"I wanna come home to you."
meme ; status: não aceitando
estava impaciente. a perna balançava como um tique nervoso; os olhos não mais conseguiam aquietar-se em um só lugar. mais suspiros escapavam em um menor intervalo de tempo. o que porra estava acontecendo, daeoh não sabia explicar muito bem, mas sabia o que queria. sabia o que talvez pudesse fazê-lo parar. “senhor, isso não vai nos levar à nada.” ele disse pela primeira vez com o tom irreconhecível. ao menos para si, o anjo exemplo; a verdadeira definição de como todos deveriam ser. ele, por sua vez, sabia mais: não era perfeito. e sua inquietude estava mostrando, afinal, o limbo e as almas deveriam ser mais importante que voltar para casa só para acalentar aquela sensação no peito. oras, sequer devia ter qualquer sensação no peito.
“estamos aqui a mais de três horas, e nada avançará. são palavras contra palavras.” o anjo continuou, a feição séria. parecia, naquele momento, cinquenta anos mais velho. em pensar que cinco anos atrás, vivia como um qualquer em terra. ele levantou-se com elegância e suavidade que, com o tempo, acabou sendo algo natural. daeoh surpreendeu os outros anjos com tal ato, mas pouco importava-se. queria ir para casa; precisava, ou a fúria o enlouqueceria. “meu turno acabou fazem duas. estou cansado e furioso, para ser honesto. sinto muito, mas é fato: existe corrupto entre nós. e vocês sabem disso.” disse por fim. não discutiria mais sobre aquilo, não mais. havia sido um risco dizer tal? provavelmente. faria inimigos por isso? com toda certeza. mas mata-lo que não poderiam, e encontrar motivos para leva-lo para o exílio menos ainda.
daeoh não conseguia mais encarar ninguém. pelo caminho de volta para casa, não conseguiu mostrar um sorriso. estava cheio; estava engasgando. precisava de sua casa; precisava voltar para casa. foi frustrante, então, adentrar o apartamento no complexo e não encontra-lo na sala. o coração atrasou uma batida; o limbo girou, de alguma forma. daeoh soltou o casaco em um canto qualquer e correu para um dos quartos - e foi como se tudo voltasse à ordem. por que sentiu tanto medo? os olhos fecharam; suspirou. “desculpa, eu fiquei preso numa... reunião, acho. acho que esse seria o novo.” daeoh sorriu discretamente, de soslaio. então, adentrou o quarto do rosado e deitou ao lado do mesmo. “desculpa não poder ter feito o jantar. e se comeu sozinho.” um segundo suspiro escapou, mas dessa vez, com ele, foi embora todos aqueles rabiscos que deixavam sua cabeça nublada. estava ao lado de seu lar, finalmente.







