Devaneios do Cotidiano [que aceito]
"Você ainda tem esperanças de ser surpreendido por algo na vida?
Eu acredito que, particularmente falando, ainda que seja demasiadamente doloroso, eu não tenho mais esperanças de ser surpreendida por algo na vida.
É como se eu abraçasse meu destino, embora haja a crença (popular) de que é incerto, eu o abracei como um amigo que vem de uma longa viagem, trazendo na bagagem a melancolia e o sufoco para encher meus potes que por vezes secam.
Outro dia, que chamo de hoje, peguei-me a recordar de momentos nos quais observando outros semblantes [já vividos], enxerguei a mim mesma ali:
Em um canto, como sempre, observando aqueles que tiveram [e tem] vidas completas, vidas felizes, embora eu possa me sentir completa na minha solidão, pois a aceitei, ainda que não me agrade a ideia de que ela é, e, na melhor das hipóteses, será minha única companhia.
Os amigos que me perdoem, por parecer egoísta ao não citá-los mesmo nas entrelinhas, mas a verdade, embora seja relativa, é que pelos inúmeros caminhos que a vida nos oferece, estarei em um no qual poderei apenas contemplar vossa felicidade e torcer, para que seja tão duradoura quanto a amizade que temos [e teremos].
Acredito que, no mais amargo [ou doce] do meu pessimismo, me conformei com a vida [que resta] e que me aguarda, pois
ainda que as sementes sejam boas, os frutos a serem colhidos nem sempre são aqueles pelos quais anseamos".