Hoje eu acordei me sentindo no limite, sabe?
Parecia que eu não tinha lugar para ir e não importava para onde eu fosse, ainda não seria bem-vinda.
Sinceramente, eu não tenho um lugar para ir. Minha vida parece um monte de cartas de baralhos amontoadas umas sobre as outras desmoronando depois que uma brisa bateu.
Estou tão sufocada, final de semestre e estou extremamente estressada, as brigas com meus pais, principalmente com a minha mãe, estão mais frequentes. Ela parece me odiar e eu não a culpo, afinal, eu também eu me odeio.
Estou rindo enquanto escrevo isso porque eu vivo todo dia a prova de que as coisas podem piorar. -Suspiro- Eu me apaixonei pela segunda vez agora aos 20 anos. Estava voltando pra casa no ônibus junto com uma amiga e começamos a falar sobre nossas paixões ao longo da vida e nem percebemos que o maior fofoqueiro da sala estava lá, atento ao que dizíamos.
Ele escutou quando eu assumi que tinha sido eu quem escreveu a descrição apaixonada sobre um menino da minha sala e a professora leu, ele escutou quando eu disse que gostava desse menino.
Cheguei em casa tomada pelo pânico, eu não estava preparada, mas naquele momento eu tive que enfrentar mesmo não estando. Fui lá e me declarei para o menino, afinal, eram os meus sentimentos, era melhor ele saber por mim do que pelos outros.
Foi horrível! Eu me declarei, mas como diz Clarice Falcão na música Capitão Gancho "Se não desse errado não seria eu", pois é, ele já está namorando.
É trágico, é doloroso, eu não aguento mais ser eu, mas apesar de tudo, eu não consigo gritar ou chorar e assim acabo morrendo sufocada no meu silêncio e afogada em minhas lágrimas.