nikhil dançava de olhos fechados, completamente engolido pelo ritmo da banda que tocava no oitavo pecado. a música era suave e combinava com seus movimentos despojados: ele se movia com certa graça, dignidade e elegância, como se estivesse há centenas de anos aprimorando seus passos. nikhil amava música, pois fazia com que ele se sentisse vivo..! ou quase isso. ano após ano, as memórias sensoriais de uma eventual humanidade se enfraqueciam e lentamente esvaíam da mente. memórias doces como o suave ardor da bebida alcoólica queimando a garganta, a textura suculenta da comida na boca, o tecido áspero raspando a ponta dos dedos, a pele suave, fina e frágil... ah, e o coração batendo mais rápido ao ver alguém que amava. tudo, absolutamente tudo tinha sido substituído por outras sensações muito mais fortes, (que tornavam as antigas obsoletas e puídas) em especial pelo desejo doído de beber daquele líquido carmesim viscoso e quente, que pulsava nas várias pessoas ao seu redor. se ao menos pudesse colher direto da fonte. tão cheiroso. tão inebriante... mas ah. o conselho e suas regras estúpidas lhe impediam de ser feliz, de fazer a coisa qual sua espécie era tão conhecida por fazer. de qualquer modo, ele se divertiria. completamente absorto no jam, notou tarde demais que alguém se aproximava sem cautela. a colisão era inevitável, mas nikhil era sagaz o suficiente para virar a situação ao seu favor. em um movimento fino segurou o antebraço alheio, apertando o suficiente para equilibrar quem quer que fosse sem nem mesmo derramar uma gota do próprio copo. "opa." um sorriso galante apareceu nos lábios enquanto ele observava o rosto sem qualquer desfaçatez. "essa foi quase. já que você está aqui, que tal uma dança?" arqueou uma das sobrancelhas em convite.