ㅤ ㅤ 🂽 ㅤ  thread ㅤ  𝄒     @laruebeau chose [ massage ] sender notices receiver looks tense, steps up behind them, and massages their shoulders
a casa de sunny era uma bagunça. plantas se espalhavam por todos os cantos — algumas em vasos, outras penduradas em cestas de macramĂŞ que balançavam suavemente com o vento. as paredes estavam cobertas por quadros e tapeçarias de cores e estilos conflitantes, mas que, de algum modo, funcionavam juntos. ela estava sentada no sofá, um copo vazio na mĂŁo, enquanto o noticiário passava na televisĂŁo. assim que o bloco acabou, ela se levantou e silenciou a tela com um movimento da mĂŁo. ficou parada, imĂłvel, o olhar fixo em algum ponto indefinido. hepatite-v. nĂŁo deveria ser possĂvel. vampiros nĂŁo deveriam ser vulneráveis a esse tipo de coisa. mas os fatos eram claros e isso significava que teriam que tomar muito mais cuidado com o sangue que consumiam. deveria haver algum indicativo, algum sinal de sangue ruim. mas qual? como saber antes que fosse tarde demais?
ela sentiu o toque antes de perceber que estava tensa. mĂŁos firmes e conhecidas deslizaram sobre seus ombros, começando um movimento lento e seguro. sunny relaxou sem pensar, o peso nos ombros se dissipando sob o toque de beau. depois de um tempo, seus ombros caĂram e ela se virou, os lábios formando um beicinho. âťť vocĂŞ ouviu algo sobre isso nas ruas? âťž ela perguntou, mas sem esperar resposta. âťť vocĂŞ está tomando cuidado com sangue? âťž os olhos dela se estreitaram levemente quando tocou o rosto dele, os dedos deslizando pela pele perfeita, onde as veias apareciam nos infectados. âťť eu odiaria que meu vampiro preferido se machucasse âťž e era verdade. perder beau seria um grande problema. primeiro, ele estava ligado a ela — perder beau significaria uma fraqueza em sua posição, algo que o rei da autoridade certamente exploraria. segundo, ter um xerife ao lado era uma vantagem polĂtica inegável. terceiro… ela correu o polegar sobre o lábio inferior dele, pensativa. âťť vocĂŞ Ă© bonito demais para morrer assim âťž
Estava há tantos anos trabalhando para a Sunny e, consequentemente para a Autoridade, que Beau já tinha se acostumado com os hábitos e manias da monarca. TambĂ©m sabia interpretar as feições e olhares de Sunny, de forma que a vampira nĂŁo precisava falar como estava se sentindo. Beau costumava brincar que conhecia a rainha como a palma de sua mĂŁo, afinal de contas a vampira tinha se tornado uma espĂ©cie de constância nos Ăşltimos tempos de sua imortalidade. Sendo assim, quando percebeu que Sunny nĂŁo estava prestando atenção no seu relatĂłrio mensal sobre algumas investigações e monitoramentos que andava realizando, percebeu que algo estava errado. E nĂŁo demorou para descobrir a razĂŁo: os olhos da vampira estavam vidrados na televisĂŁo, e por breves segundos Sunny aparentou ser uma estátua, uma obra renascentista, enquanto prestava atenção nas notĂcias sobre a hepatite-v.Â
Aquele era um assunto delicado dentro da sociedade dos vampiros e que, recentemente, estava causando certa apreensĂŁo e inquietação. Depois de sĂ©culos e mais sĂ©culos sendo as criaturas mais poderosas, imbatĂveis e invencĂveis, a existĂŞncia de algo que os debilitava tĂŁo facilmente era assustador. Os vampiros estavam no topo da cadeia alimentar e de sobrevivĂŞncia, nĂŁo o contrário. Automaticamente Beau se aproximou de Sunny e começou a massagear os ombros da monarca, uma tĂ©cnica praticamente infalĂvel para ajudá-la a relaxar e que utilizava com frequĂŞncia. “Estou conversando com alguns contatos, buscando por fontes e mais informações. Quando tiver algum dado relevante, vocĂŞ será a primeira a saber”, mencionou para Sunny, esperando que aquilo fosse o suficiente para diminuir a inquietação da vampira. Beau sabia que a falta de notĂcias e certezas era algo preocupante e nĂŁo podia culpar Sunny por se sentir daquela forma, as histĂłrias e as notĂcias recentes envolvendo a hepatite-v tambĂ©m estavam fazendo com que ele se sentisse impotente. “NĂŁo se preocupe comigo, sei me cuidar”. Ao contrário de alguns vampiros de viviam em clĂŁs, durante boa parte de sua existĂŞncia, Beau tinha vagado sozinho de um lugar para o outro — embora se relacionasse com outros vampiros que cruzassem por seu caminho, nĂŁo possuĂa laços que o prendiam a alguĂ©m. Exceto Sunny. “Nada vai acontecer comigo, Sunshine. Pode ficar tranquila”.
a afirmação de beau era imprecisa, e sunny não gostava disso. não gostava de nada que a fazia hesitar ou que colocasse aquela pequena ruga de preocupação em sua testa. ainda assim, sabia que não era culpa dele. ela inclinou a cabeça. ❝ que tal falar com o nosso contato da yakomono? ❞ sugeriu, a voz suave como sempre que pedia algo a alguém. ❝ talvez ela possa saber de algo... essa hepatite-v, ela foi criada por alguém. poucas pessoas teriam conhecimento suficiente para tal. ❞
quando ele disse que sabia se cuidar, ela sorriu. um sorriso pequeno, mas real. lembrava claramente de quando o encontrou, um bebĂŞ vampiro, tĂŁo jovem, tĂŁo perdido. nĂŁo foi difĂcil salvá-lo — ele era forte, sĂł nĂŁo sabia disso ainda. ela nunca se arrependeu de ajudá-lo, nunca hesitou em mantĂŞ-lo por perto. mas, diferente de sua criadora, ela nĂŁo o aprisionava. ele tinha escolha de ir, mas ele escolheu voltar todas as vezes durante aqueles sĂ©culos. por isso ela continuava cuidando dele. âťť acho bom âťž ela disse, os olhos brilhando com algo entre diversĂŁo e ameaça. âťť eu teria que matar qualquer um que te fizesse mal, e a autoridade nĂŁo ia gostar muito disso âťž
ela se inclinou, os lábios roçando suavemente a pele fria do rosto de beau num beijo leve antes de voltar para o sofá. ela cruzou as pernas, o vestido subindo levemente até revelar um vislumbre de sua coxa pálida. então, com um gesto casual, indicou que ele deveria se sentar ao seu lado. ❝ e sobre aquele outro assunto? ❞ o tom de sua voz mudou. agora havia mais luz em seu olhar. um brilho quase infantil de quem esperava um brinquedo novo. ❝ você conseguiu com a bruxa? ❞

















