As vezes eu sĂł queria falar sobre algo e pronto. Tipo esse menino que eu conheci numa festa. Ele nĂŁo se vestia como os caras que eu geralmente olho, muito menos parecia ter aquele senso de humor que eu tanto prezo, nĂŁo era nada como os bad boys que eu sempre quis pra mim, mas de alguma forma por intermĂ©dio de algum amigo, a gente se abraçou e naquele clima de festa nossa quĂmica bateu, nos beijamos. Toquei minha noite como se nada, afinal era nada mesmo... Nas batidas da musica o grave do som enchia meu peito de tesĂŁo e num momento despretensioso fomos parar no mesmo quarto de Motel com mais 12 bĂȘbadas. Enquanto ele tomava banho na banheira de cueca branca - sim, aqui eu jĂĄ tinha entendido que nem todo livro vem com a capa tĂŁo explicada e aquele anjinho tambĂ©m podia ser o cĂŁo em pessoa. Mas eu tava amando... NĂŁo vou mentir. Tentei me aproximar sorrateiro e imaginando que ele sentiria frio, deixei a toalha por perto pra quando ele fosse se levantar eu atacar aqueles peitĂŁo com a melhor das intençÔes, tipo secar ele, proteger do frio e me deixar molhada. E assim foi, mas nos beijamos com o tesĂŁo de 13 abacaxis, senti ali contra o meu corpo uma das coisas inexplicĂĄveis que Deus cria pra gente se perder de si e qualquer raciocĂnio sobre o que a gente quer. Como diria Michelle Mello, fiquei louca de tesĂŁo. Mas nĂŁo transamos, era um quarto de motel mas ainda tĂnhamos muitas amigas num espaço pequeno, entĂŁo foi como podia ser e te digo, acho que foi o melhor. Tem algo inexplicĂĄvel pro gosto de quero mais e a adrenalina de rapidamente voltar a realidade tendo provado o mais louco dos universos paralelos na sua mente. O tempo passou e fomos casualmente nos encontrando outras vezes, e outras vezes. Aquela imagem de santinho mudou pra puto e depois pra fofo e depois pra homem e quando vi eu tava tentando decifrar tantas coisas sobre esse cara que entendi que eu tava afim dele mesmo. O interesse em reparar, a relação com a rotina, o "eu lembrei de vc quando..." Ă© fia, tava na cara mas as vezes a gente sĂł precisa escrever... Seguindo, comecei a gostar tambĂ©m, de quem eu podia ser com ele. Um novo cara, uma nova histĂłria, agora muito mais maduro e inteligente, nossa seria perfeito se a vida nĂŁo fosse: Real. E pois bem, entre casualidades eu e ele marcamos de dormir juntos. Marcamos um date e saimos. Essa parte pra mim Ă© meio que engraçada e um gatilho, nĂŁo foi como eu imaginava. Mas calma, tĂĄ longe beeeeem longe, de ter sido ruim. SĂł foi meio robĂłtico e senti que eu e ele, ai... a gente, (kkk), sĂł existia dentro da naturalidade das coisas, nĂŁo era uma relação cm ambiçÔes, logo desenhar um roteiro travou a quĂmica dentro daquela adrenalina. Eu comecei a olhar pra ele e me perguntar: onde estamos indo? pq estamos indo? serĂĄ que ele gosta mesmo de mim? e como vai ser se eu roncar hoje? Muita coisa pra quem sĂł tava querendo curtir. Chegamos na minha casa e fizemos um sexo incrĂvel, terminei a noite lembrando da cara dele gozando dentro de mim e me sentindo a pessoa mais foda do mundo. Fiquei com isso marcado na cabeça, pq quando acordei e vi o braço dele jogado no travesseiro, a boca carnuda e o peito tesudo, ai... nĂŁo tinha como mentalmente nĂŁo bater no meu ombro e falar: "Ă bicha... tu fecha!" e comecei o dia assim, risonha leve e cheia de auto estima, pensando que ainda sou a mesma pessoa mas toda diferente. Desde esse dia eu e esse cara nĂŁo nos encontramos mais alĂ©m da casualidade, nĂŁo conseguimos mais encaixar nas nossas rotinas outro momento como esse date, mas fiquei com o gosto dele na minha boca, o cheiro dele na minha cama e aquele magnetismo que sĂł um xeque mate (o de xadrez) deixa numa puta emocionada. NĂŁo sei se torço pra um reencontro pq nĂŁo sei se Ă© sobre continuidade. Mas torço pra essa chama, essa adrenalina que dĂĄ vontade de viver dnv. Em vez de me obcecar pela nossa historia, acho que criei um tesĂŁo em mim e na minha capacidade de me proporcionar coisas boas, sejam elas carnais ou emocionais. NĂŁo chamar tudo de amor, nem de paixĂŁo. mas nĂŁo perder a intensidade de simplesmente se entregar.












