w. @dexthelloyd at. the cottage at Bourton-on-the-Water when. valentines day
Lucille adormeceu com o corpo cansado e a mente inquieta, vinha acontecendo muito nos últimos dias, desde a última recaída. o inverno batendo nas janelas como um lembrete constante de que estava presa demais aos próprios pensamentos. E para melhorar tudo, ela ainda tinha passado, praticamente, o dia inteiro assistindo Dexter do lado de fora cortando lenha para aquecer a casa, e ela se lembrava perfeitamente de cada detalhe: as mãos firmes, o casaco aberto, o vapor da respiração no ar frio, aquilo tinha despertado uma memória que ela fingiu ignorar até o momento em que fechou os olhos. No sonho, estava de volta àquela cabana perdida no meio do nada, onde o calor era absoluto e sufocante. E havia Dexter, que sorria daquele jeito calmo e perigoso ao mesmo tempo, aproximando-se dela como se não houvesse separações, acordos ou silêncio acumulado. Só eles, como antes, quando tudo era muito mais simples e ela não sentia que precisava pensar tanto sobre tudo. Ela conseguia sentir o peso do corpo dele sobre o seu, a aspereza das mãos dele as mesmas mãos que ela passou o dia observando golpear a lenha no jardim com uma força rítmica e hipnotizante, agora explorando cada curva de seu corpo com uma urgência familiar. Lucille sentia o toque dele como uma lembrança gravada no corpo, não precisava de detalhes para saber exatamente onde aquilo a levava. A intensidade da lembrança atingiu o ápice quando, no sonho, Dexter se inclinava para sussurrar promessas obscenas em seu ouvido, seus lábios roçando o lóbulo de sua orelha com uma pressão que a fazia arquear as costas no colchão da vida real. Lucille lutava contra o despertar, querendo se afogar naquela versão dele, naquela lembrança, sonho, o que fosse, ela só queria permanecer ali. O prazer no sonho era uma onda crescente, uma pressão doce e insuportável que se acumulava em seu baixo ventre, acompanhando o ritmo frenético de sua respiração. Naquele estado de transe, ela se rendeu ao clímax daquela memória distorcida. O som que escapou de sua garganta não foi um suspiro, mas um gemido profundo e audível "Dexter..." arrastado e carregado de uma carência que ela jamais admitiria acordada, que ecoou pelas paredes silenciosas da casa gélida e a arrancou violentamente do sono. Lucille sentou-se na cama abruptamente, o coração disparado como se tivesse corrido uma maratona e o rosto queimando em uma mistura de excitação e choque. O lençol sob ela parecia quente demais, um lembrete físico da traição de seu próprio corpo, que insistia em desejar o homem que ela tentava manter à distância. Água, ela precisava de água. E sem pensar, do jeito em que estava, desceu as escadas em direção a cozinha.















