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George William Russell - Aeons as yet Unrolled

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Gritos - A. E.
Imagem: Black II - Jeroen Henneman, 1990.
Teus olhos vermelhos
Teus olhos vermelhos Parados Pairam sobre mim Pálidos Teus olhos vermelhos Azuis Aquietam-me Atônitos Teus olhos vermelhos Torturantes Tornam-me Trôpego
Ao Telefone
“Oi, alô? É... eu sei que você tá me ouvindo. Também sei que tá me vendo pela fresta da cortina no andar de cima. O céu tá escuro, tá ventando forte e uma tempestade se aproxima. Eu tô aqui, em cima dessa bicicleta, batendo na sua casa pra pedir abrigo — da chuva, da vida. Abre essa porta, me deixa entrar pra gente conversar. Porque você sabe, “tudo que eu quero te dizer eu já cansei de escrever”, eu já cansei de tocar, de cantar.
Eu tô vendo sua mão direita na janela. Sinto falta de tocá-la... de entrelaçar minhas mãos às suas e me ligar a você como antes. Tá esperando o que pra abrir essa maldita porta e me abraçar apertado até eu perder o ar? A chuva está se aproximando e eu não tenho mais roupas secas que aguentem esse seu chove-e-não-molha.
Aquela noite, lembra? A gente estava deitado no tapete da sala, a chuva foi tão forte que acabou a força. Você acendeu velas no fogão porque não achou fósforo e comemos quase todos os restos da geladeira por medo de estragar. Acho que é a mesma chuva. Foi nessa época, não? Isso mesmo, ria! É bom saber que está ouvindo meu telefonema.
Daqui ouço passos, mas já não sei se está descendo pra me expulsar ou me acolher. Acontece que quando você me acolhe, logo me expulsa pra longe por todo esse medo-de-se-machucar, essa falta-de-confiança-em-nós. É... você diz muito isso e eu sei; eu sei que não há nada errado em pensar assim, mas eu to aqui e chuva vem depressa. É... não sei de mais nada. Eu sei que eu tô esperando uma porta aberta e acho que sou como o Campos, na frente de uma parede sem porta. Talvez seja bom dar uma volta na chuv— CONTROLA ESSA RESPIRAÇÃO, POR FAVOR! Eu te amo. Eu—“
Choveu.
Desculpa eu não ser o cara alto com quem você saía aos sábados Desculpa eu não te ligar e dizer que tudo vai ficar bem igual ao cara que você encontrava a cada 15 dias Desculpa eu não segurar seu rosto enquanto você canta a música bem alto igual ao cara lá de longe que você via uma vez ao ano Desculpa eu não dormir de conchinha às vezes te fazendo ninar enquanto você chorava internamente nas tardes de domingo Desculpa eu saber de todos com quem você costumava sair e rir das suas histórias Desculpa eu estar perdidamente apaixonado Desculpa eu saber de cada curva do seu sorriso e o que elas significam Desculpa eu te dizer isso com lágrimas nos olhos. Desculpa, porque eu sei que não sente o mesmo. Desculpa mesmo, mas segue em frente. Eu to aqui pra te ajudar a curar esse mal de saudade alheia. Eu to aqui pra sorrir contigo enquanto você pensa em chorar. Eu to aqui pra segurar suas mãos e tentar fazer você não cair depois de ter bebido demais pra esquecer todo mundo. Desculpa eu te dizer tudo isso, mas eu precisava. Desculpa não ser o amor da sua vida e desculpa ele estar longe demais errado demais alheio demais Desculpa
A. E. — Desculpa

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Explosão
Ela é fogo. Aquece e queima, fascina e amedronta. E sabe do potencial que tem de machucar e de acolher. Grita, fala, ri... respira fundo e segue em frente. Já caiu tantas vezes que já sabe como se levantar. Está calejada, forte como nunca e se conhece melhor do que ninguém.
Sem medo de mudar, segue a lua pelas ruas arborizadas. Segue o vento pelo campo vazio. Segue o coração, sem deixar que ele atrapalhe a razão. É feita pra fazer barulho, mas curte seus momentos de silêncio, em que derrama lágrimas silenciosas, medrosas, pesadas.
Nasceu com a perspicácia e ânsia de existir e se mostrar. É forte, espontânea, fala o que pensa, sem medo do que vem depois. Sua vida é um caminho cheio de curvas, porém objetivo. Traça a rota e segue, direta e confiante. Embora tenha medo de mostrar suas fraquezas — e quem não tem? — está ali para conhece-las e ajudar a todos a conhecer as suas.
Ela é uma explosão contida por carne e osso. Às vezes seu barulho ecoa lá no fundo entre o sorriso largo e os olhos alagados. Deixa chegar apenas a esse ponto, pois sabe que, se deixar sair, a explosão machuca todos a sua volta.
Decidida. Muda de fases com a frequência que troca de roupa. E não se importa se não conseguem acompanhar. Sua vida é movimentada e quem entra nela precisa saber dançar conforme a música. Música que toca nas entrelinhas. Não... ela não vai te dizer, é óbvia demais para jogar todas as cartas na mesa mais uma vez. O que foi mostrado não precisa ser retomado, pois ela é flecha e não um bumerangue que volta a outros pontos.
Boa sorte em conhecê-la. Pegue sua mala, se prepare para a viagem e aguente o tranco. Ela é tudo, menos serena. Te leva a lugares inimagináveis, mas nem sempre estará lá. Se parou para apreciar e se esqueceu de segui-la, tarde demais... ela já está à frente do caminho.
Amar você foi uma das coisas mais cruéis que fiz comigo.
A. E.