[THE INSURGENT] ou [ZIPPORAH R. DUBOIS] atualmente tem [30 ANOS], mora em New York e trabalha como [colunista de uma revista]
Na East Wenk diziam que era muito parecida com [SARA WAISGLASS], mas atualmente vivem comparando ela com [CONOR LESLIE]. Em seu yearbook, [Zipp] disse: [“ We need and we can change the world”].
“Sim, vocĂŞ era diferente e qualquer um que te visse pelos corredores afirmaria isso com convicção. VocĂŞ sempre foi convicta, sempre teve seus ideais, o socialismo utĂłpico, a luta antimanicomial, dentre outros, numa reinvenção quase prĂłpria da “Festa da vida”. Jamais deixaria algo lhe abalar ou afastar de sua ideologia, certo? Errado. Esqueceram de te avisar que a humanidade Ă© por si corrupta, e assim talvez fosse vocĂŞ. Afinal, quem diria que lutar contra o sistema teria um novo sentido depois da primeira noite nos lençóis de algodĂŁo egĂpcio? VocĂŞ atĂ© tentou se manter firme Ă s raizes, fazer o certo e honrar a memĂłria daquela que te criou com diretrizes tĂŁo justas e bonitas. Era mais fácil se compadecer quando vocĂŞ mesma fazia parte da realidade, mas do topo, a vista para baixo fica meio embaçada. Passou ensino mĂ©dio tentando manter a voz ativa, as lutas engajadas, as causas. Mas, seria questĂŁo de tempo atĂ© se acostumar com o luxo de uma vida nova? Será que vocĂŞ realmente achava o “capitalismo selvagem” assim tĂŁo ruim? Será que ainda dá tempo de encontrar o rumo de volta, ou a caminhada fica mesmo mais fácil com um solado vermelho?”
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DESENVOLVIMENTO.
Dentro de nĂłs há uma coisa que nĂŁo tem nome, essa coisa Ă© o que somos. É provável que Zipporah Dubois nunca tenha sabido quem ela era, embora afirmasse com frequĂŞncia verdades quase improtestaveis pelos corredores da East Wenk. Afinal, a pior cegueira Ă© a mental, já dizia Saramago. Ela faz com que nĂŁo reconheçamos o que temos pela frente. Um mundo caĂłtico que precisava ser mudado era o que dizia sua mĂŁe. “Estamos a destruir o planeta e o egoĂsmo de cada geração nĂŁo se preocupa em perguntar como Ă© que vĂŁo viver os que virĂŁo depois”. Um mundo vasto que precisava ser conquistado, já dizia seu pai. “A Ăşnica coisa que importa Ă© o triunfo do agora”. Confusa, sempre esteve confusa, perdida na cegueira da razĂŁo. “Nem oito, nem oitenta.” Se ao menos lhe tivessem ensinado o ditado… Ela teria percebido que o equilĂbrio era a chave. Uma pena que equilĂbrio sempre esteve em falta na calorosa porĂ©m efĂŞmera relação de Alexandra Dixon e Michael Dubois.
Herdeiro de um legado importante do direito, Michael teve seu devaneio de jovem rebelde aos vinte e dois, quando correntes ambientalistas e socialistas lhe tiraram o sono, no último ano de faculdade. Foi em um manifesto que conheceu Alex, a jovem idealista que, com muita sorte e sem qualquer apoio dos pais hippies, conseguiu chegar à faculdade de jornalismo. Três encontros e uma paixão avassaladora, daquelas que te fazem questionar se a vida havia começado ali. E de certa forma precisou começar, já que o romance mal aceito pelo pai do homem, lhe rendeu a expulsão de casa e dos negócios, assim que ficou ciente do bebê que Alexandra esperava.
