Título, se quiser
eu pretendo criar um discurso e disfarçar em prosa. eu pretendo extrair o máximo das sensações que tua existência me provoca mas ainda assim sinto medo do impacto que a vida tem sobre nós, sobretudo, em ti. essa experiência na terra tem sido marcada em mim como um suporte para as contradições mais absurdas e sufocantes acerca das nossas funções, das nossas palavras que vagam ora singela, ora ofensiva, sempre vazia.
através da percepção desse vazio eu descubro a moradia dos medos que me cercam, se instauram e cospem em meus ouvidos a provisoriedade onde pulsa vida, veja bem ali também reside perdas as quais eu percebo e nesse instante estou rendido. nesse instante eu estou sempre rendido. rendido há anos perante nossa existência e transição. eu não sei onde estou quando revivo novamente o futuro, o futuro que desacredito, o futuro agora, o futuro ontem, acho que estou rendido pela transição, talvez tenha sido uma sabotagem, os espertos souberam segui-la, e agora, desorientado eu não exergo senão nós imersos na transição cruel e impiedosa, os espertos souberam aceita-la.
eu tenho visto diariamente uma luta imensa por significado entre pessoas pelas quais eu sinto que poderia segurar por entre meus braços e prometer proteção ainda que fosse um disfarce para apenas adiar a dor que não pode ser eliminada e precisa incessantemente se manifestar. no entanto, dentro de 100 anos eu tenho certeza que essa insegurança não passará de um pedaço de mundo sem voz e textos contemplando o vai e vem mundano e a quem estamos subordinados.
isso é um trecho da minha incerteza, isso é um trecho da paz em transição, um trecho das imagens que meus olhos capturam e souberam registrar tal qual uma câmera defeituosa ou apenas exausta.
desordem.
o meu eu parece tranquilo paralelo ao caos previamente estabelecido em algum vestígio de mundo. a saída não se apresenta harmoniosa, não veste tons sedutores e possui uma voz imprecisa talvez, ingenuamente, com intuito de gerar curiosidade.
pra onde ir então?
eu to de pé novamente pra coexistir. alimento teus discursos
planto compreensão em alguém
enquanto esvazio as certezas que construí durante os anos caracterizados pela explosão de sabedoria equivocada dos jovens, inocentes, como eu
ah, eu só preciso te ver sorrir
isso não é um apelo romântico
sou um amargo
em contrapartida eu quero teu bem
isso não é um apelo romântico
mas eu descobri há pouco tempo
que para guiar minha sanidade
eu preciso da tua calmaria
isso nunca será um apelo romântico
isso não é solidariedade.
isso é uma alternativa estabelecida entre minhas impossibilidades para me convencer que desta vez, ao menos para alguém, tudo vai ficar bem outra vez (de novo).
Adam Freitas












