fedor, para ninguém esquecer-se da sua existência. E há, ainda, a água metafórica de todo poeta, para que nenhum permaneça vivo e todos tenham a chance de afogar-se (em si).