Contas e mais contas, mal conseguiam pagar o minúsculo apartamento em NY. O problema do idealismo e das causas pro-bono é que dificilmente elas ajudam nas contas ao fim do mês. Completamente desiludido, o bom filho à casa tornou, deixando para trás as dificuldades financeiras e consequentemente, seu grande amor. Não foi preciso uma semana sequer para que o homem assumisse sua posição na dinastia dos Dubois, duas para solicitar a guarda da criança de um ano que colocara no mundo.
Tomada pelo medo de perder a filha, Alex fugiu o mais rápido e para o mais longe que pode. Como diabos ela poderia competir judicialmente com pessoas tĂŁo importantes,que ainda por cima tinham experiĂŞncia na área? Matou seu nome para nĂŁo ser reconhecida, dando assim espaço para Anika Reece nascer. Com a ajuda dos Ă´nibus hippies que seguiam como nĂ´mades de um lado a outro e a ajuda dos mesmos para cuidar da criança, acabou parando em Oregon, em uma comunidade de moradas alternativas. Lá, alguns casos depois, iniciou um relacionamento com Suki, uma geĂłgrafa em busca de bases culturais para seu documentário complexo demais para ter um tĂtulo. Ela lhe abriu espaço de morada no loft em Portland e assim, foi formada a primeira famĂlia que Zipp conheceu.
Zipporah cresceu em meio a manifestações, câmeras, máquinas de escrever, livros, horta comunitária e socialismo. Tinha na mĂŁe sua inspiração de escrita, os roteiros escritos, junto com as dissertações a encantavam desde que aprendera a ler; a magia visual e ideias de geografa a levavam Ă euforia, aprendendo como se expressar pelas mais diversas artes. Treze anos e Zipp queria mudar o mundo. Frequentadora assĂdua de protestos, fosse pelo direito de morar, de casar ou de ir e vir, ela sempre estava lá, ao lado de suas duas mĂŁes, desafiando o mundo. PorĂ©m, quando um desses protestos se acalorou e a polĂcia interviu aos tiros, desejou nĂŁo ter de desafiar. 5 civis mortos. 7 gravemente feridos. Maldita incidĂŞncia que lhe tirou a melhor pessoa do mundo. Mas, as divindades tendem a levar os melhores para si.
O velĂłrio aconteceu em uma tarde nublada de abril e desde a data, o clima se enquadrou ao novo humor de Suki. De brilhante e cheia de vida, a mulher se tornou uma pessoa distante, sem vontade, que nĂŁo conseguia pensar no que viria a seguir, fazia bicos que mal davam para se sustentar, imagine como uma criança. O dinheiro que Zipp conseguia atendendo mesas em uma lanchonete era pouco demais. Como tudo agora era. Olhar a jovem, que tanto se parecia com a mĂŁe lhe destruĂa a cada dia. O emaranhado de pequenas coisas foi suficiente para as discussões começarem e se intensificar, atĂ© o ponto de a situação se tornar insustentável e foi assim que Michael conseguiu sua filha de volta.
Eram seis da manhĂŁ de quarta feira quando o telefone tocou sem parar na mansĂŁo dos Dubois, em Jersey City. A tempo entre a notĂcia de que sua filha estava viva, a proposta de enviá-la de volta, o pagamento das passagens, do depĂłsito de dinheiro extra que Suki pediu para começar a vida longe dali e a chegada de Zipporah a mansĂŁo foi de uma semana. Uma festa com tudo que tem direito foi o que o homem preparou, com a ajuda de sua esposa, para a chegada de sua filha. Um desapontamento, Zipp odiou as extravagâncias, o desperdĂcio, os empregados uniformizados, ter de estar alĂ. Sentiu-se como o vagabundo conhecendo a dama, sĂł que ao invĂ©s de amor, o sentimento para com a aristocracia era de nojo. As tentativas de fuga a priori foram frequentes, porque claro… Viver no inferno com a maldita que praticamente a vendeu era melhor que numa mansĂŁo com um pai que te ama e quer te dar o mundo. Anos de persistĂŞncia sobre humana foram necessários para a relação de pai e filha começar a ser construĂda, mas, Michael conseguiu. Com muita paciĂŞncia e certa abertura disciplinar fora convencendo a filha de que ela podia ser o que quisesse, mesmo ali. Bem, Zipporah nĂŁo queria ser uma rica mesquinha, por isso passou a mentir na nova escola sobre quem ela era, ainda que fosse mais fácil lutar pelo mundo com uma roupa confortável de algodĂŁo cru.
Pequenos luxos iam sendo mastigados por Zipp enquanto ela teimava em achar que estava nadando contra a corrente, fingindo uma realidade que já nĂŁo lhe pertencia tanto. A hipocrisia ficava disfarçada para quem visse de fora, afinal, as roupas de brechĂłs pareciam simples, a fala era bonita e convincente, talvez porque de fato, ela acreditava no que dizia. Acreditava na necessidade de igualdade, na queda de relações hierárquicas e abusivas, inclusive na escola. Transformou a East Wenk em seu palco, onde ela tinha a necessidade de debater sobre temas que achava relevante; proferia verdades pelos corredores ou nas crĂ´nicas ácidas que escrevia, cercada pelos insatisfeitos com o sistema e amigos da natureza. Em contra-partida, se acostumou cada vez mais a ter os benefĂcios que sĂł a hierarquia podia lhe proporcionar, como as banheiras para relaxar apĂłs um debate intenso ou a vaga na Ivy League. NĂŁo que curricularmente falando, Zipp nĂŁo fosse impressionante, mas, ter um pai amigo do reitor da Brown, ajudava, claro.
Jornalismo, escolha natural, foi um mundo de descobertas; entendeu porque sua mĂŁe enchia os olhos sempre que falava da faculdade. No entanto, apesar de encantada, Zipp nĂŁo se esquivava de bater de frente com as injustiças, professores abusivos ou panelinhas aristocratas, defendendo com unhas e dentes os bolsistas com quem havia feito amizade. Ela realmente ainda achava que ia mudar o mundo, mas, sim… Era mais fácil mudar o mundo no seu apartamento de 120 metros quadrados. Contudo, como mentira por mais que dure, dura pouco, no segundo ano, quando os amigos prĂłximos começaram a estranhar certos acontecimentos e descobriram suas origens, puxaram o tapete da garota, a expulsando de toda e qualquer atividade que faziam juntos, como se ser herdeira fizesse menos de vocĂŞ. Zipporah ficou sozinha, excluĂda dos idealistas, chacota dos mesquinhos e dos que nĂŁo se importavam com nada.
Complexada na Brown, com um bom currĂculo na mĂŁo, mas sem nenhum certificado de quem ela era ou do que estava fazendo. Na fragilidade da situação, foi acolhida com toda compaixĂŁo por Michael, que lhe explicou mais uma vez como entendia a desigualdade do mundo, e como mudá-lo era mais eficaz quando vocĂŞ tentava de cima. A encheu os olhos com suas causas defendidas, estimulando uma pĂłs-graduação em jornalismo, direitos e cidadania. Talvez ele tivesse razĂŁo… talvez eles tivessem, talvez atĂ© Haylee, sua madrasta, estivesse certa quando dizia que era mais Ăştil lutar pelas causas em um meio de comunicação visĂvel. PĂłs-graduação em jornalismo digital e mudança de ares. A madrasta agiu como fada madrinha; a convencendo que teria muito mais visibilidade para suas ideias na Scarlett, revista feminina com alcance nacional, que no pequeno jornal que trabalhava em Providence. Assim, pensando unicamente em mudar o mundo, Zipporah aceitou o cargo de colunista, e isso foi Ăłtimo. O primeiro texto da garota foi publicado no blog da revista um mĂŞs depois, na plataforma digital, já que achava impressões um crime contra a natureza e nĂŁo fosse em papel reciclado, claro. "As facetas do machismo" foi um sucesso, as pessoas queriam ouvir o que ela tinha a dizer e ela queria dizer mais e mais. No entanto, vocĂŞ sabe...as pessoas sĂł querem ouvir o que vocĂŞ tem a dizer, dependendo do que disser. Por isso, com os anos, as pautas sociais e revolucionárias ficaram cada vez mais contidas, eufemizadas, comercializáveis, digamos assim. E, Ă medida que subia em sua posição na empresa, sucumbia cada vez mais aos prazeres da hierarquia e do capitalismo. Cinco anos foram o suficiente para Zipp sair de idealista em ascensĂŁo a rainha consumista. Começou com a comida, porque vocĂŞ sabe...tudo orgânico Ă© melhor mas, quem tinha tempo para ficar cuidando de hora? Economizar água Ă© muito mais prazeroso em uma hidromassagem; algodĂŁo cru Ă© confortável e natural, atĂ© nĂŁo ser, comprar e vender Chanel; e pasme, cartĂŁo timbrado em papel machĂŞ. Sim, Ă© muito mais fácil mudar o mundo de cima. O problema Ă© que no topo, vocĂŞ frequentemente esquece de olhar para baixo, e para si.
PERSONALIDADE.
Zipporah Ă© uma força da natureza, domesticada ou nĂŁo para fins lucrativos. Quando mais nova, teimava em obedecer normas ou convenções sociais, tendo conceitos muito libertinos sobre relacionamento, o que podia gerar certo desconforto nas pessoas com as quais se envolvia. Em uma escala mais discreta, isso ainda Ă© verdade, embora atualmente já tenha engatado em um ou dois namoros pouco duradouros, por pressĂŁo social. Ela adora aventura, embora atualmente se entregue muito pouco a trilhas em lugares pouco desbravados sem a ajuda de um guia turĂstico, antes, Suki era sua guia. É dona de uma confiança inata, ou ao menos se mostra assim para o mundo, já que com todas as mudanças ocorridas durante seu amadurecimento, vez por outra sente-se perdida com relação a si mesma, afinal...quantas partes de si mesmo alguĂ©m pode perder atĂ© parar de se reconhecer? De toda forma, se tem uma coisa que aprendeu a fazer com os anos foi a fingir, o semblante de quem nĂŁo Ă© afetada por nada Ă© frequente no rosto da mulher, sustentando o nariz em pĂ© que Michael a ensinou a ter, tempos depois. AlĂ©m disso, com os anos, a garota energia que estava sempre pronta para vencer uma briga, fosse pelo cansaço ou pelo grito, foi se tornando mais contida, aprendendo jeitos muito mais sutis para ter o que deseja, e sim, se vocĂŞ entendeu manipulação, entendeu bem.
TÓPICOS
Quando criança, Zipporah tinha o costume de colecionar insetos, tendo uns 3 bullets jornals construĂdos com o mesmo. O hábito a segue atĂ© hoje, nĂŁo necessariamente em relação a insetos mas a construção de páginas, fazendo com que seja uma pessoa muito Ăştil no design da revista, vez por outra.
A mágoa da solidão foi sublimada em competitividade, acabando por aprender os ditos “esportes chics”, como por exemplo hipismo, o que poderia ser considerado uma ironia para uma protetora de animais.
Ainda durante sua vida com a mĂŁe e Suki, aprendeu diversos tipos de arte, os quais aprimorou com o pai e professores, sendo assim, em parte de seu tempo de repouso, usa para pintar e esculpir.
O Zipp your mouth, blog colaborativo com a Scarlet, Ă© um dos maiores engajamentos da revista, apesar de ter diminuĂdo bastante o fluxo e as criticas, vez por outra apresenta crĂ´nicas ácidas em um quase resgate de sua personalidade antiga. Talvez seja o blog a maior prova que Zipporah ainda está no meio caminho entre em ela era e quem se tornou.



















